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por Elisa Corrêa
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Pode
ser que se perceba ao dobrar a esquina e avistar ao longe uma cortina escapando
da janela, ou então ao ouvir o tocar de um sino que preenche a rua vazia. Pode
ser que se perceba ao caminhar por uma calçada estreita feita de pedras
irregulares, ao escutar a mistura de conversas entre as barracas de uma feira,
ao ser hipnotizado pelos perfumes que saem da porta entreaberta de uma cozinha
alheia.
Momentos
em que se reconhece a presença forte da memória coletiva, a soma dos anos que
passaram e das histórias que ficaram, o acúmulo de saberes e experiências. Algo
que não tem forma nem pode ser capturado por uma fotografia: a alma, o talento,
a vocação de cada território. O genius
loci, essa expressão latina que quer dizer "o espírito do lugar".
O
conceito de território está na base da filosofia do Slow Food: a valorização
das culturas locais é uma resposta à homologação causada pelo "modelo fast food". E se os alimentos são
vistos como um produto do território, como o resultado da tradição, da cultura
e da identidade local, está na hora de prestar mais atenção no genius loci. Não só no espírito do lugar
onde moramos ou visitamos, mas também no "espírito" daquilo que
comemos.
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