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O guriri (Allagoptera arenaria) tamém conhecido por coco-de-praia, buri-da-praia, gurgurí, buriri, buri-de-praia, caxangó, caxandó,  purunã, pissandó, paissandu e pissandu é uma palmeira de pequeno porte, nativa do Brasil, encontrada em toda a faixa original da Mata Atlântica, especialmente nas áreas de restinga do litoral do nordeste ao sul do país.

De acordo com registros fósseis, é considerado uma das mais antigas espécies da família das palmeiras (Arecáceas), predecessora às demais plantas do gênero.

O nome indígena “caxandó” vem do Tupi e significa “Ca” – folha, “Xandó” - torcido, desordenado,  cruzado, ou seja, palmeira de folhas cruzadas, fazendo referência às folhas retorcidas que nascem em planos diferentes ao longo do talo. 

O nome científico também faz referência a essa característica das folhas, e deriva do grego antigo αλλαγή (allage), que significa mudança, e πτερόν (pteron), que significa asa, enquanto arenaria vem do latim “arenoso” e se refere aos solos onde a planta cresce naturalmente.

A palmeira empresta o seu nome a cidade de Guriri, no município de São Mateus, Espírito Santo e a cidade de Paysandú, no Uruguai - como são chamada as palmeiras do gênero Allagoptera, neste país, com origem também no tupi antigo “pisandó”. [2]

A planta possui caule subterrâneo ou muito curto, que cresce em forma de touceiras e produz folhas que atingem de 1,5 até 3 metros de comprimento. Essa característica, junto à capacidade de germinação em solos arenosos, faz com que o guriri funcione como espécie pioneira das áreas de restinga (terreno arenoso e salino localizado próximo ao mar, caracterizado por vegetação herbácea muito diversificada), pois cresce e acumula matéria orgânica no solo, criando um ambiente mais favorável para o crescimento de outras plantas. Também, por possuir caule subterrâneo, essa espécie tem a capacidade de resistir ao fogo e de rebrotar após distúrbios ou incêndios.

A flores e frutos do guriri são agrupadas em forma de espigas. Suas flores são muito procuradas por abelhas, enquanto os frutos, que vão do verde ao amarelo quando maduros, com polpa carnuda e adocicada, é um alimento apetitoso e nutritivos para animais silvestres e seres humanos. Populações caiçaras praticam o extrativismo, coletando frutos para consumo próprio e produção de derivados, além de utilizarem as folhas, junto à outras comunidades de artesãos do litoral brasileiro, para a confecção de artesanato como cestos, balaios, bolsas, chapéus e outras criações particulares. É também usada como planta ornamental, sendo extraída já adulta do ambiente natural ou plantada a partir da semente, que, apesar do crescimento lento, germina com facilidade. 

O guriri cresce naturalmente, sem exigência de muitos cuidados, nas áreas de ocorrência natural e representa uma espécie de grande importância para o equilíbrio deste ecossistema. Porém, as zonas de restinga onde a palmeira já foi abundante estão cada vez mais ameaçadas pela expansão imobiliária e devastação pela ocupação do litoral. Com isso, o guriri corre o risco de desaparecer e precisa ser valorizado com urgência.

Seus frutos tem sabor agradável, notas cítricas e paladar adocicado, podem ser consumidos in natura ou usados como base para outras preparações, como sucos, cremes, sobremesas, moquecas, molhos e muito mais. É um alimento nutritivo, com alto teor de fibras.

O produto é ligado aos povos Tupiniquim  e Guarani da reserva de Aracruz - Espírito Santo

Referências:
NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 388.
Lorenzi, H. 2010. Flora Brasileira - Arecaceas (Palmeiras).

Internet:
http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Allagoptera%20arenaria
http://www.palmpedia.net/wiki/Allagoptera_arenaria
http://www.coisasdaroca.com/alimentos/guriri.html
http://www.museunacional.ufrj.br/hortobotanico/paginas/especiesrestinga/allagopteraarenaria.htm 

Indicado por Anna Paula Diniz
Texto e pesquisa por Marcelo de Podestá
Revisão por Ligia Meneguello
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