Maio de 2006, um mês similar a outro qualquer, se não fosse o fato de que grandes e inesperados acontecimentos estariam por vir. Em uma noite de uma segunda-feira, como se eu tivesse que decidir qual jantar prepararia, decidi dar uma reviravolta na vida. Poucos meses depois, me encontrava de malas arrumadas e pronto, ou quase, para embarcar em novas experiências. Incerto do que poderia acontecer, a esperança era o único sentimento que aliviava a minha insegurança e me mantinha determinado. Mas o que mais me impressionava era que depois de mais de dez anos de dedicação, entre formação e profissão, a decisão qual havia feito, tinha sido tomada com total naturalidade e consciência. Formei-me em engenharia, cursei marketing e trabalhei para uma grande multinacional das telecomunicações. Grande parte do caminho das realizações materiais havia já sido traçado, mas de alguma forma me encontrava triste e insatisfeito. E certo de que essa historia não era a minha e que minhas possibilidades de fazer o que eu realmente gostava estavam se distanciando, joguei todo o passado pra o alto e deixei o futuro nas mãos do acaso.

Em Outubro eu aterrava em terras desconhecidas: Itália.

Em mente tinha uma vaga idéia do que fazer, mas não exatamente, com uma única exceção de não tornar a errar novamente. Então me restava começar do zero, e partindo dos contextos que sempre me interessaram e me ocasionavam prazer, resolvi ir atrás de assuntos relacionados ao tema alimentação. De certo modo havia total consistência e parecia muito apropriado estando em um país onde a gastronomia se respira no ar.

Desde os tempos no Brasil trouxe comigo um pequeno conhecimento sobre as atividades do Slow Food, resolvi então me afundar em leituras, e com um pouco do italiano aprendido tive possibilidade de conhecer mais a fundo a Associação. Foi quando eu descobri a existência da Universidade de Ciências Gastronômicas. Na primeira oportunidade conseguida, fui até a sede dos cursos de pós-graduação em Colorno, cidade na Província de Parma, conhecer um pouco mais e, no momento em que lá coloquei meus pés, tive a certeza de que era realmente aquilo que tanto me esperava para o futuro. Alguns meses de expectativa e ansiedade, entre abertura do processo de seleção e inicio das aulas, se passaram e aqui estou eu na minha nova empreitada. Em todos esses anos de estudo e atividade profissional não existiu um dia qual tive as sensações, de certeza e alegria, e a satisfação que tenho todos os dias em estar aprendendo e vivendo novas experiências.

Esta coluna pretende trazer ao leitor pedaços do caminho traçado de um futuro gastrônomo degustando novos saberes.


Giancarlo Godano é estudante da Universidade de Ciências Gastronômicas