O
Slow Food foi fundado em 1989 para promover o prazer da alimentação e as
culturas gastronômicas regionais e para protegê-las da padronização causada
pela produção alimentar industrial. Visto que a gastronomia está intimamente
ligada à agricultura, ao ambiente e à saúde das comunidades, o passo seguinte
natural para o Slow Food foi o de incluir nos seus objetivos o apoio aos pequenos
produtores, segundo um modelo sustentável e de produção local. Em 1999 - para
pôr em prática este objetivo - nasceu o projeto das Fortalezas, que envolveu milhares
de pequenos produtores em todo o mundo, reforçando economias locais e salvando
da extinção diversos alimentos, como pães, queijos etc.
Tem que ter canela e noz-moscada, senão não é cuca!
A caloria pro pão puro de milho é como a da rosca de polvilho, tem que ser bem alta. Agora, pra cuca tem que cuidar: coloca uma palha de milho, se queimar ta muito quente... passa folha de bananeira ou uma vassoura molhada pra tirar caloria, senão vai queimar as cucas!
Eram três doceiras me relatando as receitas de cuca, pão de milho, rosquete e rosca de polvilho. Se as outras que eu havia convidado também tivessem vindo, não sei dizer qual seria o resultado de nossa reunião. Discutir receitas entre agricultoras exige muita atenção! Principalmente de quem não é tão familiarizado com esse cotidiano de roça, cozinha e forno.
"Duas pra cinco", "tira quatro" - a discussão das receitas seguia, agora tratando da quantidade de claras e gemas nas preparações, que, segundo elas, é muito diferente caso usem ovos de casa ou não. Cada doceira demonstrava seu próprio jeito! Talvez por isso pareciam tão cuidadosas com a forma como discutiam suas receitas (sabe como é...). Melhor para mim, que intermediava a reunião e tomava notas, para preencher o formulário que poderia proporcionar que participassem do Terra Madre Brasil - Encontro Nacional de Comunidades do Alimento, que aconteceria em Brasília, dentro de alguns meses.
Numa atividade montada para conscientizar a população paulistana sobre a alimentação saudável, a "Segunda sem carne" promoveu nos dias 3 e 4/10, oficinas, mostras, demonstrações culinárias e movimentou o Parque do Ibirapuera. O Slow Food levou para o evento os produtos das Fortalezas brasileiras e realizou quatro Oficinas do Gosto.
Chegamos ao mês de julho e as crianças continuam cada vez mais apaixonadas pela horta!
As dez escolinhas, uma de cada vez, visitaram a unidade agrícola da APAE onde a meninada animadíssima e “terrível” (no sentido bom do termo!) pôde controlar o crescimento das mudinhas de alface plantadas por elas.
A biodiversidade é, comumente,
associada a animais e plantas silvestres. Na sociedade em geral, assim como
entre os ambientalistas, há menos consciência e militância em favor da
diversidade biológica na agricultura - a agrobiodiversidade - do que da
biodiversidade silvestre. Pode-se afirmar que, historicamente, o componente
cultivado da biodiversidade tem sido negligenciado pelos ambientalistas e pelas
políticas e órgãos públicos. Também os juristas têm se ocupado muito pouco do
tratamento jurídico da biodiversidade agrícola, mesmo aqueles que se dedicam ao
direito ambiental ou socioambiental.
Proteger variedades de
mandioca, milho, arroz, feijão, preservar nossos ecossistemas agrícolas, é tão
importante quanto as iniciativas nesse sentido voltadas à floresta amazônica ou
à mata atlântica, ao mico-leão-dourado e ao lobo-guará, entre outros. Muitas
variedades e espécies agrícolas já se extinguiram e outras correm risco de
extinção. Isso em um contexto em que nossa alimentação baseia-se em um número
cada vez mais reduzido de espécies, o que resulta em consequências negativas para
o meio ambiente e para nossa saúde, diretamente associada à qualidade dos
alimentos que comemos.