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Com o intuito de incentivar e tornar a meliponicultura e, também a apicultura, como atividades sustentáveis para a região amazônica, diversos criadores de abelhas se uniram para, em 2000, fundar a Associação de Criadores de Abelhas do Amazonas, a ACAM.

Com sede na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, atualmente a associação reúne 65 produtores que mantêm suas colmeias em caixas para o manejo das abelhas, em áreas rurais da capital e de seu entorno. Os locais para criação e manejo das abelhas perfazem sítios com alta diversidade de espécies de plantas, sendo um grande número destas, nativas da Amazônia. Esses sítios, em sua maioria, estão circundados pela floresta amazônica em bom estado de conservação. Ou seja, ao mesmo tempo em que as abelhas são manejadas e auxiliam na produção de frutos nos sítios, o que incrementa também a renda dos produtores, auxiliam também na polinização das espécies de plantas nativas das áreas naturais próximas.

Os produtores da ACAM mantêm várias espécies de abelhas nativas amazônicas, tais como a jandaíra da Amazônia, a jupará, espécies de mirins e outras trigonas. Alguns criadores mantêm também colmeias de abelhas exóticas Apis mellifera.

Atualmente a ACAM recebeu 60 lotes, de 25 hectares cada, como doação da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), no Distrito Agropecuário da SUFRAMA, situado em área rural de Manaus. Os lotes estão distribuídos entre os associados, com a missão de se estabelecer exclusivamente a criação de abelhas nativas sem ferrão nesses lotes, em consórcio com Sistemas Agroflorestais (SAFs).

A meliponicultura é a principal atividade da ACAM, mas, em consequência do serviço de polinização realizado pelas abelhas, a produção de frutos também é uma constante para os criadores. Como já citado, alguns criadores associados também manejam colmeias de abelhas com ferrão. Sendo assim, o principal produto hoje é o mel, tanto de meliponas quanto de abelhas com ferrão. Alguns produtores já comercializam, também, o pólen desidratado, o extrato de geoprópolis e própolis, bem como extrato de cerume (cera), além de comercializarem colmeias.

Os associados reúnem-se mensalmente para tratar dos assuntos relacionados à ACAM, e também manter o contato e a troca de experiências entre os criadores. Além disso, a ACAM está sempre representada em reuniões, assembleias e ações relacionadas à criação de abelhas no Amazonas. Participou ativamente da criação das legislações que hoje regulamentam o mel de meliponas no Amazonas, bem como a que regulamenta o manejo dessas abelhas no estado. Deve-se destacar essa atuação, uma vez que a ACAM acaba por representar o interesse da maior parte dos meliponicultores do estado que, por questões de logística, dificilmente comparecem às reuniões realizadas na capital Manaus.

Os produtores realizam o plantio e a propagação de mudas de diversas espécies de plantas nativas da região, para a recuperação de áreas degradadas e também para a manutenção das próprias colmeias de suas abelhas.

Os produtos das abelhas, principalmente as nativas sem ferrão, são alimentos regionais. São produtos que têm uma relação muito forte com a cultura local e também com a floresta amazônica, com destaque para o mel das abelhas sem ferrão. Os produtores respeitam as normas para  criação dessas abelhas, não realizam a captura depredatória de ninhos na natureza - prática de corte de árvores para a retirada dos ninhos -, e eles mesmos fazem a gestão da produção e comercialização de seus produtos. Além disso, o mel de Jandaíra da Amazônia, também produzido pela ACAM, integra a Arca do Gosto.

Os produtores obedecem a sazonalidade de produção de suas abelhas, sendo que a maior disponibilidade dos produtos encontra-se entre os meses de outubro (início da colheita, que finda em dezembro) e março (geralmente o período em que ainda podemos encontrar, principalmente, o mel em venda). Os diferentes méis das diferentes espécies de abelhas possuem, cada um, um sabor peculiar e específico. O mel de meliponas é mais ácido, de sabor inigualável, e pode ser utilizado em diversas receitas distintas, como peixes, saladas e frutas. O mel de abelhas com ferrão é mais comum, sem muita diversidade de sabores, mas muito consumido como alimento também. Já o pólen é geralmente azedo, recomendado para ser consumido também em saladas e frutas, como uma rica fonte de proteínas. Os extratos de própolis, geoprópolis e cerume são mais utilizados na medicina tradicional, seja em áreas rurais ou urbanas.

O manejo das abelhas é feito de acordo com as normas vigentes, respeitando os ambientes naturais. O aumento do número de colmeias é realizado por meio da técnica de multiplicação de ninhos, tanto para as meliponas quanto para as Apis, evitando-se, dessa forma, a extração depredatória de ninhos naturais. Dessa forma, os produtores auxiliam na polinização da floresta e também de seus cultivos, simplesmente por manterem suas caixas em bom estado.

O trabalho é realizado integralmente pelos produtores, os quais também fazem a administração da associação, responsável pela venda dos produtos. O manejo das abelhas sem ferrão pode ser realizado por todos os membros das famílias envolvidas, sendo acessível a jovens e também idosos. Já o das abelhas com ferrão é realizado por pessoas com mais prática, pelo risco natural que apresenta pela considerável agressividade dessas abelhas. A colheita e o armazenamento dos produtos para comercialização são realizados pelos próprios produtores, e o valor cobrado também é justo, considerando o trabalho todo envolvido. A venda é feita diretamente pelos produtores aos consumidores, sem atravessadores.

Os produtos desta Comunidade do Alimento consiste em méis de 3 espécies de abelhas sem ferrão nativas da Amazônia, mel de abelha com ferrão (Apis mellifera), produzidos na região de Manaus e entorno, comercializado ao natural, pólen de abelhas meliponas e Apis colhidos diretamente das caixas colmeia, desidratado e comercializado para consumo direto e extrato de própolis, geoprópolis ou cerume em álcool de cereais, de meliponas e Apis.

Mel de abelhas nativas sem ferrão: como citado anteriormente, esse produto advém de espécies de diferentes abelhas nativas. Muito apreciado na região, esse mel possui um valor cultural muito forte, identificando a população humana da Amazônia, como ocorre também em outras regiões do Brasil e em outros países. É consumido em sua forma natural, como alimento, e também compõe receitas medicinais caseiras e tradicionais. No caso da ACAM, os produtores identificam o mel de acordo com a espécie de abelha manejada. A colheita é realizada a partir do mês de outubro ou novembro, dependendo das condições climáticas, até meados de dezembro, antes do início das chuvas na região. São utilizadas técnicas de higiene que compreendem o uso de toucas, luvas e máscara, além de materiais e recipientes devidamente limpos para a colheita do mel, mantendo a qualidade do produto.

Mel de abelhas com ferrão: alguns produtores da ACAM que manejam colmeias de abelhas com ferrão, extraem o mel e o vendem diretamente, sem passar por nenhum tipo de processamento, utilizando-se dos mesmos cuidados citados no registro anterior.

Extratos de própolis, geoprópolis e cerume: a matéria prima é coletada diretamente das colmeias, triturada ou partida em pedaços (no caso do cerume). Após isso, é deixada de molho em álcool de cereais por cerca de 30 dias, sendo que a solução deve ser agitada diariamente.

Pólen desidratado: atendendo às mesmas técnicas de higiene empregadas na colheita do mel, o pólen é retirado das colmeias, desidratado à sombra, e acondicionado em pequenos sacos plásticos para a comercialização.

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