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Editoras desta coluna: Renata Menasche Fabiana Thomé da Cruz

Vovô frequentemente dizia que a palavra grega para “sonho” continha dentro dela a palavra "arroto". No início, não tomei conhecimento do que havia por trás dela. Anos depois, percebi que ele se referia à comida e às histórias. Ambas requeriam um ritual essencial para se tornarem mais saborosas.

Assim começa o filme O Tempero da Vida (2003), do cineasta turco Tassos Boulmetis. O protagonista, Fanis Iakovidis (Georges Corraface), astrofísico de profissão e gastrônomo de alma, fora iniciado na arte da culinária pelo avô Vassilis (Tassos Bandis), comerciante de especiarias, tão amante do significado das palavras quanto da magia dos temperos. Na intersecção entre astronomia e gastronomia, ensinou que a segunda contém a primeira.

avô na loja

Anouk e Vianne na Chocolateria MayaO filme Chocolate narra a história de Vianne e Anouk, mãe e filha que chegam a uma pequena cidade no interior da França, numa tarde de inverno, levadas pelo vento norte. É Anouk, já adulta, quem conta o que ali se passou, nos dias de sua infância, em fins dos anos 1950. Sua narrativa assume a forma de uma fábula, cujas palavras iniciais - ‘era uma vez’ – anunciam que eventos mágicos e, quem sabe, um final feliz, podem ser esperados.

post ser e viverAntes de tudo, gostaríamos de propor um exercício: respire fundo. Inspire pelo nariz e solte pela boca. Longa e profundamente, por pelo menos três vezes. Uma vez no presente, a leitura (ou seria a refeição?) pode realmente começar. As palavras que se seguem abordam o Sagrado Feminino e sua relação com a alimentação. Os pontos serão discutidos à luz de uma abordagem mais subjetiva, porém de forma alguma menos profunda. É nesse quadro que não serão objetos de reflexão questões que envolvem necessidades físicas e biológicas específicas do corpo da mulher, como nutrientes necessários e alimentos indicados para cada fase do ciclo menstrual.
O Sagrado Feminino, expressão tão antiga e ao mesmo tempo tão nova, pode ser resumido como a sabedoria ancestral dos mistérios do feminino, conhecimentos que todas carregamos em nosso corpo, nas hélices de nosso DNA, e em nossa alma, por trás dos véus do (declinante) patriarcado. Trata-se da conexão dos ritmos femininos com os ritmos da natureza, do ciclo menstrual em ligação com o ciclo lunar, bem como da cura da menstruação e sua relação com a cura da Terra. Logo, a mulher sagrada, cíclica e guiada pela lua, reconhece sua íntima relação com a terra e seu lugar nela.

DSCN6218 2As pequenas hortas do assentamento de reforma agrária 12 de Julho são abarrotas de plantas bem à moda brasileira, carreiras de mandioca e batata-doce que predominam por entre algumas humildes mudas de alface e pés de tomate. São hortas como tantas outras hortas rurais e urbanas espalhadas por nosso país. No entanto, por entre as fileiras destas hortaliças encontramos muitos pés de radite, uma planta também bem conhecida, apesar de não tão habitual em nosso cotidiano alimentar e que chama atenção não por estar presente nestes lugares, mas por predominar em diversidade e em quantidade em praticamente todas as casas deste assentamento. Em outras palavras, é muita radite para pouca mesa.

Pesca do Acari Foto de Fabiana Thomé da CruzNo interior de Prainha, em comunidades ribeirinhas situadas às margens do Rio Amazonas e de seus afluentes, território Baixo Amazonas, muitas famílias produzem piracuí, palavra de origem indígena para referir-se a farinha de peixe.
Produzido a partir de receita e modo de fazer que vem sendo ensinado há séculos, a cultura da desidratação da carne de peixe, que é transformada em farinha (piracuui em nhengatu amazônico), é uma prática dos antepassados indígenas repassada oralmente de geração a geração. O piracuí está associado não apenas à tradição no modo de preparo como também à forma de manejo e relação com os recursos pesqueiros da região, temas que já foram abordados no site Slow Food Brasil em artigos de Neide Rigo e Glenn Makuta.

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