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*texto originalmente publicado em MST

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Banquetaço distribuiu mais de mil refeições. Foto: Vanessa Nicolav / Brasil de Fato

Evento contou com Banquetaço e apresentações culturais na Ocupação 9 de julho

A Ocupação 9 de Julho, no centro de São Paulo, recebeu o Festival Comida de Verdade, em defesa da realização da IV Feira Nacional da Reforma Agrária. O evento reuniu artistas, organizações e movimentos populares que lutam pela alimentação saudável.  

À frente da realização do evento estavam a Rede Sustenta, o movimento Banquetaço, o Instituto Chão, a Cozinha 9 de Julho e o Movimento Sem Teto do Centro (MSTC), responsável pela Ocupação 9 de Julho. 

O Festival teve início às 12h, com o Banquetaço que serviu mais de mil refeições com produtos da agricultura familiar. Foram 350 quilos de alimentos orgânicos vindos de assentamentos do MST, do Instituto Chão, do Instituto Feira Livre e da agricultura urbana. Cerca de 50 cozinheiros voluntários trabalharam por três dias para servir quem estava de passagem na Ocupação neste domingo (4) em São Paulo. 

“Essa união de pessoas da cidade, dos movimentos sociais ligados à moradia com pessoas do campo, ligadas ao Movimento Sem Terra foi um marco. O Banquetaço a partir de agora está em um novo estágio”, garantiu Leila D., cozinheira militante do Banquetaço, do Slow Food e da Rede Sustenta. 

O cardápio contou com mais de 20 opções de pratos, entre elas, beterraba marinada, arroz com pancs, “feijãozada” (com vários legumes, coco e pancs), couve refogada, bolinho de arroz com linhaça e cogumelo, abobrinha recheada, risoto de cupim, baião de dois, creme de mandioca, banana assada e vários tipos de salada. 

A Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece desde 2015 no Parque da Água Branca, em São Paulo, reúne produtos de assentamentos, acampamentos e cooperativas do MST de todas as regiões do Brasil. A realização da quarta edição tem enfrentado dificuldades para a liberação do local pela gestão Dória no Governo do estado. 

“Vim para prestigiar o MST e também porque acho um absurdo a gente pagar para comer comida envenenada. Com uma liberação absurda de novos agrotóxicos a cada dia, o trabalho maravilhoso que o MST está fazendo de poder proporcionar para as famílias brasileiras uma comida livre de veneno, é extremamente importante!”, acredita Alessandra da Mata, jornalista, que conheceu o trabalho do movimento a partir das Feiras Nacionais. 

O vereador da cidade de São Paulo, Eduardo Suplicy, também passou pelo Festival e manifestou seu apoio à Feira. “Tão importante que milhares de pessoas vieram aqui solidárias à Ocupação 9 de Julho, aos movimentos de moradia e à realização da IV Feira Nacional da Reforma Agrária, que por três anos consecutivos se realizou com muito sucesso no Parque da Água Branca.”

O Festival se estendeu até às 20h com apresentações culturais. Entre os convidados estavam diversos artistas como João Gordo (com repertório de clássicos do samba), Iara Rennó, Curumin, Toinho Melodia, Maria Beraldo, Gabriela Silveira, Lê Coelho, Samuca e a Selva, Andrea dos Santos, Abacaxepa, Bruna Prado, Malka, Mana (duo formado por Maria Ó e Nathalia Ferro), Paulo Neto e Malú Lomando, que vão se apresentar com a banda base formada por Lê Coelho, Ivan Gomes, Chicão (Rafael Montorfano), entre outros.    

Para Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, o Festival foi simbólico porque representa a importância da luta que o MST faz pela reforma agrária. “É pela preservação do planeta que nós queremos distribuir terras, queremos preservar os lençóis freáticos, a biodiversidade e a saúde do planeta e humana”, afirma. 

A Feira Nacional da Reforma Agrária em sua última edição reuniu mais de 250 mil pessoas, que tiveram acesso ao que é produzido nos assentamentos do Brasil inteiro, além de comidas típicas de todas as regiões, do arroz carreteiro do Rio Grande do Sul ao pato com tucupi, do Pará. 

“É preciso produzir comida de verdade, sem agrotóxico e para isso é fundamental a realização da Feira. Governantes como Dória e Bolsonaro se acham donos do espaço e do próprio Estado, e no nosso modo de ver a população de São Paulo defende a Feira, e é com essas manifestações que vamos criar espaços para a realização dela”, continua Gilmar.


Preta Livre

Outra reivindicação do Festival foi a liberdade imediata de Janice Ferreira da Silva, a Preta Ferreira, que está presa há 30 dias sem ter cometido crime nenhum. Ela foi detida junto de seu irmão, Sidney Ferreira, e mais dois militantes do MSTC. A acusação é de extorsão, por cobrança de uma taxa de moradores em condomínios ocupados do Centro de São Paulo – num processo que desconsidera que essas contribuições são decididas em assembleias de moradores, registradas em cartório e comprovadas por recibos.

“Estou aqui transmitindo todo meu sentimento pela liberação imediata da Preta Ferreira, de seu irmão Sidney, e da Angélica para que logo estejam em liberdade”, coloca Suplicy.

Em nome do MST, Gilmar Mauro também manifestou solidariedade à Preta. “Já passamos por muitas situações de prisões de lideranças do MST e sabemos o que é enfrentar a criminalização que estamos vendo na luta pela terra e moradia no Brasil”, diz.

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Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST. Foto: Brasil de Fato 

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