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por Maria Lucia Barreto Sá e Maria de Fátima Farias de Lima
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Este artigo,
escrito em duas mãos, traz consigo uma abordagem saudosista de vínculo afetivo
que mostra nosso pertencimento. As mãos que o construíram pertencem a uma
nutricionista e a uma socióloga, ambas completamente interessadas em comida e cada
uma a seu jeito faz e escreve além dos registros sensoriais, memórias, emoção e
reflexão.
Tapiocas
gostosas, quentinhas, com café! Hummm! "É bom demais!" É assim que o cearense
da capital ou do sertão expressa o seu gosto.
O que é tapioca,
de onde vem, como é que faz e como se come? Essas são algumas perguntas que
serão aqui respondidas em "fogo lento".
Ano de 2012, século XXI, em alguma rua de Fortaleza
ouve-se o refrão: Alô dona de casa! Vai passando na sua rua a bicicleta
da tapioca. Tapioca saborosa! Só trinta e cinco centavos por cada uma.
Esse é o refrão comercial que
inicia por volta das 6h30min da manhã, horário do café da manhã, e retoma às 15
horas, horário da merenda em um bairro de classe média em Fortaleza.
Uma bicicleta, um homem, uma radiadora.
Na frente um depósito com as deliciosas tapiocas e, atrás, uma garrafa
de leite de coco para os que preferem a tapioca quente e molhada numa combinação
entre produtos da praia e sertão.
A tapioca, antes feita pelas manhãs,
nas cozinhas, está "ganhando o mundo". Feita
da goma, amido da mandioca, o trigo sertanejo, é opção que substitui o pão.
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por Joel Henrique Cardoso
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A sociobiodiversidade engloba
produtos, saberes, hábitos e tradições próprias de um determinado lugar ou
território. Trata-se de um conceito relativamente novo, centrado na ideia de visibilidade
identitária e valorização das especificidades e diferenças que foram se
conformando nos processos históricos de coevolução socioambiental. Este novo
conceito foi apregoado pela Convenção Internacional de Biodiversidade e tenta
agrupar aspectos que historicamente foram vistos como separados, mas que
integram um mesmo sistema, que pode ser destrinchado em cultura, valores e
significados, paisagem, recursos, produtos e impactos deste mesmo sistema.
Os sistemas agroflorestais (SAFs) consistem
em estratégias de manejo do solo que consorciam, simultânea ou sequencialmente,
árvores com cultivos e/ou criações de maneira intencional, visando cumprir
funções desejadas por quem maneja o sistema. Entre as muitas formas que estes
arranjos de cultivo podem ser pensados, os sistemas agroflorestais biodiversos
e complexos ressurgem para as sociedades modernas como uma oportunidade de
reaprender a conviver com a natureza, uma vez que esta forma de cultivo da
terra procura imitar os processos sucessionais que ocorrem em ecossistemas
ditos naturais, que se formam sem a intervenção humana premeditada, o que
contrasta com a estratégia moderna de cultivar, que desconsidera a sucessão
natural, a biodiversidade adaptada ao local e os saberes e práticas que as
populações tradicionais desenvolviam para produzir seus alimentos.
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por Marina Vianna Ferreira
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Todo cozinheiro já passou pela
situação de se deparar com a falta de um ingrediente bem na hora de preparar um
prato para os convidados. Quem nunca trocou manteiga por óleo (ou vice-versa)
no preparo de um bolo? Ou substituiu creme de leite por um leite engrossado? Atire
a primeira pedra quem jamais teve que dar um jeitinho de última hora para
manter as características essenciais do prato a ser apresentado.
Eu mesma aprendi a fazer quiches
quando era pequena. É provável que eu tenha seguido alguma receita nas
primeiras vezes que preparei. Desde então, é muito frequente um amigo ou
familiar me pedir um quiche, ou a receita dele. Muitas vezes, ao longo desses
anos, abri a dispensa e notei a falta de algum ingrediente... o que logo deixou
de ser problema. Percebi que quando falta sal, posso acrescentar um pouco
mais de queijo ralado. Notei que quando o recheio é de vegetais que soltam
muito líquido, melhor usar um ovo a mais. E se não dá pra fazer com creme de
leite, posso engrossar um pouco de leite com farinha de trigo. Acho que hoje eu
nem lembraria a receita original. E nem
por isso meus quiches deixaram de ser quiches. Hoje entendo que quando se
pergunta a receita a um cozinheiro e ele diz que não sabe, é porque ele muito
possivelmente não saiba e não por que não queira revelar a receita.
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por Renata Menasche
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Há
alguns meses, organizadores do I Simpósio de Queijos
Artesanais do Brasil, que acontecerá na próxima semana (de 23 a 25 de novembro de 2011), em Fortaleza,
Ceará, convidaram o Movimento Slow Food para aproximar-se das discussões que
então eram planejadas, referentes à produção de queijos artesanais no
Brasil.
Foi nesse processo que alguns integrantes do Movimento Slow Food constituíram
o Grupo de Trabalho sobre Queijos
Artesanais, com a preocupação central de fortalecer e divulgar, em nosso
país, a luta em defesa dos produtos tradicionais e artesanais. Em decorrência
das discussões do Grupo, foi organizado o I Encontro Nacional do Grupo de
Trabalho sobre Queijos Artesanais do Slow Food Brasil (saiba mais e confira aqui a programação), que acontecerá no dia 22 de novembro, antecedendo o Simpósio.
Os
queijos artesanais que, em sua maioria, são elaborados a partir de leite cru,
estarão no centro dos debates da próxima semana. Por isso, aproveitando a
pertinência do momento, divulgamos artigo elaborado pelas editoras desta Coluna
e recentemente apresentado no III Colóquio Agricultura Familiar e
Desenvolvimento Rural, em Porto Alegre. Neste
artigo ("Se o leite é cozido, o queijo não é Serrano" - disponível aqui),
discutimos a legitimidade do critério que define o tempo mínimo de maturação para queijos
feitos de leite cru e argumentamos pela necessidade de valorização e
legitimação da produção tradicional de queijos.
Se você
considera esta discussão importante, leia mais a respeito e veja aqui
como colaborar com a campanha Em defesa dos queijos artesanais de leite cru.
Leia também:
* O “saber–fazer apurado” do Requeijão do Sertão: a tradição e a cultura definham-se em Sergipe
* Queijo Artesanal Serrano: história e tradição nos campos de altitude do Sul do Brasil
* Patrimônio: é de comer? Reconhecimento da tradição leva ao registro do Queijo Artesanal de Minas
* Manifesto em Defesa dos Queijos de Leite Cru
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por André Souza Martinello
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Se, por inescrutável planejamento divino, Cristo tivesse
encarnado no Japão, teria consagrado o arroz e o saquê, e o mistério da
Eucaristia continuaria a ser o que é. (ECO, 2009, p.49)
Na Colônia Ramos, localizada no meio-oeste catarinense, no
pequenino município de Frei Rogério, em que se realizam diversas produções agrícolas, celebra-se o
florescer de cerejeiras, o Sakura
Matsuri. O festejo e ritual de admiração dessa
árvore e da sua flor estão marcados, no calendário do Japão, no mês de abril.
Do final do inverno e início da primavera, de lá do País do sol nascente, alguns
japoneses trouxeram o hábito de festejar a flor(ação) das cerejeiras que, em
Santa Catarina, ocorre entre os meses de
agosto e setembro. A festa da floração da cerejeira tem sido realizada
por essa comunidade rural nipo-brasileira desde o ano de 1997.
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