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Doações de alimentos, mapeamento de produtores e feiras orgânicas. Em momentos de crise, a questão é escoar a produção e ajudar quem mais precisa, mas sobretudo conectar pessoas

"Tudo começou ao ver os colegas de um grupo de cozinheiros desesperados não sabendo se iam receber, se iam ficar desempregados", diz o chef de cozinha Adilson Santana, membro do movimento Slow Food na Paraíba. Foi a partir do chamado dos colegas e de agricultores familiares que Adilson levou a demanda à rede, pensando em arrecadar doações para famílias em situação de vulnerabilidade social em João Pessoa. "As pessoas estão sem dinheiro para comprar o básico, que é a alimentação", conta o chef. Alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza e dinheiro estão entre as doações recebidas e, até o fechamento da coluna, mais de 40 cestas básicas - com duração de até duas semanas para quatro pessoas, considerando três refeições diárias - já tinham sido entregues na região metropolitana da cidade. 

O Instagram @slowfoodparahyba é o principal veículo de divulgação da campanha, assim como de feedback para os colaboradores, mostrando a repercussão da ação no território e incentivando para que o número de doações cresça ainda mais. Dentro desse contexto, o papel dos consumidores, comunicadores e outros chefs de cozinha na promoção da iniciativa é fundamental para uma sensibilização mais ampla. "Pessoas 'seguem' pessoas, e isto é o que faz a diferença quando há pedidos de ajuda vinda destes atores. A rede se fortalece justamente neste entrecruzamento de ideias e incentivos compartilhados", fala Santana. A tendência, contudo, é que a demanda por alimentos aumente, sobretudo entre as comunidades mais carentes. "Por isso estamos fechando parcerias com associações da agricultura familiar e empresas de distribuição de alimentos. A fome não espera!", lembra Adilson.

Texto originalmente publicado no site da Articulação Nacional de Agroecologia

Recursos devem ser utilizados por estados, municípios e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para comprar 250 mil toneladas de alimentos da agricultura familiar e alimentar população mais vulnerável, durante a pandemia do coronavírus

Brasília (DF), 08 de abril de 2020

Mais de 300 movimentos e organizações sociais do campo e da cidade apresentaram hoje ao Governo Federal uma proposta para fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), demandando o aporte emergencial de R$ 1 bilhão para esse mecanismo que ganhou relevância na crise do coronavírus. Endereçada aos governos federal, estaduais e municipais, a demanda prevê a mobilização de 150 mil famílias de agricultores, com a aquisição de 250 mil toneladas de alimentos, nos próximos três meses. 

Coordenado pelos ministérios da Agricultura e da Cidadania, o PAA viabiliza a aquisição de alimentos da agricultura familiar para abastecimento de populações em situação de insegurança alimentar, incluindo o atendimento a hospitais, quartéis, escolas, restaurantes populares, asilos e outras entidades da rede socioassistencial.

“Nesse contexto da pandemia, é fundamental e urgente o fortalecimento do PAA, que tem a capacidade dupla de apoiar as atividades produtivas na agricultura familiar, ao mesmo tempo que permite o abastecimento e atendimento de famílias em situação de insegurança alimentar”, diz Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia, que mobilizou, até às 14h de hoje, mais de 300 organizações e movimentos em torno da proposta.

Texto originalmente publicado no site do FBSSAN

Diante da gravidade e urgência que o mundo e o Brasil estão passando, a Comissão Organizadora da Conferência Popular por Direitos, Democracia, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional decidiu pelo adiamento da etapa nacional, que seria realizada entre os dias 4 e 6 de agosto deste ano, em São Luís do Maranhão. Também avaliamos que ainda não há informações suficientes para anunciarmos uma nova data.

O adiamento da etapa nacional não significa a paralisação de nossa mobilização e reflexão, pelo contrário. Mais do que um evento nacional a Conferência Popular é um processo contínuo da sociedade civil organizada, em movimento.

A Pandemia escancara as desigualdades sociais, étnico-raciais e de gênero e as condições precárias de vida a que estão submetidas parcelas imensas da população brasileira. Evidencia a grave crise político-institucional, o desmonte dos sistemas de saúde e proteção social e a paralisação de praticamente todos os programas de segurança alimentar e nutricional (SAN), o que compromete a capacidade e agilidade das respostas emergenciais diante da crise. A ausência de diálogo, que se expressa na extinção e/ou abandono dos conselhos, demonstra a incapacidade de construção de soluções capazes de atender a demanda do povo, dos sujeitos de direito.

Em tempos de avanço do coronavírus, a regra é clara: "fique em casa". Mas como é possível contornar os impactos das mudanças no modelo de abastecimento e consumo, e ainda assim se alimentar bem?

Nas últimas semanas, chefs, cozinheiros, jornalistas, influenciadores, agricultores, organizações da sociedade civil  e formadores de opinião foram ainda mais enfáticos nas mensagens de incentivo ao consumo de alimentos de proveniência local, produções artesanais e que valorizem a agricultura familiar. O avanço da pandemia do coronavírus pelo país e pelo mundo tem levantado uma série de preocupações também no ramo da alimentação, uma vez que a recomendação máxima de ficar em casa afeta diretamente o movimento dos estabelecimentos e, por consequência, a vida de profissionais do setor gastronômico, fornecedores, empresários e chefs de cozinha, assim como de suas famílias. Com restaurantes fechados, além de feiras e eventos cancelados, viu-se propagar como nunca os serviços de delivery, a compra de vouchers e de produtos artesanais e/ou provenientes do campo.

Agricultores familiares, inclusive, começam a sofrer alguns impactos decorrentes do Covid-19. As restrições relacionadas ao trânsito e o fechamento de comércios dificulta o acesso a mudas e a insumos agrícolas, por exemplo, além de impactar no escoamento de produtos agrícolas. Em Pescaria Brava/SC, o agricultor Antonio Augusto conta que a crise também exigiu mudanças na venda direta ao consumidor, como a abrangência do serviço de entrega e alterações no sistema de pagamento de cestas. Já quando o assunto é levar os produtos um pouco mais longe, a união faz a força, e os produtores agora optam por ratear os custos das viagens, a fim de evitar um deslocamento excessivo entre cidades e diminuir os custos com transporte, como conta Antonio, que também é integrante da Associação Slow Food do Brasil e uma das lideranças da Fortaleza Slow Food do Butiá do Litoral  Catarinense.

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