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Texto originalmente publicado no site da Articulação Nacional de Agroecologia

Recursos devem ser utilizados por estados, municípios e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para comprar 250 mil toneladas de alimentos da agricultura familiar e alimentar população mais vulnerável, durante a pandemia do coronavírus

Brasília (DF), 08 de abril de 2020

Mais de 300 movimentos e organizações sociais do campo e da cidade apresentaram hoje ao Governo Federal uma proposta para fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), demandando o aporte emergencial de R$ 1 bilhão para esse mecanismo que ganhou relevância na crise do coronavírus. Endereçada aos governos federal, estaduais e municipais, a demanda prevê a mobilização de 150 mil famílias de agricultores, com a aquisição de 250 mil toneladas de alimentos, nos próximos três meses. 

Coordenado pelos ministérios da Agricultura e da Cidadania, o PAA viabiliza a aquisição de alimentos da agricultura familiar para abastecimento de populações em situação de insegurança alimentar, incluindo o atendimento a hospitais, quartéis, escolas, restaurantes populares, asilos e outras entidades da rede socioassistencial.

“Nesse contexto da pandemia, é fundamental e urgente o fortalecimento do PAA, que tem a capacidade dupla de apoiar as atividades produtivas na agricultura familiar, ao mesmo tempo que permite o abastecimento e atendimento de famílias em situação de insegurança alimentar”, diz Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia, que mobilizou, até às 14h de hoje, mais de 300 organizações e movimentos em torno da proposta.

Texto originalmente publicado no site do FBSSAN

Diante da gravidade e urgência que o mundo e o Brasil estão passando, a Comissão Organizadora da Conferência Popular por Direitos, Democracia, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional decidiu pelo adiamento da etapa nacional, que seria realizada entre os dias 4 e 6 de agosto deste ano, em São Luís do Maranhão. Também avaliamos que ainda não há informações suficientes para anunciarmos uma nova data.

O adiamento da etapa nacional não significa a paralisação de nossa mobilização e reflexão, pelo contrário. Mais do que um evento nacional a Conferência Popular é um processo contínuo da sociedade civil organizada, em movimento.

A Pandemia escancara as desigualdades sociais, étnico-raciais e de gênero e as condições precárias de vida a que estão submetidas parcelas imensas da população brasileira. Evidencia a grave crise político-institucional, o desmonte dos sistemas de saúde e proteção social e a paralisação de praticamente todos os programas de segurança alimentar e nutricional (SAN), o que compromete a capacidade e agilidade das respostas emergenciais diante da crise. A ausência de diálogo, que se expressa na extinção e/ou abandono dos conselhos, demonstra a incapacidade de construção de soluções capazes de atender a demanda do povo, dos sujeitos de direito.

Em tempos de avanço do coronavírus, a regra é clara: "fique em casa". Mas como é possível contornar os impactos das mudanças no modelo de abastecimento e consumo, e ainda assim se alimentar bem?

Nas últimas semanas, chefs, cozinheiros, jornalistas, influenciadores, agricultores, organizações da sociedade civil  e formadores de opinião foram ainda mais enfáticos nas mensagens de incentivo ao consumo de alimentos de proveniência local, produções artesanais e que valorizem a agricultura familiar. O avanço da pandemia do coronavírus pelo país e pelo mundo tem levantado uma série de preocupações também no ramo da alimentação, uma vez que a recomendação máxima de ficar em casa afeta diretamente o movimento dos estabelecimentos e, por consequência, a vida de profissionais do setor gastronômico, fornecedores, empresários e chefs de cozinha, assim como de suas famílias. Com restaurantes fechados, além de feiras e eventos cancelados, viu-se propagar como nunca os serviços de delivery, a compra de vouchers e de produtos artesanais e/ou provenientes do campo.

