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Slow Food - Textos e Notícias
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O Mãgute Pataxó em vias de extinção?

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por Thiago Mota Cardoso e Lilian Bulbarelli   

colares_de_semente_secando_no_fogao_a_lenha.jpg"Aqui é cozinhado brincadeira, se reuniam os meninos e as meninas, aí faziam aquele cozinhado debaixo do pé de mato, no ar fresco. Reuniam aqueles meninos e meninas e faziam aquelas casinhas de beira de chão de cachandó, uns iam pescar já da para fazer aquele cozinhado no outro dia". (Pataxó Retirinho)

Os Pataxó, povo do tronco linguístico macro-jê, habitante tradicional da zona costeira do extremo sul da Bahia, possuem, apesar da violência histórica que sofreram e da devastação de seu território e de sua cultura, uma diversificada culinária, proveniente de um sistema eco-gastronômico que interliga pessoas, artefatos e a bio e agrobiodiversidade ao saber-fazer alimentar, indo além da materialidade nutricional.

O mãgute, como eles denominam o alimento e toda a dimensão simbólica e cognitiva dos saberes e sabores, representa para os Pataxó - tal como propõem Amon & Menasche (2008) -, uma dimensão comunicativa - e também identitária (Maluf, 2007) -, podendo contar histórias a partir da memória social daquele que narra. As narrativas, sementes e alimentos que circulam, seja no seio do ambiente doméstico ou em espaços comunitários ou inter-comunitários, são apropriados pelos sujeitos, que dão continuidade à produção dos saberes.

Inspirados em uma relação próxima com esta cultura alimentar indígena, após termos degustado o mãgute tradicional Pataxó e motivados pelo artigo Sabores em Risco, de Priscila Santos, publicado neste site do Slow Food Brasil , resolvemos escrever este breve artigo sobre a perspectiva cultural da alimentação, os principais itens alimentares tradicionais e os elementos contemporâneos que atentam contra sua integridade, podendo afetar a segurança alimentar deste povo.

familia_pataxo.jpgEste ensaio se tornou possível por nosso envolvimento num projeto de etnobotânica, mapeamento e zoneamento agroextrativista, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, Fundação Nacional do Índio e institucionalidades Pataxó, sob financiamento da FAO, num contexto de esforços para a sustentabilidade e segurança alimentar das aldeias Pataxó do Monte Pascoal.

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O bom senso ditado pela natureza (Artigo de Carlo Petrini)

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por Carlo Petrini   
São necessários novos paradigmas para tornar menos impactante a nossa presença na Terra. Hoje, quase todos se deram conta disso, e não é mais apenas uma exclusividade das "Cassandras" ambientalistas: é uma coisa transversal às inclinações políticas e às ideologias.

E é uma coisa que começa até a se demonstrar vantajosa, já que a frente do interesse econômico - sempre o mais duro a se abater - também está lentamente se deslocando nessa direção. É bom saber que uma parte do mundo científico trabalha para nos recolocar em harmonia com o meio ambiente, estudando soluções de grande empenho, decididamente fora do porte do homem comum. Porém, acredito que é justamente a relação com o homem comum, prescindindo da grandeza e da justeza das invenções, que é o ponto chave.

É com o diálogo entre reinos da ciência e dos saberes tradicionais que se levará a cumprimento um projeto tão ambicioso. Graças à união de uma pesquisa de alto perfil com as boas práticas que podemos cotidianamente colocar em ação criaremos os novos paradigmas. Por exemplo, até podem ser estudadas todas as melhores técnicas de descarte de dejetos, mas se cada um de nós não se comprometer a reduzir o volume do que joga no lixo, ou aprender a desperdiçar menos, nunca teremos saída.

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Pique-nique na Praça da Liberdade (Belo Horizonte, MG)

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por Convivium Pique-Nique   

Piquenique na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, Brasil

Convivium Slow Food Pique Nique convida todos para nosso segundo piquenique, que acontecerá neste domingo, 27/6, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, MG. Para podermos curtir mais desses dias ensolarados de inverno, desta vez, começaremos mais cedo: será a partir das 10h. Por gentileza, divulgue para outras pessoas que possam se interessar.

