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Jaracatiá é o nome popular dado a diferentes espécies de árvores do gênero Jacaratia, também conhecido como Mamoeiro-bravo, Mamoeiro-do-mato, Mamãozinho e mamão de veado. Em Tupi-Guarani “Yaca rati a” que significa “individuo de fruto cheiroso” devido ao seu perfume intenso. No Brasil, destaca-se a ocorrência das espécies Jacaratia spinosa e Jacaratia corumbensis, cujos frutos e troncos são, respectivamente, utilizados para a confecção de doces. Tendo em vista que seu tronco é frágil e espinhoso e que as árvores são altas, os frutos são colhidos maduros quando caídos no chão. De alta perecibilidade, são beneficiados em forma de doce, processo que deve ser realizado quase que imediatamente após a colheita.

Jacaratia spinosa ocorre predominantemente no Bioma Mata Atlântica, mas também de forma esparsa na Amazônia. Aparece em diversos estados do Brasil e também em outros países da América do Sul. É no estado de São Paulo (SP), entretanto, que o uso alimentar do Jaracatiá se dá de forma mais significativa. No município de São Pedro, entre as matas da Serra do Itaqueri e o vale do Rio Piracicaba, os índios Paiaguá e Tupi-guarani usavam o látex da árvore e da fruta para tratamentos medicinais por ser poderoso anti-helmíntico.

Por amadurecer no mês de fevereiro, mês de aniversário da cidade, a fruta era considerada símbolo de São Pedro, e quem comesse de seu doce seria considerado um filho da terra, tradição esta que estão tentando restaurar nos últimos anos. O “Doce de jaracatiá em calda”, o jaracatiá passa (desidratado ao sol) ou o jaracatiá cristalizado surgiu da afinidade culinária dos imigrantes italianos que se instalaram em São Pedro, no final do século XIX. Com o envelhecimento das doceiras antigas da cidade que dominavam a técnica, o doce parou de ser confeccionado e corre risco de extinção assim como a árvore, tornando-se esparsas no entorno da cidade devido à expansão urbana e depredação da floresta da Serra de São Pedro. Os doces podem ser encontrados na Feira do Produtor Familiar do município.

A conservação da Mata Atlântica, que na região reduziu-se a aproximadamente 5% da cobertura original, está atrelada à sobrevivência do Jaracatiá, de modo que a manutenção do conhecimento popular e da tradição local de consumo da fruta e dos doces pode representar importante incentivo à conservação do ambiente.

Pesquisas conduzidas pela Universidade de São Paulo (USP) indicam a fruta de Jacaratia spinosa como fonte significativa de potássio, cálcio, magnésio e fibras. Possui teores de ferro e cobre duas vezes maiores do que o mamão convencional e teor de sódio três vezes menor.

Ao contrário da árvore da Mata Atlântica, Jacaratia corumbensis, ocorre em florestas mais secas, como as das Caatingas e Cerrados brasileiros. Sua ocorrência concentra-se na região Centro-Oeste do Brasil, em especial nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e Goiás. Entretanto, também ocorre de forma mais esparsa no estado de Minas Gerais e na porção sul do Semiárido nordestino. Nessa região, fruto e caule do Jaracatiá são consumidos pelos animais por armazenar grande quantidade de água. Essa espécie não possui espinhos no caule. Seus frutos de coloração verde claro com listras avermelhadas ou amareladas são saborosos quando consumidos frescos.

Da espécie do Cerrado, popularmente conhecida como Mamão-de-veado, o doce é feito com o caule. Tanto o xilopódio (tipo de caule subterrâneo) quanto o tronco podem ser utilizados. A parte utilizada é ralada e lavada muitas vezes para a retirada da seiva leitosa presente nas espécies de Jacaratia. Para o preparo do doce o caule ralado é cozido em água adoçada com rapadura ou caldo de cana-de-açúcar, até dar o ponto. O tronco desse tipo de Jaracatiá é rico em cobre, magnésio, potássio e vitamina C.

Nos biomas de florestas secas do Brasil, Jacaratia corumbensis é popularmente conhecido por alimentar animais em períodos secos, além de propiciar o preparo do delicioso doce de caule. No Cerrado, é no estado do Mato Grosso do Sul, em especial no município de Bonito, que a tradição de confecção do doce se mantém de forma mais organizada. 

Tendo em vista que para o preparo do doce a planta inteira costuma ser retirada da natureza, iniciativas voltadas ao manejo das árvores existentes e/ou ao plantio de novos indivíduos são essenciais para a conservação do Mamão-de-veado e da tradição alimentar a ele associada.

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