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Para atender às necessidades de pescadores da Reserva do Pirajubaé, Slow Food organiza campanha de arrecadação, compra produtos da agricultura familiar e fortalece dois pontos da cadeia do alimento 

Com restaurantes e mercados fechados, e a consequente diminuição do fluxo de pessoas nas ruas, a dificuldade de agricultores, pescadores e extrativistas em escoar os produtos de seus trabalhos se intensifica dia após dia. Para os pescadores artesanais da Reserva Extrativista do Pirajubaé, primeira reserva extrativista marinha do Brasil, localizada em Florianópolis/SC, não seria diferente. Foi a demanda para atender as necessidades básicas das famílias em situação mais crítica da reserva que levou a Rede Catarina Slow Food a iniciar a campanha de arrecadação. A relação do Slow Food com a comunidade da Resex começou em 2009, quando o berbigão, também conhecido como vôngole, entrou para a Arca do Gosto - mais tarde, em 2017, foi a vez do peixe parati.

Por sua vez, agricultores familiares da rede, bem como de grupos parceiros, também enfrentavam - e ainda enfrentam - barreiras para comercializar seus produtos. Lucimar de Oliveira é agricultora, coletora de pinhão da Fortaleza Slow Food do Pinhão da Serra Catarinense e integrante do movimento desde 2008. No sítio da família, o Recanto do Velho Pai, ela conta que a safra costuma ser bem produtiva, com cerca de 25 variedades de verduras e legumes, mas a atividade se viu prejudicada com a crise dos últimos meses. "Este trabalho do Slow para ajudar a quem precisa nos ajudou. Nós estamos com dificuldade de vender moranga, cebola de cabeça... Já perdi bastante por ter armazenado por tanto tempo. Agora, com este movimento, consegui retorno de um pouco desses produtos, assim como do pinhão." Isso porque o foco da campanha era a arrecadação de verba para a compra de cestas agroecológicas, assim, dois grupos da cadeia poderiam ser beneficiados.

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A pescadora artesanal Maria Aparecida da Luz já mora há 15 anos na costeira do Pirajubaé, comunidade que se mantém resistente em ambiente urbano, e foi uma das beneficiadas pela campanha. Na cesta, o já citado pinhão, a farinha de mandioca da Fortaleza dos Engenhos de Farinha e outros produtos agroecológicos, além de itens de higiene, de limpeza e mais alguns básicos de alimentação, como o café. "No caso do pescador, ele não vai pro mar sem sua garrafa de café, né? São coisas básicas. Ele traz o peixe, come com farinha, faz o pirão", lembra a analista ambiental do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Laci Santin, sobre as tradições culturais dos homens do mar.

"A presença do ICMBio na comunidade é fundamental", faz questão de lembrar Alana Casagrande, bióloga e, há quatro anos, representante do Convívio Slow Food Mata Atlântica no conselho da Resex. "A iniciativa só foi possibilitada pelo trabalho dos agentes do Instituto e dos parceiros do Conselho Deliberativo da Resex, que organizaram a montagem das cestas e o recebimento dos alimentos", complementa.

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Alimentos das cestas agroecológicas. Foto: Gabi Oliveira

As 300 famílias cadastradas na reserva têm na pesca uma tradição cultural, entretanto são aquelas que dependem exclusivamente dessa atividade para sobreviver ou complementar a renda que acabam sendo as mais prejudicadas. Esse é o caso da família da Maria Aparecida, a Cida, uma das 55 famílias para as quais a iniciativa "veio em muito boa hora". E ela completa, "O pescado que a gente não consegue vender, sempre aparece alguém e a gente também ajuda", mostrando assim que a solidariedade não para e pode vir de todos os lados.

 

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