Agricultores familiares, inclusive, começam a sofrer alguns impactos decorrentes do Covid-19. As restrições relacionadas ao trânsito e o fechamento de comércios dificulta o acesso a mudas e a insumos agrícolas, por exemplo, além de impactar no escoamento de produtos agrícolas. Em Pescaria Brava/SC, o agricultor Antonio Augusto conta que a crise também exigiu mudanças na venda direta ao consumidor, como a abrangência do serviço de entrega e alterações no sistema de pagamento de cestas. Já quando o assunto é levar os produtos um pouco mais longe, a união faz a força, e os produtores agora optam por ratear os custos das viagens, a fim de evitar um deslocamento excessivo entre cidades e diminuir os custos com transporte, como conta Antonio, que também é integrante da Associação Slow Food do Brasil e uma das lideranças da Fortaleza Slow Food do Butiá do Litoral  Catarinense.

É nesse mesmo clima de união e solidariedade que entidades governamentais e civis passaram a discutir medidas que possam dar mais respaldo à categoria em momentos como esse. "O que vai na mesa do pessoal somos nós que fazemos, e não temos contado com atitudes que propiciem facilitar a produção, baixando custos e acessando a população que precisa desse alimento local, limpo de agrotóxicos e com preço justo, que é o tripé da economia solidária e do Slow Food."

O fortalecimento do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) pelo Governo Federal, o maior acesso ao crédito para a agricultura familiar e um novo olhar para a produção agroecológica são algumas das principais pautas da categoria. "Eu espero que essa crise consiga fazer as entidades enxergarem a importância de ter um alimento agroecológico, da agricultura urbana e dos povos tradicionais. A agroecologia não é só produzir sem veneno, é se preocupar com o outro, com a saúde de quem está comendo", conclui Antonio.

Por falar em saúde, já que a recomendação é ficar em casa, a valorização do ato de cozinhar bons alimentos para manter a imunidade alta também adentrou o discurso com firmeza, e recorrer à fermentação de alimentos pode ser um modo interessante de evitar o desperdício, além de adicionar nutrientes às preparações, já que os fermentados são muito ricos em probióticos. 

A chef de cozinha e integrante do movimento Slow Food Brasil Lis Cereja lembra que "os fermentados são ótimos para a saúde, além de serem muito versáteis na cozinha, pois ajudam a preservar os alimentos, como em conservas, e também a reaproveitar. Restos de vinho, por exemplo, podem virar vinagre. Tenho amigos que nunca fizeram um pão de fermentação natural e agora descobriram, no isolamento, como é fácil e até rápido."

Para Lis, é papel do chef de cozinha incentivar as boas escolhas alimentares, a compra da agricultura familiar, a opção pelo consumo local, a dedicação à cozinha e à saúde, e a busca de informações sobre ingredientes e tradições alimentares. "É ensinar como fazer, dar o exemplo e ajudarmos uns aos outros. Tudo isso visando uma mudança global de estilo de vida para melhor, para um mundo mais consciente e mais saudável em todos os aspectos", diz a chef da Enoteca Saint VinSaint, que dá várias dicas sobre o tema nas redes sociais.

Tanto para Lis quanto para Antonio, a opinião é unânime: é preciso ficar em casa, mas é fundamental que, unida, a sociedade passe a rever hábitos de consumo e a repensar o atual modelo social e econômico. "Espero que agora as pessoas consigam entender que é preciso mudar. Não temos mais tempo para errar e consertar", diz Antonio. "O momento pede união e ainda mais força de todos aqueles que acreditam que podemos voltar para o mundo, depois do isolamento, melhores do que entramos nele", conclui Lis.

 

Texto originalmente publicado no site do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricioanl (FBSSAN)

Diante do contexto da pandemia global provocada pelo novo Coronavírus (Covid-19), mais de 80 entidades civis de todas as regiões do país publicaram um apelo para que o direito à saúde e à alimentação da população brasileira seja respeitado, protegido e garantido. O documento conjunto apresenta uma série de propostas de combate à fome a serem implementadas, em caráter urgente e emergencial, pelos governos nas esferas federal, estadual e municipal.

Assinadas por fóruns, redes, articulações, movimentos e organizações da sociedade civil, as proposições incluem a revogação imediata da Emenda Constitucional 95 (EC 95), a criação de Comitês de Emergência para o Combate à Fome e medidas que passam pelo fortalecimento da agricultura familiar, pelos caminhos de distribuição de alimentos para as populações mais vulneráveis, por programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e pelo controle dos estoques e dos preços.

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