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O Brasil tem um patrimônio de biodiversidade extraordinário que se reflete também na produção agro-alimentar. No Salone del Gusto 2008 será possível descobrir as delícias de um país que não é apenas um grande exportador de café, cacau e cana-de-açúcar. O evento acontece em paralelo com o Terra Madre - encontro mundial de comunidades do alimento, entre os dias 23 e 27 de outubro de 2008, em Turin, na Itália.

Será grande a participação brasileira nos dois eventos, veja mais detalhes:

O foco deste estudo está nos significados da comida de um restaurante vegetariano localizado na região central de Pelotas, Rio Grande do Sul. Esse restaurante comercializa uma grande variedade de alimentos produzidos sem utilização de agrotóxicos - como tomate, alface, berinjela, feijão, arroz integral, pães, cucas, doces, bolos -, além de uma gama de itens direcionados aos cuidados com a saúde.  São alimentos produzidos por agricultores familiares, vinculados a grupos como o Centro de Apoio aos Pequenos Agricultores (CAPA) e a Associação Regional de Produtores Agroecológicos da Região Sul (ARPASUL), entre outros. Além de comercializar refeições, a comida também é distribuída gratuitamente por membros sócios do restaurante.

bufe_saladas.jpgAtendendo a um grupo bastante heterogêneo - advogados, professores, estudantes universitários -, esse restaurante agrega discursos e princípios diferenciados no tocante às concepções alimentares que atraem seus clientes. Até as três horas da tarde, o almoço é servido em buffet, do qual faz parte uma extensa mesa minuciosamente preparada com as mais variadas e coloridas frutas, verduras e legumes, além de sucos de melancia, uva, laranja, mamão e morango.

Outro grupo de consumidores, talvez mais heterogêneo ainda, alimenta-se mais tarde, das sobras alimentares do estabelecimento, que diariamente distribui a comida não consumida pelos pagantes*. A cada dia, por volta das três horas da tarde, os consumidores não-pagantes - catadores de material reciclável, guardadores de carros, desempregados e albergados - posicionam-se em fila, do lado de fora do estabelecimento. Receberão a comida quando todos os consumidores pagantes tiverem se retirado. Essas duas formas de comensalidade e as diferentes percepções a elas relacionadas constituem o tema deste estudo.

Nos dias 23 a 27 de outubro, em Turim, Itália, acontecerá o encontro mundial da Rede Terra Madre reunindo comunidades do alimento, chefs de cozinha, docentes e jovens provenientes de todo o mundo empenhados em trabalhar para promover uma produção alimentar local, sustentável e respeitosa dos métodos herdados e consolidados no tempo.

As comunidades do alimento são grupos de pessoas que produzem, transformam e distribuem alimentos de qualidade de forma sustentável e estão fortemente ligadas a um território do ponto de vista histórico, social e cultural.

No dia no dia 12 de outubro de 2008, em Natal/RN, o Convivium Potiguar (célula local do Movimento Slow Food) e a Chef Adriana Lucena, integrante da rede Terra Madre, promovem a Feijoada Beneficente em apoio à ida da Comunidade da Castanha de Caju (Coopercaju) de Serra do Mel que representará o Estado do Rio Grande do Norte no referido evento.

Contamos com sua valorosa colaboração em divulgar e comparecer.

No início, eu questionava até que ponto um movimento que pregava o comer devagar poderia exercer influência sobre as pessoas de uma metrópole engolidora como a nossa. E, num pensamento mais egoísta, o que poderia me ensinar, já que faço minhas próprias compras, às vezes colho o que planto, amasso o meu pão, preparo minha comida e me sento à mesa todos os dias com família e amigos sem pressa? Pronto, eu já era "slow food".

Aos poucos, fui vendo que o movimento não era só isso e envolvia questões maiores. Tanto para mim, que tenho a sorte de trabalhar em casa, quanto para a maioria das pessoas, que leva uma vida frenética, com todo o tipo de excessos e restrições, ter uma atitude "slow food" pode significar muitos ganhos.

Um dos objetivos do movimento é que realmente comamos sem pressa alimentos saudáveis e que pensemos naquilo que estamos comendo.

O camarão com casca, o descascado e o miudinho. A anchova inteira ou cortada em filé. A farinha de mandioca em sacas: grossa, fina, nem grossa nem fina. As frutas em caixas, exibidas, umas por cima das outras. As carnes penduradas, as réstias de alho e de cebola atrapalhando a passagem, as frutas secas em vidros gordos com tampa prateada. O cheiro do peixe cru misturado ao do pastel que está saindo mais pra frente e, lá do fundo, ainda dá para sentir o perfume do café recém servido ao freguês. E gente e balanças e bigodes e conversas atravessadas e mais gente com sacolas penduradas. 

Sacas de feijão no Empório Mania da IlhaAh, os mercados! Públicos, centrais, mercados de rua e até os mercadinhos de esquina. Lugares onde a alma local aparece sem vergonha e sem disfarces. Onde se descobre se é época de tainha ou de melão. Onde se conhece quais são os produtos do território, o que vai no prato dos moradores da cidade e qual o sotaque e o humor do povo. Só nos mercados é possível se deixar levar pela beleza de baldes de azeitonas e, por impulso, voltar pra casa com um quilo delas, roxas, verdes, carnudas, temperadas, recheadas com pimentão. Só nos mercados é possível mergulhar a mão numa saca cheia de feijão e sentir os grãos gelados deslizarem na pele. Preto, branco, vermelho, feijão fradinho. É no mercado que se pode mordê-los no canto da boca para saber se são da última safra.

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