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Nome do produto: Bijajica

Categoria: Bolos e biscoitos

Descrição do Produto

A Bijajica é um bolo cozido no vapor composto de massa de mandioca crua, amendoim e açúcar, aromatizado com erva doce, cravo e canela. A preparação tem origem indígena, mas a receita atual é resultado da influência  das famílias que migraram do Arquipélago dos Açores para o litoral do estado de Santa Catarina em meados do século XVIII.

Bijajica (foto: Fernando Angeoletto)
(foto: Fernando Angeoletto)

História do produto e relação com cultura local

A origem indígena da Bijajica é revelada pelas matérias-primas essenciais que compõem sua receita: a mandioca e o amendoim. Estas espécies sempre foram e ainda são muito utilizadas pelos povos guarani no litoral catarinense e também por diversas etnias indígenas do território brasileiro. Os guaranis desidratavam a mandioca em trançados de palha chamados tipiti e socavam o amendoim em pilões de madeira. Após o processamento, mesclavam os dois produtos e coziam ou assavam a massa envolta em folhas de bananeira, ao vapor ou direto ao fogo. São inúmeras as variações alimentícias advindas destas práticas, sempre com a mesma base: massa crua de mandioca desidratada e amendoim pilado.

Bijajica (Foto: Neide Rigo)
Bijajica sendo preparada (Foto: Neide Rigo)

A Bijajica encontrada hoje no litoral catarinense ganhou seu formato a partir de adaptações proporcionadas pela instalação de engenhos artesanais de farinha de mandioca na região. Estes engenhos se multiplicaram a partir da colonização de famílias vindas do Arquipélago dos Açores,  ocorrida em meados do século XVIII. Durante dois séculos estes engenhos foram a principal estrutura produtiva da agricultura familiar neste território, atingindo o ápice da produção no final do século XIX. A base da produção e alimentação destas famílias sempre foi a chamada “farinha polvilhada”, mais clara e fina em relação àquelas produzidas em outras regiões do Brasil. Além da froma específica de preparo, as características especiais da farinha polvilhada do litoral de Santa Catarina estão relacionadas com as variedades de mandioca que ocorrem na região. As principais  variedades identificadas pelos agricultores são as “Amarelinha”, “Roxinha” e “Branquinha”.

Bijajica (Foto: Neide Rigo)
Bijajica (Foto: Neide Rigo)

A temporada de colheita e de processamento desta farinha chegava a durar 4 meses (maio, junho, julho e agosto), quando famílias e  agregados se reuniam no interior do engenho para a execução das etapas do feitio, chegando a passar noites a fio trabalhando.

Nos engenhos de farinha tornou-se possível obter em quantidade e qualidade a massa crua da mandioca, fundamental para o preparo da Bijajica. No engenho também é produzido o açúcar mascavo, outro ingrediente utilizado na receita. Às adaptações proporcionadas pela colonização açoriana ao modo de fazer a Bijajica também associa-se o acréscimo do cravo e da canela. A técnica indígena do cozimento a vapor também passou por transformações passando a ser feito em panelas/formas de cerâmica chamadas de cuscuzeiras, utilizadas  também no preparo do cuscus de milho. Apesar destas técnicas básicas de preparação, a receita da Bijajica e ingredientes acrescentados pode variar bastante de acordo com a localidade onde é preparada e consumida.

bijajica

A bijajica pode ter diferentes cores de acordo com a variedade e a proporção dos ingredientes utilizados (Foto: Fernando Angeoletto)

Área histórica de produção

Historicamente, a Bijajica é encontrada da região sul do litoral do estado de Santa Catarina, compreendendo os municípios de Palhoça, Paulo Lopes, Garopaba e Imbituba.

O produto é tradicional da área de produção?

Sim, resultado da adaptação de uma receita ancestral indígena à influência da colonização européia na região.

O produto ainda é encontrado no mercado?

Sim. Os agricultores da Comunidade do Areais da Ribanceira, localidade do município de Imbituba, num processo de reconhecimento enquanto população tradicional, tornaram-se os atuais mantenedores da produção da Bijajica, que é celebrada e comercializada na Feira Da Mandioca, evento organizado pela ACORDI- Associação Comunitária Rural de Imbituba, que ocorre todos os anos durante o mês de agosto. Estima-se a existência de 160 produtores entre as comunidades do Areias do Ribanceira.

Aliada à feira, a manutenção de um engenho comunitário de farinha constitui as práticas locais de Manejo Comunitário de Biodiversidade. A feira teve início em 2004 com o intuito de divulgar a luta da comunidade para manter seus costumes e o uso da terra, além de ser uma fonte de recursos financeiros para a associação. Nela, ocorrem palestras, apresentações culturais e são comercializados diversos pratos típicos à base de mandioca. Já o engenho comunitário foi inaugurado em 2010 e possibilita que os agricultores processem coletivamente e com um custo menor a mandioca que é cultivada nas roças dos Areais. As práticas de manejo comunitário na região dos Areais foram de iniciativa da própria comunidade local, como uma forma de organização e luta por seus direitos de território.

Nesse contexto, destaca-se a importância da ACORDI- Associação Comunitária Rural de Imbituba para a  preservação das matérias-primas e modo de fazer que permitem ainda hoje, a manutenção  da produção da Bijajica.

Quantidade aproximada produzida

Estima-se a produção de 4.500 unidades por temporada, que dura de Junho a Novembro.

Por qual razão este produto está em perigo de desaparecer?

Atualmente, com a quase extinção dos engenhos de farinha e dos saberes tradicionais relacionados a eles, está em risco o modo de fazer a Bijajica, que deixou de ser transmitido através das gerações. Sua produção ficou restrita então à festas comunitárias e circuitos alternativos de comercialização.

O lapso de transmissão cultural entre gerações também ameaça a conservação das variedades de mandioca tradicionalmente utilizadas para o preparo da bijajica. Gradativamente as variedades são perdidas e/ou substituídas por variedades melhoradas geneticamente.

Responsáveis pela indicação

Gabriella Cristina Pieroni – guabijuba@gmail.com
Fabiano Gregório –  fabianogregorio@hotmail.com

Contatos relevantes com os produtores:

Germias Valentim
+ 55 489608-4027
acordi@gmail.com

José Antônio Furtado e Rose Peters
Estrada Geral da Encantada s/n, Garopaba/SC, 88495000
+ 55 48 96678719

Inácia Nascimento da Silva
Estrada Geral das Três Barras s/n, Comunidade das Três Barras, Palhoça/SC
+ 55 48 32839046

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