Acervo de textos
Coluna - Alimentação e Cultura
Não é só de comer, mas de celebrar
Não é só de comer, mas de celebrar |
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Comida, Mercado Público de Belo Horizonte e rituais alimentares
Lugar de encontro, de expressão de diversidade, do cotidiano, das diferenças, das particularidades; geralmente os Mercados Públicos das médias e grandes cidades são vistos e lembrados como uma porção de espaço significante da cultura local. A variedade de trocas, de consumo e de amplas possibilidades de comercialização são características dos Mercados, assim como a diversidade de frequentadores. De diferentes origens sociais, pessoas circulam, compram, vendem e trabalham em Mercados, configurando um espaço de vivência e de manifestação da materialidade da vida social. Mercados Públicos, de maneira geral, podem ser vistos como locais de resolução de demandas de consumo. Na prática, para além das relações entre a oferta e a procura, o Mercado representa a constituição de um espaço que é também simbólico, gera identidade, por ser lugar de vivência, de compra e venda, mas também de sentimentos e valores. Desde o lazer,
passando pela condição de trabalho, os Mercados são lugares em que se tem
vontade de comer e em que se come. Ali se abastece a casa, amigos se encontram para
conversar e beber. Compra-se temperos e utensílios diversos. É espaço da
descontração e da realização de negócios, de administração da vida diária.
Os alimentos adquiridos nesses Mercados podem bem ser transformados em comidas, pratos, através de receitas, práticas e acréscimo de ingredientes outros, para satisfação de gostos e paladares. Essa transformação pode-se dar dentro da casa, no espaço doméstico. Porém, também nos Mercados Públicos ocorrem essas transformações. Ao lado das bancas de frutas, verduras, temperos, carnes, peixes... há nos Mercados lugares de venda de comida, de alimentos transformados em comida: restaurantes, botecos, lanchonetes, padarias.
Quem compra pedaços da fruta, come ali mesmo, e pode também considerar esse pedaço como amostra, comprando o abacaxi inteiro, levando a fruta para casa. Como dito, algumas bancas são especializadas na comercialização de pedaços de abacaxi, mas todas vendem também as frutas inteiras, à vontade do freguês. A forma de comer é com as mãos, segurando o pedaço do abacaxi com um plástico, servido dentro de um pacote em que escorre o suco que pode sair da fruta e ser também bebido ao final.
Impressiona também no Mercado Público de Belo Horizonte a intensidade das diferenças presentes em um mesmo espaço. No setor de animais vivos, muitas aves e bichos diversos são comercializados, não apenas pássaros, gatos, cachorros, há todo um corredor em que, dentro de grades e gaiolas, estão diferentes animais, que parecem ter os mais variados destinos.
Quando em Belo Horizonte, tive oportunidade de assistir a uma palestra com o pensador e autor Leonardo Boff , então na cidade para o lançamento de um livro. Boff não deixou de dizer que, em sua agenda, estava reservado tempo para, no dia seguinte, ir ao Mercado Público da cidade e comer o prato que não pode faltar em suas estadas pela capital mineira: o fígado frito com cebola e jiló, que ele afirma considerar o prato típico da cultura da capital mineira. Para Boff, o fígado frito acebolado com jiló servido nos bares, restaurantes e botecos do Mercado Público de Belo Horizonte, não é apenas um prato de comer, mas de celebrar.
Referência ABDALA, Mônica Chaves. Receita de Mineiridade: a cozinha e a construção da imagem do mineiro. Uberlândia: EDUFU, 2007. * Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo é geógrafo e historiador. Atualmente é mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PGDR/UFRGS)
1. não é só de comer, mas de celebrar Escrito por
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Em 24-08-2009 11:57 Que lindo deve ser esse mercado. A descrição do autoré um encanto. Parabéns. 2. não é só de comer, mas de celebrar Escrito por
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Em 24-08-2009 13:11 mto bom 3. Excelente! Escrito por Adriana Bunn Em 24-08-2009 14:31 Bah André, vc me fez caminhar pelos corredores do mercado de BH de novo. Foi um dos mais legais que conheci. Mas como vc mesmo diz, há culturas a se "saborear" e manter para que não se percam, e outras que precisamos abolir. Os animais vivos do mercado são a parte deprimente. visivelmente mal tratados. Vamos saborear as comidas, beber as cachaças e que os bichinhos se criem nos terreiros (entendi a abordagem que vc deu a esse comércio, só to aqui "vendendo meu peixinho", heheh). Também sou fã dos teus textos, raparigo! 4. E que celebração! Escrito por
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Em 25-08-2009 09:33 Desde 1970 eu vou à BH visitar a mana e nunca deixo de ir ao Mercado. Ir ao buteco e comer a carninha de porco (além do fígado) com cebola e jiló é realmente uma celebração ao paladar, a simplicidade, a vida!!! 5. não é só de comer, mas de celebrar Escrito por
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Em 26-08-2009 00:14 Brilhante André.Tbém eu revivi o gosot de saborear e passear no MP de BH! Escrever comentário
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