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Nome do produto: Butiá

Categoria: Fruta

Descrição do produto

O butiá é o fruto das palmeiras do gênero Butia que ocorrem na região sul do Brasil. Dos pequenos cocos de coloração amarelo/alaranjada, são utilizadas tanto as amêndoas, para fabricação de pães e biscoitos, como a polpa, de sabor predominantemente ácido, para o preparo de geléias, doces e sucos.

Butiá - frutos (foto: Neide Rigo)
Butiá - frutos (foto: Neide Rigo)

 

Na região de Laguna, no estado brasileiro de Santa Catarina, predomina a ocorrência da espécie Butia catarinensis, cuja distribuição geográfica vai do litoral centro-sul de Santa Catarina até Torres, no Rio Grande do Sul. Palmeira de pequeno porte, de altura máxima de 2 metros, ocorre exclusivamente na restinga, um tipo de vegetação que ocupa os solos arenosos das zonas costeiras. É coletado de novembro a abril, época que abrange o auge do turismo litoraneo na região.

Butiá - frutos descascados (foto: Neide Rigo)
Butiá - frutos descascados (foto: Neide Rigo)

No Rio Grande do Sul, predomina a ocorrência da espécie Butia eriospatha, palmeira de porte relativamente maior, distribuída em altitudes mais elevadas, nos campos e regiões serranas do estado. Por conta disso, também é conhecida como butiá-da-serra, cujos frutos amadurecem de janeiro a março. Nessa região, o butiá é utilizado principalmente para a aromatizar cachaça ou preparar licores.

História do produto e relação com cultura local

Segundo o historiador Antônio Carlos Marega, Laguna foi colonizada em duas etapas: a primeira, no século XVIII, meados de 1740, desbravou a região costeira da Lagoa Santo Antônio dos Anjos, região que vai do Bananal até a Madre, passando por Ribeirão Pequeno. Esses primeiros colonizadores, conhecidos como Portugueses dos Açores, procuraram habitar o local em busca da pesca e do solo produtivo.

Já na segunda etapa da colonização, na primeira metade do século XIX, com o crescimento do porto, os chamados Portugueses do Continente trouxeram o desenvolvimento econômico para a cidade. "Foram eles que injetaram dinheiro no local, formando a cadeia genealógica (famílias tradicionais) e a cultura lagunense", acrescenta o historiador.

Hoje, Laguna tem no turismo a sua atividade principal. Sua rica participação na história do Brasil, suas paisagens e praias formam um grande atrativo para os turistas. 

Tradicionalmente, os frutos do butiazeiro são muito utilizado pelos nativos, sendo venidos in natura na beira das estradas para o preparo de sucos ou aromatização de cachaça.O picolé de butiá é também uma grande sensação das praias de Laguna no verão.

Hoje, apoiadas por entidades religiosas ou organizadas em cooperativas como a Cooperagreco, diversas famílias estão agregando valor ao fruto, transformando-o em biscoitos, geléias, doce de corte (marmelada), licores, sucos naturais engarrafados e produzindo polpas para comercialização.

Área histórica de produção

Típico da região costeira de Santa Catarina, o butiá também é utilizado em municípios vizinhos a Laguna, desde Garopaba, mais ao norte, até arroio do Silva, mais ao sul. Em Laguna as comunidades de Estreito, Barbacena e Barranceira são as que tradicionalmente coletam e comercializam o butiá. Cortadas pela rodovia BR 101, estas comunidades aproveitam para vender o fruto na beira da estrada, principalmente no período de grande movimento de turistas durante as férias.

O perfil dos moradores é de famílias de pescadores de origem portuguesa. Tiveram na pesca a sua atividade principal durante muito tempo e atualmente enfrentam dificuldades com a diminuição dos pescados no mar e na lagoa.

Quantas pessoas, aproximadamente, compõe essa comunidade?

Estima-se que na região de Laguna exista cerca de 500 ha de restinga com ocorrência de butiazais, área explorada por menos de 50 famílias. Tendo em vista que a maior parte da área não é explorada, seria viável um aumento do número de famílias envolvidas com a cadeia produtiva.

Quantidade aproximada produzida:

Aproximadamente 15 toneladas por ano

O produto ainda é encontrado no mercado?

Sim. A comercialização é feita em rede pela Cooperagreco no mercado institucional, em vendas diretas ao consumidor e em lojas especializadas em produtos orgânicos e naturais.

Atualmente, os seguintes produtos são comercializados pela cooperativa:

  • Geléia de Butiá - potes de vidro de 220g
  • Doce de Corte de Butiá (marmelada) - bandeja de polietileno de 220 g
  • Biscoito de Butiá, produzido com farinha de trigo e amêndoas de butiá - pacotes de 400g
  • Bala de Butiá com polpa e amêndoa de Butiá
  • Polpa de Butiá congelada - pacotes de 500g

Por qual razão este produto está em perigo de desaparecer?

Principalmente pela crescente degradação das áreas de distribuição natural da palmeira. Em Santa Catarina, pelo fato de Butia catarinensis ser endêmica da região costeira, onde os butiazais são extremamente pressionados pela expansão urbana provocada pela especulação imobiliária associada ao turismo.

Já no Rio Grande do Sul, Butia eriospatha foi e é pressionada pela expansão das fronteiras agrícolas, tendo em vista as características propícias dos campos onde ocorre para o desenvolvimento da pecuária e plantio de cultivos intensivos.

O aproveitamento do Butiá pelas comunidades incentiva a conservação de seu hábitat natural e, constituindo-se como fonte alternativa de renda, associado à outras atividades agroflorestais, viabiliza a permanência das comunidades em seu local de origem.

Responsáveis pela indicação:

Adilson Maia Lunardi - adilson@agreco.com.br
Jacira Conceição dos Santos - nutrijacirasantos@gmail.com

Dados de referência da comunidade produtora

Cooperagreco
telefone: +55 (48) 3654 0107
adilson@agreco.com.br
www.agreco.com.br

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- Come-se

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