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Gergelim Kalunga
O gergelim (Sesamum indicum) possui grande heterogeneidade de características morfológicas, podendo ser anual ou perene, com 0,50m a 3,00m de altura, de caule ereto, com ou sem ramificações, com ou sem pelo e com sistema radicular pivotante. As folhas apresentam-se alternadas ou opostas, sendo as da parte inferior da planta adulta mais largas irregularmente dentadas ou lobadas, ao passo que as da parte superior são lanceoladas. As flores são completas e axilares, variando de 1 a 3 por axila foliar. O fruto é uma cápsula alongada pilosa deiscente (que se abre ao atingir a maturação) ou indeiscente, de 2 cm a 8 cm de comprimento, dependendo da variedade. A cor das sementes varia do branco ao preto. As sementes são pequenas; 1.000 sementes pesam de 2g a 4g, dependendo da cultivar e do ambiente.


Frutos e sementes do Gergelim Kalunga. Fotos: Nadiella Monteiro

Território

O quilombo Kalunga, no norte de Goiás, abriga cerca de oito mil pessoas em mais de 20 comunidades e 42 localidades, formando a maior comunidade remanescente de quilombo do Brasil. O Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga possui 272 mil hectares, ocupando parte de três municípios da Chapada dos Veadeiros – GO: Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre. A cultura Kalunga é marcada por uma forte relação com o cultivo de sua terra e com o Cerrado e abarca grande área de Cerrado conservado da microrregião Chapada dos Veadeiros.

As comunidades do quilombo Kalunga foram surgindo em uma terra de difícil acesso, entre serras e vales que circundam o Rio Paraná, local onde dificilmente seus antepassados seriam recapturados.

O quilombo foi formado há mais de 300 anos, mas seus antepassados mantinham distância ao longo dos anos, da sociedade que os rodeia. Entraram em contato com o homem branco há aproximadamente 30 anos e não sabiam que já havia acabado a escravidão no país, desconheciam o dinheiro e faziam escambo.

A divisão das terras era simbólica. Cada um tinha um espaço definido, com liberdade para ir onde quisesse, usar as águas, caçar e pescar, por exemplo. Deste modo, cada núcleo de famílias podia manter sua própria vida, de maneira independente, mas sem perder os laços com os parentes mais distantes. Assim foi criada a organização das comunidades.

Hoje existem mais de 60 comunidades, sendo as seis principais: Contenda, Kalunga, Vão das Almas, Vão do Moleque, Ribeirão dos Bois e Engenho II, subdivididos em quase uma centena de agrupamentos: Contenda, Barra, Riachão, Sucuriú, Curral de Taboca, Saco Grande, Tinguizal, Boa Sorte, Bom Jardim, Areia, etc.

Histórico

O gergelim foi introduzido no Brasil pelos portugueses no século 16. A África é considerada o continente de origem porque ali existe a maioria das espécies silvestres do gênero Sesamum, ao passo que na Ásia encontra-se uma riqueza de formas e variedades das espécies cultivadas.

Desde o início do quilombo os kalungas plantam gergelim junto à roça de mandioca, selecionando ao longo dos anos as variedades que mais se adaptaram à região. O gergelim é plantado principalmente para controle biológico de formigas, sendo jogado em meio à plantação de mandioca e depois de alguns meses vai sendo raleado, ficando apenas alguns pés.

Uso gastronômico

As sementes tem grande uso culinário e é conhecida no mundo todo. É consumida geralmente torrada e na região consomem geralmente a paçoca de gergelim, o tijolo (rapadura com gergelim) e o óleo é usado para cozinhar.

A semente é importante fonte de óleo comestível e largamente usada como tempero. Constitui-se em uma rica fonte de alimentos por apresentar teor de óleo, variando de 46% a 56% de excelente qualidade nutricional, medicinal e cosmética. O óleo é rico em ácidos graxos insaturados, como oleico (47%) e linoleico (41%), e apresentam vários constituintes secundários importantíssimos na definição de sua propriedade química, como o sesamol, a sesamina e a sesamolina. O sesamol com suas propriedades antioxidantes confere ao óleo elevada estabilidade química, evitando a rancificação, sendo o de maior resistência à oxidação entre os demais óleos de origem vegetal.

A Fortaleza

A Fortaleza do Gergelim Kalunga foi criada recentemente através das atividades do projeto Alimentos Bons, Limpos e Justos e teve suas ações iniciadas em maio de 2017 com algumas comunidades kalunga.

Ao longo dos últimos anos vários grãos estão deixando de ser cultivados amplamente na região, tais como arroz e feijão, além do gergelim. Essa diminuição no plantio de grãos na região parece estar ligada ao fato de que, com o advento de estradas que ligam essas comunidades isoladas às cidades mais próximas, junto com o êxodo rural cada vez maior nas comunidades e com a idade avançada dos agricultores que moram atualmente no campo, muitos preferem comprar ao invés de ter toda a mão de obra de plantar, colher e debulhar. No caso do gergelim com criação da Fortaleza, combinada com a seca e a falta de chuvas que está tendo ao longo dos últimos anos, o gergelim é uma das poucas culturas que foi possível plantar no final do ano passado, pois não precisa de adubação nem irrigação. E a criação da Fortaleza incentivou e fez com que mais pessoas voltassem a plantar gergelim para essa safra.

Com o apoio deste projeto, a região pode vir a ser uma das principais produtoras de gergelim orgânico do Brasil. No entanto, para abraçar esse grande potencial produtivo do gergelim kalunga mais apoios externos são necessários para a comercialização do produto final.

Área de produção

As ações da Fortaleza já alcançaram o público das cidades, de comunidades tradicionais, assentamentos entre outros curiosos, principalmente pela participação na Feira Agroecológica e da Sociobiodiversidade realizada a âmbito do Congresso Latino-Americano e Brasileiro de Agroecologia, realizado em setembro de 2017 em Brasília-DF.

As comunidades que mais participaram das atividades realizadas pelo projeto para a criação da Fortaleza estão nos municípios de Cavalcante (Vão de Almas e Vão do Moleque) e Teresina de Goiás (Ema). Mas em Cavalcante (Engenho II) e Monte Alegre (Riachão) ainda houve outras comunidades que participaram de algumas atividades no ano passado.

Agricultores e Produtores
Cerca de 50 agricultores, organizados pela Associação Quilombo Kalunga, sediada em Cavalcante, GO.

Responsável pela Fortaleza
Referente Slow Food
Denise Barbosa Silva (Facilitadora Slow Food - Centro-Oeste)
d.barbosa@slowfoodbrasil.com
+55 61 8178-8663
Mayk Arruda (Facilitadora Slow Food - Centro-Oeste)
m.arruda@slowfoodbrasil.com
+55 81 9750-3345

Referente Fortaleza
Calisto  (Vão de Almas)
+55 62 99639-2372 |
Aparecida (Vão do Moleque)
+55 62 99913-3684

Parceiro técnico

      

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