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Também conhecida por taioba verde, inhame de folha, macabo, mangará, tannia, yastia, a Xanthosoma taioba pertence à família botânica Araceae, que possui em torno de 100 gêneros e 1.500 espécies, distribuídas em diversas regiões do planeta, principalmente nos trópicos, em ambientes úmidos e sombreados. O taiá possui caule ereto, com cerca de 1m de altura, com mais ou menos 1m de comprimento, verde, folha oval-sagitada como um coração, com 40 – 50 cm de comprimento, um pouco menor na largura, com rizomas semi ovais coberto de pequenas raízes, ricos em carotenóides. Possui nervuras laterais na folha, reunidas em nervura coletiva; pedúnculo com cerca de 20 cm de comprimento por 1 cm de espessura. Os rizomas secundários podem atingir até 15 a 25 cm de comprimento, de forma globular, oval, cilíndrica, e elíptica.

As folhas das plantas do gênero Xanthosoma apresentam um alto potencial de fornecimento de minerais, que é desconhecido para a maioria de nossa população. Podem ser usadas como alimento, cozidas como carurú.  As folhas mais novas, recém abertas, são mais saborosas e menos agressivas no sabor, recomendadas por conterem menor teor de ácido oxálico - a presença deste ácido é abundante em folhas mais adultas (maiores) e pode gerar desde incomodos à sensação de urticância nas folhas muito antigas.

A principal doença que ataca o taiá é a bacteriose, identificada no laboratório de fitopatologia do Centro de Ciências Agrárias, em Florianópolis, como sendo Erwinia, a qual os agricultores conhecem popularmente como “murchadeira”. Entretanto, esta doença não ocorre quando se sombreiam as plantas nos consórcios.

A tradição de manejo desta planta no vale do Itajaí é muito antiga, sendo cultivada por várias gerações de indígenas e, posteriormente, imigrantes europeus. O nome da cidade de Itajaí é dado por muitos devido à presença dos taiás, sendo nomeada pelos indígenas como Itajahy - Rio dos Taiás.

Os produtores identificaram cinco variedades de taiá, sendo duas as mais conhecidas e usadas: taiá branco e o taiá roxo, sendo o branco considerado o melhor, pois possui maior teor de umidade. O taiá-vermelho depois de ser cozido e frio, torna-se muito rígido e pouco adequado ao consumo. O taiá-poleiro quando cozido exala um cheiro de galinheiro. A identificação visual do taiá-poleiro é através de uma faixa preta que as plantas possuem na parte interna de seu pecíolo. Constatou-se que os produtores utilizam os sentidos (tato, olfato, etc.) para proceder a identificação, conforme MARTIN (1995). O taiá-louco é considerado também impróprio para o consumo de animais, pois suas folhas podem causar intoxicação em suínos, com ocorrência relatada de morte de animais. Sua característica é a intensa cor verde escura da planta. No Vale do Itajaí, os rizomas são amplamente consumidos, enquanto no litoral, consome-se também as folhas, muitas vezes chamada de taioba.

Para o plantio, os meses de agosto, setembro e outubro são recomendados, sendo outubro considerado o melhor mês. A colheita é realizada nos meses de maio, junho, julho, e as plantas podem ser deixadas no solo para serem colhidas mais tarde. Os solos preferenciais para seu cultivo são áreas novas, de coivara, de encosta, com menor teor de umidade As formas de cultivo variam: pode ser consorciado com a cultura da banana, com a cultura do cará, com café, laranja e outras plantas altas, para aproveitar a sombra.

Os produtores reportaram que o consórcio de taiá com cará (como é chamado o inhame em diversos locais em Santa Catarina, não é o cará aéreo) era feito por seus avós, há muitos anos atrás. No consórcio com o cará, as plantas de taiá são espaçadas de 1 x 1m e entre as filas do taiá, é inserida uma planta de cará a cada 2m. É necessário colher 10 a 15 plantas para encher uma caixa de 20kg. Levando-se em conta este cálculo, pode-se estimar um  rendimento de 16 ton/ha.

O produto ainda é encontrado em boa parte das feiras do estado de Santa Catarina. O preço recebido pela caixa de 20kg, no mercado de Joinville, no mês de junho de 2004 era de R$ 30, 00, e segundo os produtores existe uma boa aceitação pelo produto.   

As produções se concentram muito em poucas variedades de raízes e tubérculos como o aipim, a batata e a batata doce, pois permeiam melhor nos grandes mercados consumidores, deixando os tubérculos nativos e tradicionais em segundo plano sendo somente comercializados em pequenas feiras de agricultura familiar e produtos coloniais, fato que está fazendo com que ano após ano, geração após geração, o conhecimento de cultivo e preparo destes produtos vá desaparecendo.

Em Santa Catarina, a produção está localizada no Litoral Norte (Joinville), Médio e Alto Vale do Itajaí, Grande Florianópolis, Litoral Centro (Águas Mornas, Alfredo  Wagner, Antônio Carlos, Biguaçú, Santo Amaro da Imperatriz, São Pedro de Alcântara, Tijucas e Urubici), sendo Joinville, Antônio Carlos e São Pedro de Alcântara os principais municípios produtores.

Em todo o Vale do Itajaí, no período de inverno, os taiás estão presentes nas refeições dos moradores e camponeses.  Em Joinville, por exemplo, é comum o preparo de nhoque de taiá. Em Ilhota e locais rurais do Vale do Itajaí, o taiá é preparado na forma de taiá käse (queijo fundido da imigração alemã com o taiá cozido). O preparo das folhas de taiá é mais conhecido por produtores de origem açoriana, que o utilizam refogadas como espinafre, até que desmanchem, ou no preparo de morcela (lingüiça) como parte de seu recheio. As folhas escolhidas para o preparo devem ser bem novas e de cor clara, e a água de cozimento deve ser trocada três vezes por segurança, para eliminar os cristais de oxalato de cálcio.

Indicado por Bernardo Simões
Revisado por Ligia Meneguello
Alimento embarcado na Arca pelo projeto
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