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Palmito Juçara (Arquivo Slow Food)Sobre o Palmito Juçara

O Brasil possui uma extraordinária diversidade agrícola, gastronômica e cultural. Existem 210 grupos indígenas vivendo no país, que falam 18 idiomas. A Guarani é um dos povos com maior população e seus membros vivem em vários estados brasileiros, entre eles Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

Os Guarani são oriundos do Paraguai (de acordo com a sua tradição, esse país é o centro do mundo), onde o guarani ainda é o segundo idioma falado. A identidade baseia-se em seu idioma, religião e cultura. A palavra e o canto unificam a comunidade e são consideradas manifestações divinas.

A agricultura é baseada no cultivo de batata doce, mandioca, milho e palmito, o miolo do tronco da palmeira. A espécie de palmito mais tradicional e saborosa vem da Juçara (Eutherpes edulis), que cresce naturalmente na área remanescente da mata Atlântica no sul do Brasil. A Juçara também é a espécie que está correndo o maior risco. O palmito é extraído de maneira sustentável com mão-de-obra dos índios Guarani somente em algumas áreas. A maior parte do palmito é removida através de métodos não sustentáveis de extração, executados por palmiteiros que não são indígenas no Litoral Norte, Litoral Sul e Vale do Ribeira, uma das regiões mais pobres do estado de São Paulo.

Nos últimos anos, a aldeia Guarani Ribeirão Silveira, localizada no município de São Sebastião, construiu pequenos viveiros na floresta para ajudar a reviver as populações de palmeiras nativas. Os viveiros são especializados em palmeiras Juçara, mas lá também se cultiva a Jerivá e outras espécies de palmeira. O reflorestamento da Mata Atlântica com estas palmeiras possibilita que os Guarani restaurem lentamente a quantidade de suas palmeiras tradicionais.

A Juçara cresce no coração da mata, requer pouca luz solar e não precisa de fertilizantes ou outros tratamentos. A árvore tem um tronco reto, fino, branco-acinzentado, que pode atingir uma altura de até 15 metros. A árvore deve ter pelo menos oito a dez anos antes do miolo ser removido, cortando-se a parte superior do tronco; a casca é removida com uma faca. Duas vezes por ano as sementes são colhidas, geralmente por crianças, que podem escalar o tronco da palmeira com facilidade. Ao chegar no topo da árvore, elas arrancam os galhos largos de bagas roxas, para expor tronco e remover o miolo.

Tradicionalmente a palmeira Juçara era usada em sua totalidade: as folhas eram usadas para se fazer camas e cadeiras; a madeira, para construir casas, e as bagas para se fazer um suco acidífero. O Palmito Juçara é tradicionalmente comido cru com mel, pois não se usa sal ou açúcar na culinária Guarani. Também pode ser cozido, assado em fogueira ou frito.

O palmito Juçara é cortado e fatiado para a venda e o miolo é vendido fresco na hora ou para um restaurante e pousadas próximos. Este produto precioso e raro só pode ser consumido após oito a dez anos, quando é cortado e vendido pelo equivalente a uns poucos dólares.

 

A Fortaleza

Pássaros e animais silvestres como tucanos e roedores já foram um dia os únicos responsáveis pela disseminação de sementes de palmeiras e o crescimento de novas palmeiras. Faz onze anos que os guarani da Aldeia Ribeirão Silveira decidiram iniciar o plantio sistemático da palmeira Juçara ao entenderem que esta espécie corria o risco de extinção em sua área.

A Fortaleza foi criada em 2004.  Almeja promover o palmito como um produto de alta qualidade, agregando valor ao Palmito Juçara. As primeiras etapas deste projeto foram elaboradas para se identificar maneiras de cultivar e colher as palmeiras e educar as famílias locais, com a esperança de revigorar a Reserva do Rio Silveira.

Antes de comercializar o produto, é necessário estabelecer outros projetos de plantio, como os das reservas de Boa Vista e do Rio Silveira. Aproximadamente 80 produtores desta aldeia  trabalham em 948 hectares de terra, restaurando a população de palmeiras Juçara, com a criação de viveiros na mata. Com o apoio do Instituto Teko Arandu, uma organização guarani, da Associação Guarani Tjeru Mirim B`ae Kuaa`y e de parceiros governamentais e sob a coordenação de Adolfo Timótio Vera Mirim as lideranças da aldeia Ribeirão Silveira Atualmente estão iniciando o inventário de todas as palmeiras juçara existentes na reserva. Este projeto irá resultar na elaboração de um plano de manejo que permitirá a exploração sustentável desta espécie. Pretendem também incrementar o plantio de mudas da palmeira Juçara de forma que a cada palmeira cortada pelo menos duas novas sejam plantadas.

Área de Produção

Sudeste, estado de São Paulo, Reservas Guarani do Silveira (município de São Sebastião) e Boa Vista (município de Ubatuba).


Referentes da Fortaleza

Maurício Fonseca, telefone +55 (11) 3815 3848
mafonn@gmail.com

Adolfo Timótio Vera Mirim, telefone + 55 (11) 9787 2952
cepisp@yahoo.com.br

 

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