Slow Food Brasil

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Estão organizados na forma da Associação dos/as Agricultores/as Familiares da Serra dos Paus Dóias (AGRODÓIA). Em torno de 450 pessoas estão envolvidas na criação das abelhas Uruçu de Chão e, na coleta/beneficiamento do Cambuí, cerca de 26 famílias ou 150 pessoas.

A espécie da abelha uruçu é criada em panelas de barro (cerâmica), de diversos tamanhos e formatos. Esse tipo de manejo facilita a extração do mel, pólen, cera, esses dois últimos produtos são menos utilizados pela população local. Se a extração for feita de forma adequada e higiênica, o produto pode ser armazenado por mais de um ano, sem prejudicar as características e qualidade do produto. A extração do produto ocorre quando o recipiente (panela de barro) utilizado para a criação das abelhas estiver completo de mel (até a “boca”), daí os produtores extraem o mel, pois este já está maduro e desidratado.O mel é extraído das colmeias de maneira tradicional,  com o auxílio de uma seringa de 60ml. A retirada da agulha da seringa é para facilitar a retirada do mel em função da sua densidade.

A vegetação próxima às colmeias é constantemente renovada, garantindo a produção de flores durante todo o ano, principalmente no período de seca, e assim alimento para as abelhas. O croapé ou cipó uva, como também  é conhecido na região, é frequente usado como vegetação cerca da área de produção, devido a sua alta resistência, principalmente no período das secas.

Esse produto tem sido muito importante para as famílias locais, e desde muito cedo é promovido, a fim de não perder esse conhecimento. Além disso, são feitas divulgações, oficinas sobre a importância da preservação da abelha.

Além disso a comunidade se dedica à coleta e ao beneficiamento da cambuí.  A cambuí consumida in natura ou beneficiada, está ameaçada de extinção devido ao difícil manejo e preferência dos produtores locais pela produção de animais, e retirada da árvore de cambuí para introduzir pastagem. O beneficiamento tem sido uma forma dos produtores enfrentarem esse problema e alertar a população local, além de mostrar os diversos benefícios que podem ser obtidos com o uso da espécie.

A coleta é feita manualmente na árvore, usando um suporte com uma tela embaixo dos galhos da árvore, a qual é levemente balançada para que as frutas maduras caiam sobre essa tela e então são recolhidas.

A produção é realizada de três formas, podendo ser lançadas na superfície da terra, geralmente em locais onde possuem gramas onde  as sementes nascem e forma aleatória, outro modo de plantio é a realização de covas com profundidade entre 10 a 15 cm, onde são colocados de 3 – 10 sementes, sendo que dessa quantidade apenas 2 ou 3 sementes germinam, este processo de germinação começa a ocorrer após o sexto mês, as covas são molhadas raramente, já que utilizamos o período do inverno para plantá-las. O outro método de produção é o plantio das sementes em viveiro, porém se utilizam a mesma quantidade de semente e forma de plantio mencionado anteriormente.

A árvore começa a produzir frutos após 3 ou 4 anos do plantio. Na comercialização in natura é feita a seleção dos frutos com menor acidez, aqueles com aparência denominada localmente de café com leite. Os demais frutos podem ser também consumidos in natura, ou beneficiados. A cambuí está inserida na comunidade há muito tempo, fazendo parte  da cultura local, inclusive se diz que antes de existir a comunidade local, a cambuí já fazia parte da paisagem da região.  

 

Estado/Região/Território: Pernambuco/Nordeste

 

Esta Comunidade do Alimento foi inserida na rede Slow Food pelo projeto:

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