O peroá (Balistes capriscus), peixe-porco, peixe porquinho ou acarapicu é um peixe marinho, que ocorre na região tropical e temperada dos Oceanos Índico, Pacífico e Atlântico. É uma espécie demersal, o que significa que mesmo sendo um bom nadador, passa boa parte do tempo nos substrato arenoso do fundo do mar. Tem hábitos diurnos e alimentação carnívora, à base de invertebrados, crustáceos e moluscos. Seus dentes fortes e afiados permitem que os peixes abram as cascas duras dos ouriços e estrelas do mar. Costumam aparecer em pequenos grupos e eventualmente em cardumes. Os peixes adultos atingem até 60 cm e são conhecidos por resistirem bravamente à captura pela pesca, arrebentando as linhas e até mordendo os pescadores.

O peroá costumava ser encontrado com abundância no litoral do Espírito Santo e, além de um recurso importante para a economia local, se tornou, popularmente, o peixe símbolo da região, servido inteiro empanado e frito nos quiosques da beira da praia. 

Entretanto, devido à pesca intensiva, sobretudo efetuada por barcos de grande porte, a captura dos peixes ainda muito jovens e as pesquisas para exploração de petróleo na região (que alteram a dinâmica do ambiente marinho costeiro realizando explosões de dinamite), esta espécie encontra-se ameaçada e é cada vez mais rara no seu ambiente natural.

Um estudo publicado pelo Boletim do Instituto de Pesca do Governo de São Paulo, relata que o peroá tem sido alvo de intensa captura pela frota industrial nas últimas décadas, com seus estoques e manutenção da espécie gravemente prejudicados, e recomenda aos órgãos de gestão e ordenamento pesqueiro a inclusão de Balistes capriscus nas listas oficiais de espécies ameaçadas de sobreexplotação. 

Tradicionalmente, os pescadores do litoral sudeste utilizam a técnica conhecida como pargueira para a captura do peroá. Navegando em pequenas embarcações (menos de 10 m de comprimento), os pescadores se deslocam até os pontos conhecidos, com fundo de areia grossa ou cascalho e colocam dentro da água um saco de pano de rede contendo uma mistura de crustáceos triturados (siris; caranguejos, cabeças de camarão, etc.) chamada de engodo, com o intuito de atrair os peroás para próximo da embarcação.  Quando os peixes chegam próximo à tona, lançam-se as pargueiras em água, que consistem em linhas-de-mão com vários anzóis, iscadas com pedaços de peixe. 

Junto com as pargueiras, é comum utilizar um acessório conhecido como "pequeno puçá”, uma espécie de rede com cabo de madeira que serve para capturar o peixe que sobe à tona, atraído pelo engodo. 

Entretanto, a partir da década de 80, grande parte do setor pesqueiro do Rio de Janeiro e Espírito Santo começaram a  substituir os apetrechos tradicionais pelo chamado puçá-grande, muito mais eficiente na captura dos peroás, porém muito pouco seletivo (capturando outras espécies e exemplares de pequeno porte). Esta mudança de instrumento passou a exercer um esforço excessivo sobre o recurso, causando sobrepesca e a conseqüente diminuição do tamanho dos exemplares capturados (alguns peixes chegam a ser comercializados com 10 a 15 cm).

Atualmente, uma portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (PORTARIA Nº 81, DE 10 DE JULHO DE 2002) proíbe o emprego do puçá (também conhecido como jererê, covo, coador ou sarrico) na captura de Balistes capricus e B. vetula no litoral do Sudeste e Sul.   

Pescadores da região de Marataízes, no litoral do Estado, sobrevivem há décadas da economia do pescado, entre os quais o peroá é o mais procurado por restaurantes e turistas. Os proprietários de quiosques do litoral capixaba também lamentam a falta do peixe, que representa o prato tradicional do cardápio, e buscam, como alternativa, a importação do peixe de outros estados.

A omissão dos órgãos de fiscalização ambiental, a sobrepesca efetuada por grandes barcos, o utilizo de instrumentos não adequados à pesca do peroá e a comercialização de indivíduos jovens, de pequeno porte, ameaçam a sobrevivência desta espécie tradicionalmente associada ao litoral capixaba. 

É preciso chamar à atenção da população e do poder público para proteger esta e outras espécies da fauna marinha brasileira e garantir a exploração sustentável deste recurso, fonte de renda para populações locais e interessante ingrediente para a gastronomia. 

O peroá é tradicionalmente oferecido inteiro ou em filés empanados e fritos, acompanhados de farofa, banana frita e salada de cebola e tomates crus. Tem carne branca e macia, de sabor suave. Quando frito, forma uma casca crocante e saborosa que contrasta com a carne úmida por dentro.

Referências bibliográficas:
Marcelo Vianna, Ana Maria Torres Rodrigues, Celso F. Lin. Descrição da pescaria do peroá (Balistes capriscus). A utilização do puçá-grande no sudeste do Brasil. Boletim do Instituto de Pesca. ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/33_2_229-236.pdf 
Camila Camargo Ataliba, Paula M. Gênova de Castro, Marcus H. Carneiro. Desembarques do peixe-porco (Balistes capriscus) capturado pela frota industrial dosudeste do Brasil, com ênfase ao estado de São Paulo.  Boletim do Instituto de Pesca.
ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/35_2_247-258.pdf 
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Portaria Nº 81, DE 10 DE JULHO DE 2002. http://www.pesca.sp.gov.br/leg_81.php 
Reportagens e artigos:
Peroá tem desaparecido do litoral Sul do ES, dizem pescadores http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2015/05/peroa-tem-desaparecido-do-litoral-sul-do-es-dizem-pescadores.html 

Indicado por Bruno Morett Figueiredo Rosa
Texto e pesquisa por Marcelo de Podestá
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