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No nordeste e norte do Brasil, movimento das mulheres quebradeiras de coco babaçu é exemplo de agroecologia, da luta pelo território e por seu modo de vida

Do campo à mesa, da amêndoa à barra, do coco babaçu ao óleo, ao carvão, ao artesanato e por aí vai. Isso sem falar nas outras partes da árvore de nome científico Attalea speciosa que são utilizadas para fazer telhados, como as folhas, ou adubo, como é o caso do caule. É a palmeira típica do Nordeste do Brasil que gera sustento para milhares de famílias pelos estados da região. Porém, antes de virar sabão, cosméticos, leite vegetal e até combustível é preciso quebrar o coco.

Quebradeira de coco é profissão que sempre existiu no feminino, e foi também a feminina "luta" que reuniu, no começo da década de 1990, mulheres dos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará para a criação do MIQCB, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu.

Querida rede Slow Food Brasil e parceiros,

Ao mesmo tempo que cumprimentamos todas e todos, desejando que estejam lidando bem com o momento desafiador que estamos vivendo, comunicamos que a Associação Slow Food do Brasil, por decisão de seu Núcleo Gestor e Diretoria, não retomará, em 2020, as ações de campo previstas para este ano. A decisão decorre do cenário incerto da pandemia do Covid-19 no Brasil, da baixa perspectiva de que condições seguras para traslado das equipes e interação com as comunidades se estabeleçam até o final do ano, e da avaliação de que vale a pena ajustar o quanto antes as atividades de 2020 ao invés de aguardar as duvidosas condições de retomada da rotina de campo.

Milho crioulo, alimento sagrado. De norte a sul do país, populações lutam por essa – e outras sementes originárias –, em busca de soberania alimentar

Diversas-tenonde_02.jpgDiversidade de milho. Foto: Tenondé_Porã

Para garantir o acesso ao alimento bom, limpo e justo para todos é imprescindível pensar em soberania alimentar - direito das comunidades de decidir o que cultivar, produzir e comer. Os caminhos são tortuosos e as ações transcendem a política institucional, sendo trilhadas no micro, através de iniciativas da sociedade civil em suas comunidades e aldeias. 

Sim. É na Terra Indígena Tenondé Porã que Jera (lê-se Djerá) Tenondé Porã, liderança indígena Guarani Mbya, vem lutando há mais de dez anos pela salvaguarda das sementes, por autonomia alimentar e pela demarcação das terras de seu povo. Hoje, a Tenondé Porã compreende nove aldeias, em 16 mil hectares localizados em Parelheiros e Marsilac, distritos da Zona Sul da capital paulista, além de São Bernardo do Campo, São Vicente e Mongaguá.

Cambuci, uvaia, grumixama. Por quê fruta nativa no Brasil "é grego" e como a gastronomia - e a coquetelaria -, podem contribuir para a valorização das espécies

Foi há cerca de um ano que Júnior Magini deixou o emprego como motorista de ônibus e passou a se dedicar integralmente ao cultivo de frutas nativas no sítio da família, que data da década de 1970. Porém, o entusiasmo do agora agricultor não deixa negar: a paixão pela terra vem de cedo, do tempo em que o pai protegia o único pé de cambuci que ainda repousa no fundo do terreiro. Foi só quando o pai veio a falecer, que a mãe do Júnior, a Maria Elizabeth de Sá, decidiu arriscar algumas mudinhas para complementar a renda, em 2006.

Hoje, são 200 pés da fruta nativa no Recanto Magini, que faz parte da Comunidade Slow Food Rota do Cambuci pela divulgação dos produtos da Mata Atlântica e fica em Parelheiros, distrito de São Paulo. "Muita gente escuta falar daqui e já assimila: periferia, longe e extremo sul. E nós temos de tudo aqui: agricultura familiar, somos um dos maiores produtores de orgânicos da cidade; temos cachoeiras, esportes radicais", desmistifica Júnior.

Cambuci_GlennMakuta.jpgFrutos maduros de cambuci | Foto: Glenn Makuta

Os povos indígenas são os mais eficientes conservacionistas da biodiversidade mundial. Isso é particularmente verdadeiro nas reservas indígenas brasileiras, que detêm a maior parte das partes virgens da floresta amazônica. Quase um quinto de todos os animais e plantas da Amazônia vivem nesses territórios, os quais retêm 25,5% de todos os estoques de carbono no Brasil – e os povos originários dependem desses ecossistemas e em suas terras para sobreviverem.

A luta para proteger suas terras da grilagem, garimpo e extração ilegal na região é brutal e sangrenta. Nesse cenário, tem sido alegado que o governo Jair Bolsonaro está usando a pandemia como cortina de fumaça para continuar atividades ilegais de desmatamento e apropriação de terras.

Os estados do norte do Brasil, incluindo o Amazonas, foram os mais atingidos pela pandemia. Mais de 60 comunidades indígenas confirmaram casos de COVID-19 e a maioria deles foi registrada na região amazônica, de onde as pessoas só podem ir a hospitais de barco ou avião – a distância média entre aldeias indígenas e a unidade de terapia intensiva mais próxima (UTI), no Brasil, é de 315 quilômetros.

 

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