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Para atender às necessidades de pescadores da Reserva do Pirajubaé, Slow Food organiza campanha de arrecadação, compra produtos da agricultura familiar e fortalece dois pontos da cadeia do alimento 

Com restaurantes e mercados fechados, e a consequente diminuição do fluxo de pessoas nas ruas, a dificuldade de agricultores, pescadores e extrativistas em escoar os produtos de seus trabalhos se intensifica dia após dia. Para os pescadores artesanais da Reserva Extrativista do Pirajubaé, primeira reserva extrativista marinha do Brasil, localizada em Florianópolis/SC, não seria diferente. Foi a demanda para atender as necessidades básicas das famílias em situação mais crítica da reserva que levou a Rede Catarina Slow Food a iniciar a campanha de arrecadação. A relação do Slow Food com a comunidade da Resex começou em 2009, quando o berbigão, também conhecido como vôngole, entrou para a Arca do Gosto - mais tarde, em 2017, foi a vez do peixe parati.

Por sua vez, agricultores familiares da rede, bem como de grupos parceiros, também enfrentavam - e ainda enfrentam - barreiras para comercializar seus produtos. Lucimar de Oliveira é agricultora, coletora de pinhão da Fortaleza Slow Food do Pinhão da Serra Catarinense e integrante do movimento desde 2008. No sítio da família, o Recanto do Velho Pai, ela conta que a safra costuma ser bem produtiva, com cerca de 25 variedades de verduras e legumes, mas a atividade se viu prejudicada com a crise dos últimos meses. "Este trabalho do Slow para ajudar a quem precisa nos ajudou. Nós estamos com dificuldade de vender moranga, cebola de cabeça... Já perdi bastante por ter armazenado por tanto tempo. Agora, com este movimento, consegui retorno de um pouco desses produtos, assim como do pinhão." Isso porque o foco da campanha era a arrecadação de verba para a compra de cestas agroecológicas, assim, dois grupos da cadeia poderiam ser beneficiados.

O 22 de Abril uniu comunidades rurais, indígenas e ativistas urbanos de norte a sul do país nas redes sociais para saudar este tesouro vivo do nosso patrimônio alimentar que é símbolo do combate à fome e  soberania alimentar mundial: a mandioca. 

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           O pertencimento ao movimento mandioqueiro e seus significados muito atuais foram suficientes para iniciar uma bela mobilização nas redes sociais da Rede Slow Food Brasil com o mote da celebração do 22 de Abril. A data reinvindica substituir o colonialista “descobrimento” pelo Dia da Mandioca e de fato redescobrir o Brasil saudando esta raíz brotada ancestralmente em nosso quintal,uma herança milenar do trabalho e genialidade dos povos indígenas.

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O cenário atual do país e mundo, imposto pela pandemia de Covid-19, tem mudado a rotina das pessoas, a dinâmica econômica e gerado preocupação com o abastecimento alimentar. Os distanciamentos, quarentenas e isolamentos sociais, necessários para controlar a contaminação, têm gerado impactos sobre a comercialização de alimentos e, por consequência, na redução das fontes de renda para famílias agricultoras, com a suspensão das feiras locais. 

Outra preocupação é o aumento dos preços dos alimentos nos mercados convencionais, causando ainda mais agravamento da fome, especialmente nas cidades. Dessa maneira, o país volta a colocar o direito humano à alimentação e nutrição adequada em ameaça, depois de, ao longo de 15 anos, retirar 35 milhões de pessoas da situação de extrema pobreza, saindo em 2014 do Mapa Mundial da Fome, de acordo com o relatório O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Como então é possível pensar em saúde numa situação de insegurança alimentar? Essa pergunta remete às histórias de tempos difíceis para populações rurais do semiárido, em períodos de longas estiagens, numa época em que não havia políticas públicas de acesso à água para consumo humano nem para produção de alimentos. 

Doações de alimentos, mapeamento de produtores e feiras orgânicas. Em momentos de crise, a questão é escoar a produção e ajudar quem mais precisa, mas sobretudo conectar pessoas

"Tudo começou ao ver os colegas de um grupo de cozinheiros desesperados não sabendo se iam receber, se iam ficar desempregados", diz o chef de cozinha Adilson Santana, membro do movimento Slow Food na Paraíba. Foi a partir do chamado dos colegas e de agricultores familiares que Adilson levou a demanda à rede, pensando em arrecadar doações para famílias em situação de vulnerabilidade social em João Pessoa. "As pessoas estão sem dinheiro para comprar o básico, que é a alimentação", conta o chef. Alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza e dinheiro estão entre as doações recebidas e, até o fechamento da coluna, mais de 40 cestas básicas - com duração de até duas semanas para quatro pessoas, considerando três refeições diárias - já tinham sido entregues na região metropolitana da cidade. 

O Instagram @slowfoodparahyba é o principal veículo de divulgação da campanha, assim como de feedback para os colaboradores, mostrando a repercussão da ação no território e incentivando para que o número de doações cresça ainda mais. Dentro desse contexto, o papel dos consumidores, comunicadores e outros chefs de cozinha na promoção da iniciativa é fundamental para uma sensibilização mais ampla. "Pessoas 'seguem' pessoas, e isto é o que faz a diferença quando há pedidos de ajuda vinda destes atores. A rede se fortalece justamente neste entrecruzamento de ideias e incentivos compartilhados", fala Santana. A tendência, contudo, é que a demanda por alimentos aumente, sobretudo entre as comunidades mais carentes. "Por isso estamos fechando parcerias com associações da agricultura familiar e empresas de distribuição de alimentos. A fome não espera!", lembra Adilson.

Texto originalmente publicado no site da Articulação Nacional de Agroecologia

Recursos devem ser utilizados por estados, municípios e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para comprar 250 mil toneladas de alimentos da agricultura familiar e alimentar população mais vulnerável, durante a pandemia do coronavírus

Brasília (DF), 08 de abril de 2020

Mais de 300 movimentos e organizações sociais do campo e da cidade apresentaram hoje ao Governo Federal uma proposta para fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), demandando o aporte emergencial de R$ 1 bilhão para esse mecanismo que ganhou relevância na crise do coronavírus. Endereçada aos governos federal, estaduais e municipais, a demanda prevê a mobilização de 150 mil famílias de agricultores, com a aquisição de 250 mil toneladas de alimentos, nos próximos três meses. 

Coordenado pelos ministérios da Agricultura e da Cidadania, o PAA viabiliza a aquisição de alimentos da agricultura familiar para abastecimento de populações em situação de insegurança alimentar, incluindo o atendimento a hospitais, quartéis, escolas, restaurantes populares, asilos e outras entidades da rede socioassistencial.

“Nesse contexto da pandemia, é fundamental e urgente o fortalecimento do PAA, que tem a capacidade dupla de apoiar as atividades produtivas na agricultura familiar, ao mesmo tempo que permite o abastecimento e atendimento de famílias em situação de insegurança alimentar”, diz Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia, que mobilizou, até às 14h de hoje, mais de 300 organizações e movimentos em torno da proposta.

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