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O bom senso ditado pela natureza (Artigo de Carlo Petrini)
O bom senso ditado pela natureza (Artigo de Carlo Petrini) |
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São necessários novos paradigmas para tornar menos impactante a nossa
presença na Terra. Hoje, quase todos se deram conta disso, e não é mais
apenas uma exclusividade das "Cassandras" ambientalistas: é uma coisa
transversal às inclinações políticas e às ideologias. E é uma coisa que começa até a se demonstrar vantajosa, já que a frente do interesse econômico - sempre o mais duro a se abater - também está lentamente se deslocando nessa direção. É bom saber que uma parte do mundo científico trabalha para nos recolocar em harmonia com o meio ambiente, estudando soluções de grande empenho, decididamente fora do porte do homem comum. Porém, acredito que é justamente a relação com o homem comum, prescindindo da grandeza e da justeza das invenções, que é o ponto chave. É com o diálogo entre reinos da ciência e dos saberes tradicionais que se levará a cumprimento um projeto tão ambicioso. Graças à união de uma pesquisa de alto perfil com as boas práticas que podemos cotidianamente colocar em ação criaremos os novos paradigmas. Por exemplo, até podem ser estudadas todas as melhores técnicas de descarte de dejetos, mas se cada um de nós não se comprometer a reduzir o volume do que joga no lixo, ou aprender a desperdiçar menos, nunca teremos saída.
Então, se forem inventados algoritmos formidáveis ou se simplesmente
modificarmos nossa própria dieta cotidiana de modo a consumir menos CO2,
será preciso, no entanto, que sejamos conscientes de que sempre haverá
duas coisas às quais não podemos renunciar: o bom senso e o senso de
limite que nos é imposto pela Natureza. Artigo de Carlo Petrini, presidente Slow Food, publicado originalmente no jornal La Repubblica, em 03/06/2010 e traduzido por Moisés Sbardelotto para o IHU On-line .
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