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Slow Food na mídia
Ética e prazer na alimentação
Ética e prazer na alimentação |
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Especial para O POPULAR Sob o mote do alimento "bom, limpo e justo" e a égide da ecogastronomia (veja quadro), agricultores e extrativistas de regiões tão distintas e distantes quanto a localidade de Cabeço, no Rio Grande do Norte, e Palhoça, em Santa Catarina, ofereceram a degustação do mel da abelha nativa Jandaíra, da bijajica (um tipo de cuzcuz) e do licuri (um pequeno coco encontrado na Bahia), durante a Feira da Identidade Alimentar, que fazia parte da programação. Representando Goiás, esteve presente a já famosa castanha de baru, que é uma "fortaleza" da Fundação Slow Food para a Biodiversidade - projeto que auxilia produtores a preservar seu trabalho. O evento foi o primeiro contato de William Rocha, chefe de cozinha da Pousada dos Pireneus, em Pirenópolis, com a rede Terra Madre. "Muitas vezes a gente quer trabalhar com produtos do Cerrado e não tem acesso, não sabe onde comprar", diz. Por isso, conhecer a Central do Cerrado, organização que funciona como ponte entre produtores comunitários e fornecedores que participou do encontro, já lhe valeu a viagem até a capital federal. Planeta Carlo Petrini, jornalista que fundou o Slow Food, há 20 anos, participou do encerramento do Terra Madre, na tarde da segunda-feira. Segundo ele, nos últimos seis anos a rede Terra Madre, atuante em 158 países, se desenvolveu muito. "Lentamente, mas adiante", define. Para o italiano, a produção industrial de alimentos é a maior responsável pela destruição do planeta. "Os carros também são responsáveis, mas o sistema alimentar é mais", afirma. Por isso, Carlo Petrini defende a pequena produção tradicional e diversificada, embora reconheça a dificuldade da proposta. "A força da publicidade é enorme, e as crianças passam horas em frente à TV. Temos um grande trabalho pela frente". Outra ideia cara aos preceitos do Slow Food é o papel desempenhado pelo consumidor. "O consumo é a última parte do processo produtivo", afirma Petrini. Não é uma prática à parte. Afinal, com seu poder de escolha é o consumidor que patrocina este ou aquele tipo de produção. "Àqueles que dizem que o Slow Food é elitista e que os alimentos orgânicos são caros, digam-lhe que, na realidade, o alimento industrial é que é o mais caro", diz. "Ele destrói o solo, consome muito dióxido de carbono no transporte, acaba com o lençol freático e, o mais importante, é danoso à saúde". No encerramento, também participaram o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Sérgio Mamberti; o secretário de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Humberto Oliveira; o representante do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), Willem Bettink; entre outros. Ao final, uma apresentação musical, com o Coral Guarani Tenode Porã (São Paulo) e o grupo de forró da Fortaleza do Umbu (Bahia), fechou o encontro com chave de ouro. Balanço Entre os resultados concretos do 2º Terra Madre, projetos nascidos nos corredores ou dentro da própria programação, e a proposta de criação de uma certificação socioparticipativa, que seria levada adiante pelos próprios produtores. Isso porque as certificadoras cobram caro pelo serviço, muitas vezes impondo regras estranhas à realidade dos agricultores. Também foram organizadas reuniões entre as diferentes categorias de participantes, assim como encontros regionais. "Com esse evento, a gente conseguiu fortalecer muito o movimento e possibilitar o intercâmbio de informações", afirma Lia Poggio, coordenadora do Slow Food para a América Latina. Segundo ela, o apoio do Ministério da Cultura, dado ao Terra Madre pela primeira vez, foi fundamental. "O Slow Food é um movimento gastronômico e político, mas sobretudo cultural". O movimento está presente, hoje, em 192 países. Mais informações: Livro: Slow Food - Princípios da Nova Gastronomia, de Carlo Petrini, editora Senac SP Site do Terra Madre Brasil: www.terramadre.slowfoodbrasil.com Site do Slow Food Brasil: www.slowfoodbrasil.com Blog Nós Consumimos: www.nosconsumimos.wordpress.com Conceitos do Slow Food: Bom: Relacionado ao sabor e ao aroma do alimento, frutos de boas matérias-primas e métodos de produção. Limpo: Com respeito ao meio ambiente, a partir de práticas sustentáveis de produção do alimento. Justo: Diz respeito às condições de trabalho e à remuneração do pequeno produtor. Ecogastronomia: Ética e prazer na alimentação, com respeito ao agricultor tradicional e com o uso sustentável da biodiversidade. Convívio: Grupo local do movimento, que promove encontros para desfrutar e colocar em prática os produtos e as ideias do Slow Food. Texto de Elisa Almeida França para O POPULAR (de Goiânia)
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