Quando Carlo Petrini idealizou o movimento Slow Food, em 1986, as raízes gastronômicas da Itália estavam enfraquecidas, nutrindo-se de combos e enlatados. Como em todo o mundo, os italianos também acabaram rendidos à dominância de uma alimentação industrializada, porque a racionalização do trabalho e o ritmo da globalização em nada combinavam com um ritual de refeição em cinco etapas. Agora, 32 anos depois, num movimento oposto, as cidadelas voltam a exaltar sua produção superlocal, levando a efeito os conceitos de agricultura biológica e desenvolvendo também um turismo de experiência ligado ao produto e o produtor.

Num projeto único de intercâmbio entre comunidades Slow Food no mundo, um grupo do Slow Food Primeira Colônia Italiana, de Garibaldi, percorreu 12 cidades nas regiões do Lazio e Abruzzo, conhecendo pequenas propriedades de convivas associados ao Slow Food Latina, Territori de Cesanese e Viterbo e Tuscia. Em 10 dias, os brasileiros conheceram produções de vinho, olivas, queijos, doces, carne, mel, gelato, cerveja, hortifruti, a água terapêutica de Fiuggi e, claro, restaurantes – a maioria deles com produção orgânica e certificações de origem.

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O roteiro do Intercâmbio Slow Food Brasil Itália passou por 12 cidades nas regiões do Lázio e Abruzzo, com destaque também para a produção orgânica de hortifruti. Na empresa Biolatina, o grupo conheceu a produção de hortaliças orgânicas e biodinâmicas, numa estrutura com impressionantes 25 hectares de estufas em produção e 130 funcionários. Ali, são produzidos de 40 a 50 variedades de hortifruti, com distribuição é de 15% para a Itália e 85% de exportações via rodoviária para 10 países da Europa. A Biolatina existe desde 1985, com produção orgânica a partir do ano seguinte e certificação a partir de 1992, com a promulgação da primeira lei europeia sobre a produção biológica.

Valorização de territórios

A líder do Slow Food Primeira Colônia Italiana, Ivane Fávero, reforça que esse acordo com os convívios de Cesanese e Latina foi construído com uma proposta inovadora, visando trocar experiências e ampliar o aprendizado sobre as práticas de valorização do território e de seus produtores, de suas pessoas e seu ambiente. “Já estamos nos organizando para bem receber, no próximo ano, o grupo italiano que virá conhecer nossa região. E, em 2020, deveremos selecionar novo grupo de associados para visitarem os territórios irmãos italianos. Fundamental que estejam associados e ativos ao nosso convívio. Juntos fazemos mais pelo alimento bom, justo e limpo, por uma sociedade mais justa e feliz!", salienta.

O intercâmbio também foi uma oportunidade ímpar para os brasileiros conhecerem a produção de vinhos e espumantes orgânicos da região do Lázio, já que a Serra Gaúcha é a maior produtora de vinhos e espumantes no Brasil, mas com poucas vinícolas com produção orgânica certificada. O roteiro enológico mostrou que as regiões visitadas são propícias à produção orgânica de vinhos graças à biodiversidade natural, mineralidade do solo, boa insolação, amplitude térmica e umidade do ar. Isso permite a produção de uvas com alta graduação e a valorização das variedades características de cada microrregião.

Essa foi a segunda edição do Intercâmbio Slow Food Brasil Itália. No ano que vem, será a vez dos italianos visitarem o Brasil, também pela segunda vez, e conhecerem projetos e empreendimentos alinhados à filosofia Slow Food.

Confira algumas fotos desse intercâmbio.

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