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Slow Food na mídia

Carlo Petrini defende novo humanismo

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por Eduardo Tristão Girão - EM Cultura   
O movimento Slow Food nasceu na década de 1980, na Itália, mas só de poucos anos para cá se tornou conhecido no Brasil. O marco que simboliza seu surgimento foi um protesto realizado na capital do país, Roma, contra a instalação de um McDonald's em plena Piazza di Spagna, no centro histórico da cidade. O engajamento de parte da população nessa causa não foi suficiente para impedir a abertura da loja, mas deflagrou a mobilização de um número crescente de pessoas não apenas descontentes com tudo o que o fast food representa, mas preocupadas em valorizar tradições culinárias regionais e em saber como as escolhas alimentares podem ajudar a melhorar o mundo. Hoje, são cerca de 100 mil pessoas envolvidas nessa causa no mundo todo, inclusive no Brasil. O fundador desse movimento, o italiano Carlo Petrini, esteve no país para participar do Terra Madre, encontro que reuniu em Brasília pequenos produtores, artesãos, consumidores e chefs de todas as regiões do país; o debate Entre estantes & panelas, em São Paulo; e palestra no Centro Universitário Senac, também na capital paulista.


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Semear utopia e colher realidade

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por Jornal O Estado de S.Paulo   

Caderno Paladar / Estadão

Índios defendendo o juçara, análise sensorial, cordel do licuri, degustação de cambuci, dignidade rural. Paneiro feito com talo de arumã utilizado para guardar farinha. No cadinho gastronômico-antropofágico Terra Madre Brasil, Macunaíma estaria em casa

Quem foi a Turim participar do Terra Madre diz que o encontro internacional é uma verdadeira babel. Faz sentido, já que ali impera a diferença de culturas (cada um com sua língua, vestimentas e comidas) e de classes - produtores, chefs e acadêmicos.

Mas, guardadas as proporções, o que se viu em Brasília no fim de semana de 20 e 21 de março de 2010 não foi tão diferente disso. O Terra Madre Brasil foi o lugar do encontro e do convívio. Quando você está na confortável zona da língua portuguesa, ainda que cantada nos mais variados sotaques, três índios entram no elevador do hotel para lembrá-lo da diversidade. Eram jovens das reservas de Guarani Silveira e Boa Vista conversando em guarani. Estavam ali para defender o ameaçado palmito-juçara.

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Ética e prazer na alimentação

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por Elisa Almeida França   

Especial para O POPULAR

Brasília - Em uma segunda edição mais madura e produtiva que a primeira, o Terra Madre Brasil reuniu mais de 500 pessoas no último fim de semana, em Brasília. O objetivo foi promover a articulação entre os membros da rede de mesmo nome, formada por pequenos produtores agrícolas, chefes de cozinha e acadêmicos, além de associados ao movimento Slow Food, que promoveu o evento. Os temas discutidos iam desde a educação alimentar, passando pelo consumo consciente e o estabelecimento de formas de comercialização de alimentos.

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Fundador do movimento slow food se encanta com a variedade de alimentos encontrados no país

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por Liana Sabo   
O Brasil, um dos países mais ricos do mundo em biodiversidade, está apenas na metade da descoberta de seu potencial gastronômico e patrimônio alimentar. A afirmação foi feita pelo jornalista italiano Carlo Petrini, presidente do slow food, que realizou sua primeira visita a Brasília para participar de atividades ligadas ao movimento que ele fundou 20 anos atrás. A reunião, que contou com 600 participantes, foi a segunda no Brasil do Terra Madre, o braço mais expressivo do slow food. A primeira edição do Terra Madre Brasil, aconteceu em 2007 também em Brasília. 

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Alimentos bons, limpos e justos. Entrevista com Carlo Petrini

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por Editor   

Na opinião de Carlo Petrini vivemos um momento de crise econômica, energética e agrícola e o futuro da alimentação exige mudanças nos hábitos de consumo pois a maior parte dos danos que a nossa terra sofreu até agora se deve à produção de alimentos

O poder que o consumidor possui simplesmente pelo fato de escolher diariamente o próprio alimento é inacreditável: exercitá-lo com consciência e responsabilidade e um dever, um ato de civilidade, em relação a si próprios, às próprias famílias, às próprias comunidades e aos próprios povos"; afirma Carlo Petrini, presidente do movimento Slow Food.

Na entrevista abaixo, ele considera que "estamos vivendo tempos muito difíceis" e que "é necessário redefinir todo o sistema atual, baseado no consumo": Afirma ainda que "o bom, o limpo e o justo são os três adjetivos que definem em modo elementar as características que deve ter um alimento para responder a exigências de nós, ecogastrônomos" e que a principal via pela qual realiza "um percurso em relação ao bom, Iimpo e justo é aquela da economia para o re-posicionamento dos consumos e das produções agrícolas".

Carlo Petrini é italiano, estudou sociologia na Universidade de Trento e logo se envolveu com a política local e com o trabalho associativo. Entre suas muitas criações está a Universidade de Ciências Gastronômicas, em Pollenzo e Colorno, a primeira instituição acadêmica a oferecer um acesso multidisciplinar nos estudos da alimentação; e ele também que está por trás do Terra Madre, fabuloso encontro de 5.000 produtores de todo o mundo, ocorrido em Turim, para discutir problemas comuns e suas possíveis soluções.

O seu último trabalho Buono, Pulito e Giusto. Principi di uma Nuova Gastronomia (Bom, Limpo e Justo. Princípio de uma Nova Gastronomia) foi publicado em 2005 pela editora Einaudi e em 2009 foi traduzido para o português pela Editora SENAC de São Paulo (Brasil) com o título "Slow Food, princípios da nova gastronomia". No livro, Petrini descreve o desenvolvimento da teoria da "ecogastronomia". O livro também foi traduzido para o inglês, francês, espanhol, alemão e polonês. Em 2001, seu Iivro Le ragioni del gusto (As razões do gosto) foi publicado pela Laterza e em 2003 foi traduzido para o inglês como The Case for Taste pela Columbia University Press. Em janeiro de 2008 foi o único italiano a aparecer na Iista das ‘50 People Who Could Save the World' (50 pessoas que poderiam salvar a mundo) realizada pelo prestigiado jornal Inglês The Guardian.

A entrevista é da revista Camponesa. Revista da Associação de Apoio às Comunidades do Campo do Rio Grande do Norte - AACC/RN, ano 1, no. 1, novembro de 2009.

Eis a entrevista:

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