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concursotapioca.jpgA agitação típica do recreio escolar teve um motivo especial para os alunos do CIEP Presidente Agostinho Neto, no bairro Humaitá (RJ), na manhã dessa segunda-feira, dia 1º. Este é o quarto ano consecutivo que é realizado o Concurso de Recheios de Tapioca, uma parceria do convivum Slow Food Rio e o Instituto Maniva.

Sob o comando das chefs Teresa Corção, do restaurante O Navegador, e Margarida Nogueira, líder do convivium  Slow Food no Rio de Janeiro, as crianças puderam mostrar os truques que aprenderam durantes as oficinas deste ano. Olhares ansiosos, aguardando a hora de serem chamados para encarar os jurados e as panelas. A avaliação dos pratos contou com presenças ilustres, como os chefs Claude Troigros e Fréderic De Mayer, além da crítica de gastronomia e jornalista Fernanda Thedim, da Veja Rio. Aliás, o grande desafio era arremessar para o alto a massa da tapioca, na hora do preparo. "É a primeira vez que participo. Fiquei treinando em casa com a frigideira de ovo, para não errar na hora", contou Alexandre Nunes, de 11 anos, visivelmente o mais nervoso e inquieto na cadeira, enquanto aguardava sua vez de mostrar a receita.

Na hora da apresentação, os oito cozinheiros-mirins, vestidos a caráter com o toque de chef na cabeça, provaram que a criatividade das receitas marcou a edição de 2008. E o amor também estava no ar. Kaio César, de apenas 10 anos, provou que comida e amor são dois ingredientes essenciais para o ser humano. Sua criação foi a Tapioca Paixão, com recheio de camarão, queijo tofu, alho, extrato de tomate, coentro e orégano. Só que não foram somente as matérias-primas, selecionadas pelo menino, que chamaram a atenção. O nome da receita foi em homenagem à colega de turma e namorada, por quem o jovem confessou ser a grande fonte de inspiração.

O sucesso do concurso é tanto, que um dos finalistas participou pela segunda vez. Leoni, de 9 anos, foi o autor da Tapioca Light, com molho à base de mel. Morador da Rocinha, o estudante é filho de uma paraibana e provou a importância da alimentação como uma forma de herança cultural. Entre os finalistas, com idades que variavam entre 9 e 11 anos, os meninos marcaram presença, com cinco representantes.

"Este ano muitos alunos aderiram ao concurso. Um terço dos 68 alunos que participou das oficinas se inscreveu no concurso", afirma Margarida. "Além disso, contamos com o apoio da Casa da Palavra, que doou livros para distribuirmos para as crianças", completa a líder do Slow Food no Rio, movimento que prega o prazer de se comer bem, com responsabilidade e de modo consciente.

Antes da competição, através das oficinas que acontecem durante o ano, as chefs ensinam como preparar a goma de tapioca que serve de base na preparação da receita final. Os alunos têm contato com as origens desta iguaria, criada pelos índios brasileiros, que se misturam à própria história do descobrimento do país. É um momento onde as crianças também aprendem sobre a lenda Tupi-guarani e fazem  uma peça de teatro com personagens da época.

Como prêmio, os primeiros três classificados poderão passar um dia conhecendo a rotina da cozinha de um restaurante conceituado. Além disso, o vencedor estará devidamente uniformizado, com os trajes de um verdadeiro chef, doados pela San Chef, empresa que confecciona uniformes para profissionais de gastronomia. Apesar de não contar com apoio para expandir o projeto por escolas que atendem crianças acima de 11 anos, Teresa pretende no próximo ano tornar seu sonho realidade e expandir os ensinamentos para alunos das classes seguintes, em novas escolas. Dessa forma, ela acredita que as oficinas são uma oportunidade das crianças se profissionalizarem.

"Queremos dar continuidade ao aprendizado. Os alunos podem usar o conhecimento para fazer e vender produtos, ajudar os familiares e se capacitar", ressaltou Teresa. Durante o encontro, ela ainda revelou que 2009 será um ano de conquistas para o Instituto Maniva, associação sem fins lucrativos criada pela chef em 2007, que parte do conceito de que comida é memória, identidade e cultura. Entre os frutos colhidos, a parceria com o Senac São Paulo, que irá apoiar as oficinas na capital paulistana, onde se concentra a maior colônia de nordestinos fora da  região.

A escola da Zona Sul carioca foi a primeira a abrir as portas para o Projeto Mandioca, idealizado por Teresa após participar de um festival em Recife, onde o tubérculo era a base de quase todas as receitas. Ao voltar do evento, a chef percebeu a necessidade de se divulgar os benefícios desta raiz tão versátil. Por isso, se juntou ao movimento Slow Food, liderado no Rio de Janeiro por Margarida Nogueira, em 2002, surgindo assim o projeto.

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