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Uma volta às origens na cozinha

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por Andrea Vialli   

Movimento slow food mostra que comida pode ser saborosa e sustentável
(publicado no caderno de Sustentabilidade do Estadão de 16 de abril de 2009)

SÃO PAULO - A tendência do slow food na gastronomia aos poucos começa a ficar conhecida no Brasil. O movimento, que surgiu na Itália ainda na década de 1980 com o objetivo de fazer oposição ao fast food e à comida industrializada, além de resgatar o prazer de comer bem e sem pressa, também começa a seduzir por seu apelo sustentável.Entre os preceitos do movimento, hoje já presente em 150 países, estão o resgate dos alimentos frescos, de preferência orgânicos, livres de pesticidas e hormônios. Ele preconiza também o respeito à sazonalidade do alimento: consumir morango em época de morango, por exemplo. E a valorização da culinária e dos ingredientes regionais. Na prática, cozinhar com o que se tem localmente, não apenas com ingredientes que viajam quilômetros para chegar à mesa e assim geram emissões de CO2 na atmosfera. Uma espécie de "desglobalização" da gastronomia.

 

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Nem sempre visível, mas sempre presente: o arroz na culinária brasileira (Parte 2)

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por Ellen Woortmann   

[Leia a primeira parte deste artigo aqui]

arroz_black.jpgA comida em geral, assim como o arroz, é simbolicamente parte de um código que organiza a alimentação bem como as relações étnicas, de gênero, de trabalho e as interdições e indicações alimentares no tempo e espaço. Ao mesmo tempo em que possui um valor nutricional, a comida tem também um valor cultural.

É o que Schoepf (1979, p.4) observa, no contexto do comer indígena: "a mesa é o lugar de um saber pertinente que conjuga cozinha e sociedade", enfatizando que entre os Wayaná o "saber comer" define o código social do grupo (Schoepf, 1979, p.11).

Tal como entre os Wayaná, a comida dos Marubo (Montagner e Melatti, 1987) aponta para etno-classificações. Para esse grupo indígena, ela é dividida em ingredientes "pesados" - aqueles que são caçados ou coletados na mata - e os "leves" - aqueles que são por eles cultivados nas roças ou criados na aldeia. É interessante que no médio Rio Negro (Amazonas), no cotidiano das aldeias, os vários grupos indígenas consomem suas comidas tradicionais, carnes de caça ou peixe cozidas ou moqueadas acompanhadas por beiju, produzido de farinha de mandioca e pimentas. No entanto, quando realizam suas grandes reuniões de lideranças políticas, eles consomem "comida de branco", composta de feijão com arroz, carne de boi e macarrão.

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Nem sempre visível, mas sempre presente: o arroz na culinária brasileira (Parte 1)

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por Ellen Woortmann   

carta-caminha.jpg

Parte 1: um pouco de história 

A presença do arroz no Brasil remonta ao período do descobrimento, tendo sido pela primeira vez mencionado na famosa Carta do Achamento do Brasil, escrita por Pero Vaz de Caminha, que afirma que os indígenas "de tudo o que lhes deram comeram mui bem, especialmente ladão cozido, frio e arroz". Em sua forma silvestre, o arroz vermelho ou da terra é encontrado ainda hoje no Pantanal Matogrossense e na Amazônia, recebendo, entre os grupos tupi, denominações que destacam suas similitudes com o milho. No livro Tratado da Terra do Brasil, escrito por Gandavo (em 1568), consta que "há nesta terra muita copia de leite de vacas, muito arroz, favas, feijões, muitos inhames e batatas, e outros legumes que fartam muito a terra".

Há uma série de controvérsias quanto à introdução do arroz europeu no Brasil. Segundo Almeida Pereira (2002), a Oryza sativa foi provavelmente trazida de Cabo Verde, ainda na segunda metade do século XVI, juntamente com a cana-de-açúcar, o coco, o inhame e alguns animais, produtos importantes para a Capitania da Bahia, que então se configurava. No século XVII, açorianos introduziram o arroz no Maranhão e Grão-Pará. Produzido para subsistência, o arroz era cultivado e pilado pelas mulheres, prática que se mantém até hoje em regiões ribeirinhas e em seringais da Amazônia. No Nordeste, no vale do rio Piancó, encontra-se o chamado arroz vermelho cultivado ou "da terra", produzido em pequenas áreas de terra firme, em solos de alta fertilidade e capacidade de retenção de água (Almeida Pereira, 2004).

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Ao Sul de Sergipe, a Fortaleza do Aratu

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por Roberta Sa   

Ao sul do Estado de Sergipe, a cerca de 80 km de Aracaju, entre a maré (ou mangue) e o que restou da Mata Atlântica, está a Fortaleza do Aratu. Trata-se de uma comunidade quilombola, espalhada em 05 povoados no município de Santa Luzia do Itanhi: Rua da Palha, Pedra Furada, Cajazeiras, Bode e Crasto. O município, com todos os povoados, faz parte de um Território da Cidadania, o Território Rural Sul Sergipano.

Meu primeiro contato com a comunidade do aratu foi em 2005, durante a Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, em Brasília. Na ocasião, Daniel do Amor, o atual Secretário da Aqüicultura e Pesca de Santa Luzia, estava apresentando a moqueca de aratu na palha e falando, para quem quisesse ouvir, das condições precárias e da falta de apoio em que viviam os pescadores artesanais e marisqueiras do território. Falou também do aratu e de como a recente mortandade dos caranguejos estava ameaçando os estoques deste pequeno crustáceo.

De lá para cá foram mais de 06 visitas e a participação de representantes da comunidade em eventos nacionais e internacionais do Slow Food (Slow Fish 2007, Terra Madre 2006 e 2008 e Terra Madre Brasil). Durante o Slow Fish 2007 foi realizada uma campanha de apoio para a comunidade do aratu, e o lucro de todo cafezinho vendido foi revertido para a criação da Fortaleza.

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Teresa Corção e Margarida Nogueira participam de eventos nos EUA

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por Malagueta   

As chefs Teresa Corção, do restaurante O Navegador (RJ), e Margarida Nogueira, líder do convivium Slow Food Rio, estiveram presentes em um dos eventos mais importantes da gastronomia norte-americana: o 31st Annual Conference of the International Association of CulinaryProfessionals (IACP ), em Denver (EUA). A dupla foi convidada para participar do painel International Models for children´s healthyfutures. O evento aconteceu entre os dias 31 de marçoe 04 de abril, em Denver, no Colorado.

 

O objetivo do debate foi abordar a importância da educação alimentar para crianças e jovens, a fim de evitar problemas futuros à saúde. Os organizadores selecionaram três modelos: um da Noruega, um da Inglaterra e um do Brasil, que é o Instituto Maniva.

 

No último dia 4, as chefs embarcaram para a cidade de São Francisco, na Califórnia. O convivium Slow Food   do estado promoveu uma sessão exclusiva do  documentário “Seu Bené vai para a Itália”, no Delancey Street Theater. O filme, que participou do Festival Internacional de Cinema de Berlim, conta a história de Benedito Batista da Silva, de 60 anos, um pequeno produtor de farinha d´água em Bragança, no Pará.

 

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