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A Comunidade está organizada na forma da Associação Comunitária de Boa Esperança e conta com 25 agricultores e agricultoras. Está na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, região do Médio Solimões, Estado do Amazonas, sendo a maior da reserva, com cerca de 1.000 moradores. Possui uma boa relação com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que há cerca de 15 anos atua junto às comunidades da RDS Amanã por meio de projetos conjuntos.

A população de Boa Esperança é composta por moradores tipicamente ribeirinhos, formada por caboclos amazônicos e arigós (descendentes de nordestinos que migraram para a região no ciclo da borracha, início do século XX). Os moradores estão organizados por meio de associação, a qual é responsável pela produção e comercialização dos produtos agrícolas da região. A maior parte dos moradores vive na sede da comunidade, em casas próximas umas das outras. Alguns poucos vivem de maneira mais isolada, mas mantêm contato direto com a sede, como alguns agricultores que possuem seus sítios, para cultivo e manejo da mandioca, açaí e cupuaçu, distantes da sede da comunidade, ponto característico da agricultura familiar amazônica.

Os moradores têm a agricultura como sua principal atividade econômica, seguida pela pesca e, em escala bem menor, o extrativismo. A caça também está presente, mas em frequência menor do que em tempos anteriores ao atual.

A prática da agricultura existente na comunidade é tipicamente tradicional. As famílias são consideradas células organizadoras dos processos, com uma produção de pequena escala (principalmente de mandioca), voltada para consumo próprio, sendo as práticas de manejo ainda muito parecidas com as conduzidas há centenas de anos pelas populações indígenas que antes habitavam a região. São manejadas muitas espécies de plantas nativas e que, inclusive, são Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC’s), como o cubiu, o ariá, a bacaba, o araçá-boi, dentre outras. Mas as principais plantas manejadas e cultivadas, visando a geração de renda, são o açaí e o cupuaçu. Alguns produtos fazem parte da Arca do Gosto como ariá, bacaba, abiu, babaçu, buriti, cacauí, mapati, mel de Jandaíra da Amazônia e o pirarucu manejado.

Os sistemas agrícolas praticados na comunidade, assim como em boa parte da Amazônia, são caracterizados, entre outros fatores, pela intensa utilização dos recursos naturais e por apresentarem uma estreita interface com o ambiente local, sendo manejados sob uma lógica sucessional que os aproxima, de certa forma, aos ecossistemas naturais. não conta com o uso de agrotóxicos, pois os 25 agricultores se uniram para tomar como base um sistema de produção diferenciado, livre de agroquímicos. Sendo assim, os açaizais e os cupuaçuzais são manejados ou em sistemas agroflorestais, ou manejados em seus ambientes naturais, ambos muito próximos ou em meio à floresta amazônica. Além disso, por estarem em uma Unidade de Conservação, os agricultores não podem utilizar de agrotóxicos em seus sítios.

O alimento produzido na comunidade Boa Esperança - não somente o açaí e o cupuaçu, que são as referências para a inserção como Comunidade do Alimento – é bom tanto pela manutenção dos sabores amazônicos, quanto pela qualidade nutricional que estes possuem naturalmente. Tratando-se especificamente do açaí e do cupuaçu, ambos são dois dos frutos mais apreciados na região. Fazem parte importante da cultura alimentar amazônica e são consumidos, principalmente, de acordo com a sazonalidade da região.  Localmente, a polpa do açaí é consumida com farinha de mandioca ou de tapioca, e a polpa do cupuaçu é utilizada no preparo de sucos, geleias e cremes.

Toda a produção, nesse caso, é gerida pela família dos agricultores, ou seja, a administração, desde o preparo das áreas de cultivo ou de manejo, é feita pelas famílias da comunidade. Aqui também ocorrem os “puxiruns”, como são regionalmente conhecidos os movimentos de mutirão e formas de trabalho coletivo nas comunidades rurais da Amazônia. A comercialização também é feita pelas famílias, por meio da Associação Comunitária de Boa Esperança.

 

Estado/Região/Território: Amazonas/Região Norte

Municípios:  Maraã

Referência da Comunidade: Romário dos Reis, (97) 4400-7895

 

Esta Comunidade do Alimento foi incluída na rede Slow Food pelo projeto:

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