Slow Food Brasil

Cadastre o seu e-mail e receba novidades:

 

Mangaba (Foto: Roberta Sá)Nome do Produto em Português, nome do produto na língua local e em qualquer dialeto relevante: Mangaba

Nome científico:
Hancornia speciosa
-  Família Apocynaceae

Categoria:
Frutas

Breve Descrição:
A mangaba é o fruto da mangabeira, que é uma árvore de clima tropical, nativa do Brasil.

A árvore tem em geral 5 a 6 m de altura, podendo chegar a dez metros. Começa a frutificar entre os três e cinco anos de idade. A mangabeira é muito rústica, produzindo bem em solos arenosos e pobres, com poucos nutrientes.

O fruto é elipsóide ou esférico, tipo baga, cor amarela ou esverdeada, com ou sem pigmentação vermelha. Em estado de maturação, o fruto tem casca amarelada com manchas avermelhadas, é aromático, delicado. A polpa é branca, mole, um pouco viscosa e fibrosa, com um sabor doce, acidulado, muito gostoso. Conhecendo o fruto e fazendo dele uso, os indígenas chamavam-no mangaba, que significa "coisa boa de comer".

Além de apreciada in natura, a mangaba é muito utilizada na fabricação de sucos, sorvetes, bem como é matéria prima para o preparo de geléias, doces em calda, compotas, licores, vinho e xaropes.

Área tradicional de produção, detalhes sobre a origem do produto e ligação com grupos locais
A mangaba ocorre exclusivamente no Brasil, sendo mais abundante nos tabuleiros e baixadas litorâneas do Nordeste e em áreas de restingas.  Encontra-se também nos cerrados do Centro-Oeste, no norte de Minas Gerais e em parte da Amazônia.

Além de saborosa, a mangaba é um meio de sobrevivência para a população. A produção nacional, em quase sua totalidade, é proveniente do extrativismo, o que faz com que esse tipo de exploração ainda desempenhe um importante papel sócio-econômico e cultural entre as populações tradicionais que sobrevivem como "catadores". No período de novembro a abril, em diversos estados do Nordeste, a colheita de mangaba é uma das únicas fonte de renda de centenas de famílias, que sobrevivem da colheita da fruta em áreas nativas.

Quando o fruto está no ponto máximo de desenvolvimento, desprende-se da árvore e completa o amadurecimento no chão, o que demora entre 12 e 24 horas. Os frutos colhidos no chão, chamados "de caída", são os mais valorizados. Quando maduras, as mangabas tornam-se muito perecíveis e precisam ser consumidas rapidamente, o que é um empecilho à comercialização. Por isso, a maior parte da colheita é feita no pé e o fruto fica pronto para o consumo em dois a quatro dias. Nesse caso, deve-se ter experiência para saber a hora exata da colheita.

Por ser tão perecível, a mangaba é uma fruta que é direcionada principalmente para a indústria, sendo muito utilizada como suco, sorvete e geléia. A exploração comercial deve envolver sempre o congelamento. O látex da mangabeira é adequado à produção de borracha e já foi explorado no passado, mas hoje não tem mais importância. Algumas partes da planta têm aplicação na medicina popular, como a casca, com propriedades adstringentes, e o látex, que é empregado contra as pancadas, inflamações, diarréia, tuberculose, úlceras e herpes. O chá da folha é usado para cólica menstrual.

O produto é tradicional da área de produção?
Sim, a produção é quase na sua totalidade extrativista.

O produto está sendo comercializado atualmente?
Sim, a colheita é feita por mulheres que catam os frutos no chão ou alcançam com um gancho de metal e os puxam.  O fruto é vendido nos mercados locais, bem como para indústrias de polpas, sucos e sorvetes. Estudos mostram que esta atividade tradicional, além de contribuir significativamente com a renda familiar de grupos em situação de vulnerabilidade social, permite a conservação da vegetação associada aos remanescentes de mangabeira e de saberes e práticas a eles associados. Pesquisadores da Embrapa estimam que, somente no litoral sergipano, a mangaba é a base de sustento de mais de 5 mil famílias extrativistas. O problema é que a maior parte das áreas onde é feito o extrativismo estão situadas em terras alheias ou devolutas e as áreas de mangabeiras estão praticamente desaparecendo estados do Nordeste, sendo destruídas e substituídas pela expansão imobiliária (casas de veraneio, condomínios, hotéis), pelos criatórios de camarão, plantios de cana-de-açúcar, eucalipto e de coqueirais.

Sergipe é um dos estados em que as áreas de mangabeira estão mais conservadas, mas as catadoras ainda sofrem diversas pressões. Naquele Estado, elas se organizaram e criaram o "Movimento das Catadoras de Mangaba - MCM". A principal reivindicação do movimento é o acesso livre às mangabeiras e o incentivo ao plantio.

No município de Santa Luzia do Itanhi-Sergipe, a economia principal é a pesca, mas a extração da mangaba serve como complemento à subsistência das famílias do município, principalmente aquelas localizadas nos povoados cercados por manguezais. As mangabeiras existentes são nativas e localizam-se nas áreas próximas aos manguezais.  Após a coleta da mangaba, as frutas são vendidas na feira, ou alguns atravessadores compram dos catadores e vendem para sorveterias. Além disso, há também um grande consumo pela fábrica de polpas pertencente à Prefeitura Municipal de Santa Luzia do Itanhi, a qual é fornecida em forma de suco para a merenda escolar.

No Estado do Maranhão, ocorre nas comunidades do município de Morros. Explorados por famílias extrativistas e/ou agricultores familiares para consumo e venda local, já foi uma grande fonte de renda, mas encontra-se em extinção, pela extração sem controle e desmatamento das matas ao  longo dos anos.

Qual o volume de produção e comercialização?
Os dados oficiais mostram que a produção é ainda extrativista, e os maiores produtores são os Estados de Sergipe, Minas Gerais e Bahia, com uma produção de 492; 490 e 170 toneladas, respectivamente, segundo dados do IBGE, de 2003. As áreas em que se pratica o cultivo tecnificado de mangabeira são quase inexistentes, exceção se faz para algumas poucas que ocorrem em Sergipe e Paraíba.

Nome e endereço de contatos relevantes com os produtores:
Manuel Reis Lima
ACRECTLU - Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Território Luziense
Povoado de Cajazeiras
Santa Luzia do Itanhi - SE

Patrícia Santos de Jesus

Presidente do MCM - Movimento das Catadoras de Mangaba do Sergipe

Tel.: (79) 9948-4665 e 8803-6472

e-mail: mcm.barradoscoqueiros@gmail.com

Nome e Endereço do Referente
Daniel Freire do Amor Cardoso
Secretaria de  Aqüicultura e Pesca - Prefeitura Municipal de Santa Luzia do Itanhi
R. Barão do Rio Branco, 16
Santa Luzia do Itanhi - SE

 

Conheça mais sobre Slow Food InternacionalFundação Slow Food para BiodiversidadeTerra MadreUniversidade das Ciências Gastronômicas

» SLOW FOOD BRASIL | Login »»

© 2013 Slow Food Brasil. Todos os direitos reservados aos autores das fotos e textos.
Não é permitido reproduzir o conteúdo deste site sem citar a fonte, link e o autor.
Design e desenvolvimento: DoDesign-s