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O pinhão é a semente da árvore Araucaria angustifolia, espécie nativa da Mata Atlântica conhecida popularmente na região por pinheiro ou araucária.

Se trata de uma semente de cerca de 4 centímetros, de forma alongada e de cor de marfim, envolto em uma casca grossa e colhido em pinhas de grande dimensão, que podem conter de 10 a 120 pinhões.In natura ele possui cor marrom escuro e marrom claro; duro e seco; em cheiro e casca lisa. Cozido sem casca ele possui cor pardo e avermelhado, de consistência tenra e macia e sabor encorpado levemente adocicado com aroma de tubérculo cozido

Inserida no Bioma Mata Atlântica, a Mata de Araucária como é popularmente conhecida, recobre o território da Serra Catarinense, onde está localizada a Fortaleza. A árvore Araucária (Araucaria angustifolia), árvore nativa e símbolo da região meridional do Brasil, sempre esteve na base do sistema alimentar dos habitantes desta área, tanto os humanos como os animais. Se trata de uma árvore secular que pode chegar a 40 metros de altura e vive em média 200 a 300 anos, podendo chegar até os 500 anos de vida.

Pesquisas históricas e achados arqueológicos mostram que os indígenas Kaingang e Xokleng, antigos habitantes desta área, viviam da caça e da coleta do pinhão. O pinhão representou um alimento fundamental, no passar dos séculos, também para outros povos indígenas e para os descendentes de italianos e alemães que colonizaram esta área.

Uma forma tradicional herdada do saber fazer indígena é a sapecada. Os pinhões são dispostos sobre as grimpas secas (folhas do pinheiro) e ateado fogo. A queima é rápida e se escuta os estalos dos pinhões, anunciando que já está pronto. Após o término das labaredas, retiram-se os mesmos que apesar de estar aparentemente queimado por fora (enegrecidos), o interior apresenta um pinhão macio e muito saboroso.

Usualmente, o pinhão é cozido em água para a utilização em inúmeras preparações, ou assado diretamente na chapa do fogão de lenha nas casas dos coletores. As duas receitas mais tradicionais na qual se utiliza o pinhão são: paçoca de pinhão (pinhão cozido e moído, misturado com carne seca em um pilão) e entrevero (um cozido de verduras e carnes acompanhados de pinhão).  O povo indígena consumia o pinhão na sapecada: o pinhão era coberto com as folhas (grimpas) da araucária e se colocava fogo, assando o pinhão que depois era descascado e consumido na floresta. Esta forma de consumo é muito tradicional atualmente dentre os coletores, que consomem o pinhão durante o trabalho.

Apesar da sistemática destruição da Mata de Araucária na região, hoje com a proibição do corte da árvore e com a agregação de valor dos produtos do pinhão, pode-se considerar o importante trabalho de manutenção desse importante ecossistema com o trabalho realizado pelos extrativistas, porém, em termos legais se aponta a necessidade de avanços em relação a regulamentação do manejo desta espécie para que a floresta continue de pé os extrativistas possam continuar tirando dela o seu sustento.

A Fortaleza
Pela sua forma tradicional de coleta e por ser um alimento que está associado a uma Floresta e uma espécie em risco de extinção diversas iniciativas ocorrem para a preservação não somente da paisagem mas dos saberes relacionados ao seu manejo e a cultura agroalimentar mantida pelos extrativistas da região. A Fortaleza do Pinhão da Serra Catarinense foi criada no ano de 2008, a Cooperativa Ecológica Ecoserra presta assessoria na comercialização e produção do pinhão e o Centro Vianei de Educação Popular faz a assessoria na produção, capacitação e agroindustrialização da produção do pinhão.

Área de produção
Lages, Curitibanos, Urubici, São Joaquim, Painel, Bom Retiro, Urupema, Bom Jardim da Serra, Bocaína do Sul e Palmeira.

Agricultores e Produtores
O grupo é composto por 40 pessoas diretamente e indiretamente 243 pessoas, conforme indicação do grupo, reunidos na Associação Renascer, Cooperativa Ecoserra e Centro Vianei.

Responsável pela Fortaleza
Responsável pelo Slow Food
Giselle Miotto
g.miotto@slowfoodbrasil.com

Responsável Fortaleza 
Patrini de Oliveira
patrinioliveira@yahoo.com.br  
(49) 99168 4013

Parceiros técnico
Sindicato dos Trabalhadores Rurais; Unitagri (Cooperativa de Serviços Técnicos Agrícolas); Grupo Coração da Serra; Acolhida na Colônia, Centro Vianei de Educação Popular

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