Traga sua toalha, comes e bebes e venha tomar seu café da manhã na praça! Use a criatividade e evite levar materiais descartáveis.

Este piquenique será realizado dentro do Festival Andando de Bem com a Vida que é um evento vegetariano. Pedimos a todos que levem alimentos sem carve ou ovos.

Acompanhe o Convivium Slow Food Pique-Nique:

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A Revolução dos Baldinhos

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por Roberta Sa   

Em Florianópolis, um grupo de revolucionários mostra que existem alternativas viáveis, e transformam o lixo em ouro: composto orgânico, educação e cidadania.

Muito se fala sobre o lixo reciclável e seu impacto no meio-ambiente e na economia. Aconteceram campanhas intensas sobre reciclagem, realizadas tanto pelo poder público como pela sociedade civil. Associações de catadores vivem dos recursos provenientes da coleta e venda dos resíduos, e tem arte e artesanatos lindos feito com o material. Agora não é mais tão esquisito recusar a sacolinha plástica no comércio, muita gente separa o lixo, e se não estou enganada o Brasil é campeão em reciclagem. Ainda falta muito para resolver o problema, mas um caminho longo já foi trilhado.

Mas e o lixo orgânico? O que se faz com ele? Qual o seu destino? Nas cidades de modo geral, o lixo orgânico - juntamente com o material reciclável que não foi separado - é (ou deveria ser) recolhido por empresas contratadas pelas prefeituras, precisa ser tratado e devidamente descartado em aterros sanitários.

O descarte inadequado do lixo orgânico tem sérias conseqüências para os seres humanos e para o meio ambiente. O acúmulo do lixo orgânico e sua decomposição causam mau cheiro; proliferação de insetos, bactérias, fungos; aparecimento de ratos e baratas; produção de chorume que por sua vez pode contaminar o solo, a água e os lençóis freáticos.

Além disso, para a implantação de aterros sanitários é preciso utilizar áreas cada vez maiores, usualmente distantes dos centros urbanos. O impacto social, ambiental e econômico do uso desta área é enorme, pois tanto a paisagem quanto o uso da terra são comprometidos.

Em Florianópolis, um grupo de Revolucionários mostra que existem alternativas viáveis, e transformam o lixo em ouro: composto orgânico, educação e cidadania.

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VAPRAQ e a Comunidade do Berbigão

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por Roberta Sa   
O VAPRAQ - Valorização dos Produtos Agroalimentares de Qualidade - é um projeto financiado pelo Ministério Italiano do Trabalho, Saúde e das Políticas Sociais, e está sendo realizado no Brasil sob a coordenação da UNITE (Universidade dos Estudos de Teramo) em colaboração com parceiros italianos (Slow Food Italia ) e brasileiros (UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina; AECIT - Associação de Agricultores Biológicos de Santa Catarina; FEABRA - Federação de Associações de Abruzzeses no Brasil). O curso 1 - Utilização dos Produtos Típicos na Gastronomia de Qualidade, conta com a participação de 07 alunos.

Neste curso, ministrei a parte teórica sobre os conceitos de ecogastronomia e os princípios do Slow Food, e incluí uma visita técnica à comunidade do berbigão. O produto está na Arca do Gosto e a comunidade do alimento faz parte da rede Terra Madre . Os objetivos da visita foram a) conhecer a origem de um alimento tradicional e típico da ilha de Santa Catarina; b) ter contato com os extrativistas (pescadores) e conhecer sua realidade produtiva e social; c) degustar preparações típicas usando este alimento e propor novas formas de utilização e valorização do produto e d) entender o conceito da Arca do Gosto.

O texto abaixo foi redigido pelo grupo de alunos do curso, como parte das atividades de avaliação. As fotos também são dos alunos.

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