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A coluna “Com a Mão no Queijo” foi criada pelo Grupo de Trabalho do Slow Food Brasil sobre Queijos Artesanais de Leite Cru com o objetivo de divulgar as informações, projetos, ações e tudo o que se refira ao tema. Queremos que todos os brasileiros apreciadores de queijos possam ter acesso aos nossos queijos tradicionais, cada vez mais difíceis de serem encontrados fora de suas regiões de produção e principalmente nas grandes cidades.

Recentemente, discussões sobre a defesa de queijos de leite cru que já há algumas décadas estão presentes em alguns países europeus, especialmente França e Itália, chegam também ao Brasil. Mas afinal, o que são queijos feitos de leite cru? E em que diferem de outros queijos? Acompanhe a coluna e saiba mais.

Por Patricia Moll e Danielle Nagase

Na última quarta-feira (12), a lei Nivardo Mello, que regulamenta a produção e a comercialização de queijos e manteiga artesanais, foi aprovada por unanimidade (22 votos) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte.

Apresentada pelo deputado Hermano Morais (PMDB), ela substitui o projeto de lei 159/2016 e estabelece que os queijos de  manteiga e de coalho devem ser produzidos apenas com leite integral fresco e cru, respeitando “os métodos tradicionais, culturais e regionais”. A manteiga da terra (ou de garrafa ou do sertão) é a que é produzida apenas com nata e sal. Por serem feitos com leite cru (não pasteurizado), os queijos carregam o modo de fazer tradicional, ressaltando seus sabores específicos.

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Nenem, auxiliar de Nivardo, fazendo o queijo de manteiga para o Documentário "História da Alimentação de Câmara Cascudo" (direção de Eugenio Pupo- inédito) em agosto de 2016. Foto: Angelo Medeiros

Queijo Porongo feito de leite cru e massa filada, produto do Estado de SP
Queijo Porongo feito de leite cru e massa filada, produto do Estado de SP | foto: Natan Pimentel-Filho

 

Em 26 de agosto de 2016 a Vigilância Sanitária do Estado de Santa Catarina emitiu uma nota técnica. Nesta nota, alertou os consumidores a respeito dos riscos de consumo de derivados lácteos obtidos a partir de leite cru, alegando que a produção desses alimentos a partir deste insumo (leite cru, ou seja, não tratado termicamente) contrariava as normas sanitárias, afirmando que a pasteurização do leite era essencial e obrigatória para o beneficiamento de leite e derivados. (documento em anexo)

Desconhecemos as razões que levaram a emissão da referida nota técnica, porém, discordamos plenamente das afirmações apresentadas no documento conforme detalhamos a seguir.

Ao contrário da afirmação da Vigilância Sanitária, não é proibida a fabricação de queijo com leite cru, sendo esta a forma mais tradicional de produção de queijos e demais derivados lácteos, que faz parte da sabedoria milenar da humanidade.

Um movimento que acontece todos os anos convida o mundo inteiro a participar do dia da valorização do queijo produzido com leite cru.

O objetivo do movimento é conscientizar os consumidores para apoiar a causa e para que os órgãos reguladores diminuam as barreiras para este tipo de produto. "Numa altura em que a incerteza regulatória ameaça produções tradicionais e métodos seculares, pretendemos oferecer uma voz forte em apoio ao queijo artesanal." Afirma a organização.

Você também pode fazer parte deste movimento, organizando algum evento para divulgar o queijo feito de leite cru em sua região. A ideia é que no dia 16/04/2016, em todo o canto do mundo, tenha alguém falando e apresentando o queijo de leite cru e trazendo mais apoiadores para a causa.  Apresente o queijo de leite cru de sua região ao consumidor, fale sobre esse queijo, faça degustações, desta maneira você estará contribuindo para a proteção deste produto e do produtor rural que o fabrica e, ao mesmo tempo, estará garantindo a perpetuação da nossa tradição cultural.

Para participar não tem custo, mas é necessário se cadastrar através do link  http://www.oldwayscheese.org/registration/ e divulgar #rawmilkcheese através das redes sociais.

Venha fazer parte deste movimento.

O Ministério da Agricultura (MAPA) colocou em consulta pública legislação para pequenas agroindústrias de leite e derivados com mais dificuldades impostas para os agricultores familiares. 

O documento segue abaixo na íntegra.

Em resposta à carta aberta encaminhada à ANVISA e à Presidência da República, de autoria das organizações sociais, o diretor presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) esclareceu que, com a reorganização interna de sua estrutura, a agência decidiu por integrar de forma definitiva o Projeto de Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária criado pela RDC 49 / 2013, que dispõe sobre o exercício de atividade de interesse sanitário do microempreendedor individual.

Reafirmou o compromisso de diálogo firmado entre a ANVISA  e a sociedade civil organizada garantindo que não haverá restrição ao processo de aproximação com a agricultura familiar e empreendimentos da economia solidária, como já vem sendo realizado nos últimos meses.

O Slow Food parabeniza a instituição por seu posicionamento e espera que demais órgãos reguladores como o Ministério da Agricultura adotem a mesma postura perante à produção de alimentos oriundos da agricultura familiar.

veja o Ofício 1084-2015 da ANVISA [aqui]

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