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Cambuci, uvaia, grumixama. Por quê fruta nativa no Brasil "é grego" e como a gastronomia - e a coquetelaria -, podem contribuir para a valorização das espécies

Foi há cerca de um ano que Júnior Magini deixou o emprego como motorista de ônibus e passou a se dedicar integralmente ao cultivo de frutas nativas no sítio da família, que data da década de 1970. Porém, o entusiasmo do agora agricultor não deixa negar: a paixão pela terra vem de cedo, do tempo em que o pai protegia o único pé de cambuci que ainda repousa no fundo do terreiro. Foi só quando o pai veio a falecer, que a mãe do Júnior, a Maria Elizabeth de Sá, decidiu arriscar algumas mudinhas para complementar a renda, em 2006.

Hoje, são 200 pés da fruta nativa no Recanto Magini, que faz parte da Comunidade Slow Food Rota do Cambuci pela divulgação dos produtos da Mata Atlântica e fica em Parelheiros, distrito de São Paulo. "Muita gente escuta falar daqui e já assimila: periferia, longe e extremo sul. E nós temos de tudo aqui: agricultura familiar, somos um dos maiores produtores de orgânicos da cidade; temos cachoeiras, esportes radicais", desmistifica Júnior.

Cambuci_GlennMakuta.jpgFrutos maduros de cambuci | Foto: Glenn Makuta

Os povos indígenas são os mais eficientes conservacionistas da biodiversidade mundial. Isso é particularmente verdadeiro nas reservas indígenas brasileiras, que detêm a maior parte das partes virgens da floresta amazônica. Quase um quinto de todos os animais e plantas da Amazônia vivem nesses territórios, os quais retêm 25,5% de todos os estoques de carbono no Brasil – e os povos originários dependem desses ecossistemas e em suas terras para sobreviverem.

A luta para proteger suas terras da grilagem, garimpo e extração ilegal na região é brutal e sangrenta. Nesse cenário, tem sido alegado que o governo Jair Bolsonaro está usando a pandemia como cortina de fumaça para continuar atividades ilegais de desmatamento e apropriação de terras.

Os estados do norte do Brasil, incluindo o Amazonas, foram os mais atingidos pela pandemia. Mais de 60 comunidades indígenas confirmaram casos de COVID-19 e a maioria deles foi registrada na região amazônica, de onde as pessoas só podem ir a hospitais de barco ou avião – a distância média entre aldeias indígenas e a unidade de terapia intensiva mais próxima (UTI), no Brasil, é de 315 quilômetros.

 

JSFB

JURUNA

Em meio à pandemia causada pelo coronavírus, a Comunidade Slow Food Valorização da Mandioca do Povo Juruna KM 30, localizada na aldeia indígena Boa Vista do Povo Juruna, em Vitória do Xingu (Pará), perdeu o contrato de venda de seus produtos para a merenda das escolas públicas do município. Para não perder esses alimentos e ainda fazer o bem, Murilo, Amaury e Marineide, integrantes da comunidade, tomaram a iniciativa de doar toda a produção agrícola sob a forma de cestas para as famílias carentes da região. Essas cestas são compostas de alimentos bons, limpos e justos produzidos por esse povo tradicional, por exemplo alimentos como derivados da mandioca, tucupi, milho verde, abóbora, dentre outros.

Para atender às necessidades de pescadores da Reserva do Pirajubaé, Slow Food organiza campanha de arrecadação, compra produtos da agricultura familiar e fortalece dois pontos da cadeia do alimento 

Com restaurantes e mercados fechados, e a consequente diminuição do fluxo de pessoas nas ruas, a dificuldade de agricultores, pescadores e extrativistas em escoar os produtos de seus trabalhos se intensifica dia após dia. Para os pescadores artesanais da Reserva Extrativista do Pirajubaé, primeira reserva extrativista marinha do Brasil, localizada em Florianópolis/SC, não seria diferente. Foi a demanda para atender as necessidades básicas das famílias em situação mais crítica da reserva que levou a Rede Catarina Slow Food a iniciar a campanha de arrecadação. A relação do Slow Food com a comunidade da Resex começou em 2009, quando o berbigão, também conhecido como vôngole, entrou para a Arca do Gosto - mais tarde, em 2017, foi a vez do peixe parati.

Por sua vez, agricultores familiares da rede, bem como de grupos parceiros, também enfrentavam - e ainda enfrentam - barreiras para comercializar seus produtos. Lucimar de Oliveira é agricultora, coletora de pinhão da Fortaleza Slow Food do Pinhão da Serra Catarinense e integrante do movimento desde 2008. No sítio da família, o Recanto do Velho Pai, ela conta que a safra costuma ser bem produtiva, com cerca de 25 variedades de verduras e legumes, mas a atividade se viu prejudicada com a crise dos últimos meses. "Este trabalho do Slow para ajudar a quem precisa nos ajudou. Nós estamos com dificuldade de vender moranga, cebola de cabeça... Já perdi bastante por ter armazenado por tanto tempo. Agora, com este movimento, consegui retorno de um pouco desses produtos, assim como do pinhão." Isso porque o foco da campanha era a arrecadação de verba para a compra de cestas agroecológicas, assim, dois grupos da cadeia poderiam ser beneficiados.

O 22 de Abril uniu comunidades rurais, indígenas e ativistas urbanos de norte a sul do país nas redes sociais para saudar este tesouro vivo do nosso patrimônio alimentar que é símbolo do combate à fome e  soberania alimentar mundial: a mandioca. 

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           O pertencimento ao movimento mandioqueiro e seus significados muito atuais foram suficientes para iniciar uma bela mobilização nas redes sociais da Rede Slow Food Brasil com o mote da celebração do 22 de Abril. A data reinvindica substituir o colonialista “descobrimento” pelo Dia da Mandioca e de fato redescobrir o Brasil saudando esta raíz brotada ancestralmente em nosso quintal,uma herança milenar do trabalho e genialidade dos povos indígenas.

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