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Transgênicos - OGMs

Quando os Transgênicos (OGMs - Organismos Geneticamente Modificados) começaram a aparecer no mercado, foi introduzido o princípio de equivalência substancial, segundo o qual os OGMs são considerados equivalentes aos contrapartes não modificados, eliminando, assim, a necessidade de conduzir testes de longo prazo sobre os efeitos causados pelo seu consumo. Muitos contestam este princípio. Como afirma, por exemplo, Marcello Buiatti, professor de genética da Universidade de Florença «o controle de eventuais riscos é de responsabilidade da EFSA, a Agência Europeia para a segurança alimentar, cujas diretrizes para a análise de risco são inadequadas. Em particular, os experimentos de avaliação de eventual toxicidade dos OGMs são conduzidos num intervalo temporal de apenas 90 dias, um período que permite o estudo de curto prazo sobre a toxicidade, mas que frequentemente não é suficiente para evidenciar uma série de doenças, entre as quais os tumores, que se manifestam em tempos mais longos». É necessário, portanto, que se realizem mais estudos neste sentido. Alguns já foram realizados.

Dia 19 de setembro de 2012 foi publicado um novo estudo que procura esclarecer justamente as consequências de longo prazo de uma alimentação com a presença de OGMs. O trabalho, realizado por um grupo de pesquisadores italianos e franceses orientados pelo professor Gilles-Eric Séralini, examinou durante dois anos 200 ratos alimentados com ração contendo OGMs em percentuais variados. Foi usado o milho NK603 da Monsanto, modificado para conferir resistência ao glifosfato, um herbicida comercializado com o nome de Roundup.

Como afirmam o mesmos autores, muitas vezes os resultados do estudo não podem ser considerados definitivos no debate ainda aberto sobre possíveis consequências do consumo de OGMs para a saúde humana e animal, mas «o trabalho foi publicado numa revista internacional peer-reviewed (Food and Chemical Toxicology), o que garante a validade científica do estudo», comenta Federico Infascelli, professor de nutrição animal da Universidade de Nápoles Federico II.

O fato de jamais terem sido encontrados efeitos colaterais quer dizer que os mesmos não apresentam toxicidade imediata, mas o que se conhece sobre os efeitos crônicos ligados à ingestão de quantidades reduzidas por um período prolongado? Os 200 ratos analisados neste período foram divididos em quatro grupos: o primeiro foi alimentado com milho geneticamente modificado não tratado com herbicida, o segundo com milho geneticamente modificado tratado com Roundup, o terceiro com milho convencional, mas diluindo na água uma certa quantidade de Roundup e o quarto com ração convencional e sem herbicida na água. Foram avaliadas a mortalidade a longo prazo, o aparecimento e extensão de massas tumorais e as possíveis doenças metabólicas, fisiológicas e anatômicas.
A análise dos resultados evidenciou que os primeiros três grupos registraram taxas de mortalidade muito mais altas, além de danos graves e alterações de funcionalidade de fígado e rins.

Além de diferenças em mortalidade e do fato deste ser o primeiro estudo de duração tão longa, é interessante observar que pela primeira vez foram estudadas as consequências da alimentação com ração tratada com o herbicida, que também pode ser encontrado como resíduo nos alimentos ou nas rações comercializadas. Geralmente, na realidade, são testados os efeitos apenas do princípio ativo presente no herbicida, o que faz uma certa diferença a partir do momento em que a solução inclui diversos coadjuvantes que auxiliam a ação do princípio ativo. No estudo de Séralini, a concentração de Roundup na água ficava abaixo do limite permitido para água potável, e ainda assim foi o suficiente para produzir consequências para a saúde dos animais.

No momento, o trabalho está sendo examinado pela ANSES, a agência francesa de segurança alimentar, e pela EFSA, cujo parecer é esperado para o final do ano. No entanto, diante de estudos deste tipo, é difícil não se questionar por que própria EFSA não realiza este trabalho de análise, deixando o experimento nas mãos das mesmas multinacionais que depois comercializam os produtos, controlando a confiabilidade da documentação apresentada pelas mesmas.

Seria necessário que análises deste tipo fossem feitas com mais frequência e que houvesse uma lei clara de rotulagem dos alimentos, para que não só sejam identificados os alimentos contendo OGMs (como indicados nos Regulamentos 1829 e 1830/2033/CE), mas também os produtos derivados (come carne e queijos) de animais alimentados com rações geneticamente modificadas.

Enfim, como diz Federica Ferrario, responsável pela campanha OGM do Greenpeace: «Os resultados do estudo são muito preocupantes e por isso os examinaremos detalhadamente. Resta dizer que não faz sentido correr riscos inúteis, é preciso aplicar o princípio da precaução e adotar imediatamente uma moratória à importação e ao cultivo de OGMs na Europa».

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