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O Arroz-nativo-do-Pantanal, também conhecido localmente como Arroz-do-campo, refere-se a duas espécies silvestres de arroz, Oryza latifolia Desv. e Oryza glumaepatula Steud. Essas espécies estão distribuídas na Argentina, Bolívia, Paraguai e no Brasil, nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pará, Amazonas e Maranhão. O. glumaepatula apresenta grãos um pouco maiores do que a O. latifólia.

 Ocorrem formando manchas naturais com vários hectares de extensão nas áreas inundáveis do Pantanal do rio Paraguai. A maioria dessas áreas é coberta por campos inundáveis dominados por espécies de gramineas aquáticas. São ambientes naturais que se encontram em bom estado de conservação. Todas as gramíneas, inclusive as duas espécies de arroz, são normalmente utilizados para pastejo pelo gado nos períodos em que o Pantanal não está cheio. As duas espécies frutificam no final de maio e início de junho, quando o rio Paraguai está no seu nível máximo.

Essas espécies eram tradicionalmente colhidas e utilizadas na alimentação no índios Guató, os quais o chamavam de Machamo. Não havia plantio, somente a colheita. Os índios Guató eram canoeiros do Pantanal, tendo sua área de vida preferencial ao longo do rio Paraguai. Essa etnia estava quase extinta, mas foi realdeiada em 1996 quando foi estabelecida a reserva indígena Guató, na fronteira entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bolívia. Atualmente esses índios não utilizam mais esse arroz para o consumo.

Hoje, as populações que colhem o arroz são não indígenas e estão localizadas ao longo do rio Paraguai, nas comunidades da Barra do São Lourenço e do Castelo, ainda que os índios Guató também sejam incentivados a colher. As áreas que são utilizadas para colheita são vizinhas a um complexo de unidades de conservação (RPPNs e o Parque Nacional do Pantanal). Por conta do manejo para o gado nas áreas adjacentes, a cobertura vegetal tem sido objeto de incêndios nos últimos anos. Com a extração comercial e utilitária de produtos nativos, as pessoas se estimulam a proteger esses ambientes, importantíssimos na manutenção da biodiversidade regional.

Dentro desse contexto o arroz-nativo-do-pantanal se configura como espécie chave, pois ocupa grandes extensões na planície, é um produto de sabor agradável, tem teor de vitaminas e proteínas mais alto do que as variedades de arroz integral encontradas no mercado é um produto único que nunca antes foi comercializado. Trata-se de um produto que naturalmente tem potencial, uma vez que já foi utilizado pelas comunidades indígenas e atualmente está em desuso, além de alto valor nutritivo e sabor excelente. O sabor é amendoado e a consistência al dente. Quando cozido, exala um leve perfume o que acrescenta riqueza ao conjunto final. É excelente para ser utilizado em saladas e risotos. O valor social se refere a uma tradição na região que foi praticamente perdida, com a entrada da civilização europeia na região, e que está sendo recuperada.

Atualmente, o produto está sendo comercializado com ajuda da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Através de um projeto de extensão essa comercialização está sendo realizada principalmente com a comunidade universitária e restaurantes de chefs ligados ao Slow Food. Como ainda é um produto de baixíssima produção, tem sido vendido por preços elevados. As comunidades produtoras têm discutido estratégias de incrementar a produção e baixar o preço.

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