Parati (Mugil curema) é um peixe conhecido no litoral brasileiro, especialmente no catarinense, paulista e carioca. Busca mar mais calmo, por isso pode ser visto em costeiras de água rasa, sobre fundos rochosos, em praias, estuários ou mangues. Alimentam-se de algas e microorganismos. Por vezes confundido com a tainha, Mugil platanus, por pertencerem a mesma família mas como característica distinta, possui uma mancha amarela localizada no opérculo (abertura na parte inferior da cabeça do peixe). Ademais, é menor, chegando a um máximo de 45 cm, comumente capturado em média de 30 cm de comprimento.

Dentre as forma de pesca, uma das mais utilizadas por pescadores artesanais é o cerco, embora também exista a captura com lança, tarrafa, rede de espera e emalhe. As redes comumente possuem dimensões de 3 a 4 panos de altura (8 - 9m) e malha de 1 a 6 cm, dimensões menores do que para a pesca da tainha. Os paratis possuem características naturais de permanência em estuários de água doce e migração reprodutiva para águas abertas no outono e inverno, quando frentes frias se adensam. Na região Sudeste, no Complexo Estuarino Lagunar de Cananeia - Iguape - Paranaguá, por exemplo, estes peixes possuem comportamento reprodutivo distinto, com desova entre outono e abril, quando ocorrem as maiores capturas.

Desde a década de 1980, com aumento de captura em período de desova e também à medida que os estoques de sardinhas (Sardinella brasilienses) diminuíram, sua extração passou a ser um recurso pesqueiro alternativo para a pesca industrial. O preço de comercialização está entre R$1,50 a R$10,00/Kg, dependendo do mercado ou do grau de processamento (inteiro, eviscerado, escamado, limpo, etc).

De qualquer forma, a relevância do parati como recurso pesqueiro é maior para comunidades litorâneas que praticam a pesca artesanal do que para a pesca industrial em escala. No município de Florianópolis (SC), por exemplo, pela falta de fiscalização, a pesca predatória vem diminuindo os estoques naturais na RESEX Pirajubaé (Reserva Extrativista Pirajubaé). Um tipo de cerco tradicional à comunidade dali é chamado de “cai cai no baixio”, praticada por pescadores mais antigos, normalmente sem embarcações motorizadas e que encontra-se em risco de perder-se culturalmente. Em Cananeia (SP), a principal forma de captura é o cerco-fixo, principalmente nos meses quentes do ano.

Nos municípios de Araquari (SC) e Balneário Barra do Sul (SC), cujo processo de pesca também ocorre de forma artesanal,  ocorre predominantemente por homens, tendo os processos posteriores, de comercialização e beneficiamento, predominantemente de incumbência das mulheres. Neste contexto, nota-se que os agentes envolvidos possuem baixa escolaridade (Ensino Fundamental Incompleto, na maioria) e uma população economicamente ativa entre 50 e 69 anos.

Esta realidade denota uma incompatibilidade destes agentes em relação às técnicas demandadas para pesca nos padrões industriais, assim como um envelhecimento das comunidades envolvidas que põe em cheque atributos culturais que são patrimônio destes coletivos.

Usos gastronômicos

O peixe é comumente servido frito, assado ou em filés grelhados. Nas comunidade pesqueira de Balneário Barra do Sul (SC), este pescado é servido como “cambira”, um processo de secagem de origem açoriana resgatado por um projeto desenvolvido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pela Cooperativa da Comunidade Pesqueira de Balneário Barra do Sul.

Referências:
artigo: http://ifish4life.typepad.com/.a/6a0120a7932760970b0134863805ff970c-500pi
artigo: BOSSI, Mara. FERREIRA, Ana. LIMEIRA, Daniel. PRETO, Artur. A PESCA DO PARATI: IMPORTÂNCIA SOCIOECONÔMICA E RESGATE CULTURAL. VI Mostra Científica e Tecnológica. Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Araquari. Out. 2015.
artigo: ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/serreltec_28.pdf
artigo:http://www.fishbase.org/Country/FaoAreaList.php?ID=1086&GenusName=Mugil&SpeciesName=curema&fc=359&StockCode=1102&Scientific=Mugil+curema
artigo: http://www.sbpcnet.org.br/livro/61ra/resumos/resumos/5899.htm
vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=BXmL6V6x4Hs
artigo:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1519-69842011000400010&script=sci_abstract&tlng=pt

Indicado por Fabrício Gonçalves
Texto e pesquisa por Bernardo Simões, Pedro Xavier, Larisse Kupski e José Luiz F. Cerveira Filho 
Revisado por Ligia Meneguello
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