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por Manuela Mika Jomori
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Nos últimos tempos, temos observado mudanças que têm exigido de parcelas significativas da população brasileira, especialmente dos grandes centros urbanos, o ajuste de suas práticas alimentares a diferentes injunções: temporais, espaciais e financeiras. Nesse contexto, o indivíduo é confrontado especialmente com a falta de tempo para voltar para casa e realizar sua refeição - que dirá para prepará-la -, optando pela alimentação fora de casa.
Entre 2002 e 2003, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou que, nas grandes metrópoles brasileiras, dos gastos totais com alimentação das famílias, cerca de 25% são destinados à alimentação fora de casa. Já a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) relatou, em 2005, que o crescimento do setor de alimentação fora de casa foi de 225,8% desde 1995.
O setor de alimentação fora de casa apresenta um tipo de restaurante que tem sido muito freqüentado pelos brasileiros nos últimos anos, o restaurante por peso. Trata-se de um modelo self-service (auto-serviço), em que o comensal escolhe o que deseja consumir e paga o valor referente ao peso daquilo que foi colocado em seu prato. Nesse sistema, há uma ampla oferta de opções de alimentos e preparações, dispostos em um bufê, em que o comensal se serve. Na seqüência, ele leva o prato para pesagem, em uma balança que registra o preço por peso da comida, pagando referente ao peso dos alimentos colocados em seu prato. Essa sistemática faz com que o restaurante por peso seja um ambiente interessante para a avaliação das escolhas alimentares dos indivíduos.
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por Thiago das Chagas
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Segunda-feira, dia tradicionalmente morto, parado, onde quase nada acontece, ou melhor, as coisas acontecem, só que bem, bem devagar, certo? Quase.
Pelo menos uma vez ao mês, um grupo que a cada dia agrega novos convivas, resolveu mudar parte deste estereótipo. Agora, eles se reúnem para trocar experiências gastronômicas, compartilhar ideais, jogar conversa fora... só que bem, bem devagar.
Com a licença aos neologismos de Guimarães Rosa, mas a última reunião
"degustativa" do Convivium Slow Food Recife, realizada no dia 12/11, foi algo meio que Macobras (Maravilhosa comilança brasileira). Tendo como temática "cozinha brasileira", o local da reunião não poderia ser tão apropriado, Marim dos Caetés, a nossa velha Olinda.
Cenário maravilhoso, que abriu suas portas para um novo movimento, que busca salvaguardar o que esta cidade tem de mais precioso, as tradições, só que as gastronômicas. Que foram facilmente degustadas e apreciadas por todos.
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por Renata Menasche
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"A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis".
Assim Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) é definida no texto da lei de setembro de 2006, que criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. A lei que instituiu o SISAN afirma, ainda, ter por objetivo assegurar o direito humano à alimentação adequada.
Em novembro de 2007, em seu discurso de posse, o novo presidente do CONSEA, Renato S. Maluf, atualizando os desafios que se apresentam para a construção da Segurança Alimentar e Nutricional no País, enfatiza que esses desafios extrapolam o foco na erradicação da fome. Ao mesmo tempo, Maluf pauta para a agenda de mobilização da sociedade brasileira o debate de "propostas para a promoção de uma alimentação adequada e saudável com valorização das culturas alimentares, para o exercício universal do direito à alimentação e para o enfrentamento dos fatores que comprometem a soberania alimentar do País".
Mas o que significa alimentação adequada? O artigo de Regina Miranda, Alimentação adequada e saudável: uma questão de direito humano, nos leva a conhecer o acúmulo de discussão do Grupo de Trabalho formado pelo CONSEA para tratar do tema.
Ali podemos observar que, a partir da perspectiva da Segurança Alimentar e Nutricional, a alimentação adequada e saudável é percebida não de modo reducionista - que restringiria qualidade a aspectos biológicos (nutricionais e sanitários) -, mas sim a partir de uma visão multidimensional de qualidade do alimento, que contempla, com certeza, equilíbrio nutricional e sanidade, mas que é centralmente destacada como um Direito Humano - e assim, direito universal -, sendo também composta pelo sabor, pelo equilíbrio e preservação ambiental e pelo fortalecimento da diversidade cultural.
Temos aí uma visão de qualidade que, podemos sugerir, apresenta-se como bastante próxima daquela proposta pelo Slow Food, quando anuncia que o alimento de qualidade deve ser bom, limpo e justo.
* Renata Menasche é antropóloga, professora e pesquisadora. Edita a Coluna Alimentação e Cultura do site Slow Food Brasil
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por Regina da Silva Miranda
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Por milhares de anos, comíamos principalmente alimentos frescos. A dieta era diversificada, com adequação aos biomas locais e à sazonalidade. Eram, então, características: a inexistência ou indisponibilidade de sal e açúcar; alto desempenho de atividade física; baixa disponibilidade de alimentos; apropriação gradativa e cumulativa de possibilidades alimentares ambientais locais; produção de alimentos pautada no autoconsumo; busca continuada e desenvolvimento de domínio sobre conhecimentos acerca de formas de obter e preparar alimentos; emprego de condimentos naturais como saborificadores, conservantes e curadores. Assim conformou-se o corpo deste que hoje denominamos ser humano, com reflexos no desenvolvimento de sua inteligência e matriz metabólica, inclusive.
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por Renata Menasche
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De um tempo em que não haviam rotas para recolhimento de leite a ser comercializado distante do local de produção ou refrigeradores para conservá-lo (e, claro, em que tampouco se adicionavam produtos químicos para obter um maior tempo de vida útil do produto), herdamos os queijos e doces de leite.
No artigo Os doces de leite na América Latina, Esther Katz oferece um quadro que, ao mesmo tempo em que oportuniza perceber que podemos encontrar por todo o continente o doce produzido a base de leite e açúcar, evidencia que, em cada canto desta nossa América, temos diferentes doces de leite, numa diversidade que corresponde à multiplicidade de saberes dos povos, que cultivam a terra, criam seus rebanhos, ordenham seus animais e transformam o leite em comida em forma de doce. Que delícia!
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