Slow Food Brasil

Cadastre o seu e-mail e receba novidades:

Doce de produção artesanal, garapa (caldo de cana), farinha de mandioca e gengibre. Preparado com ingredientes nutritivos e calóricos, de fácil transporte, o doce era bastante consumido por trabalhadores rurais nas lavouras e por soldados do exército durante as marchas, fornecendo energia para o trabalho ao ser consumido puro ou misturado com café. 

O nome taiada é uma corrutela de talhada, que vem de “cortar, sulcar” e significa “fatia, pedaço”. No Brasil, talhado é o doce ou o leite que coagula, ou que é “cortado” com outro ingrediente. Provavelmente daí surge o nome da preparação que se assemelha a uma rapadura “cortada” com farinha de mandioca e temperada com gengibre.

O doce é bastante tradicional na região de Caçapava, interior de São Paulo, onde a plantação de cana de açúcar para o abastecimento da metrópole é uma atividade de grande importância econômica desde meados do Século XVI. Os segredos da produção artesanal da taiada são passados de geração em geração nas áreas rurais e a identificação dos moradores com o doce é tanta, que o nome “taiada” passou a ser usado como uma espécie de apelido para quem nasce ou mora na cidade.

Em 2011, a Secretaria de Cultura e Lazer de Caçapava produziu um documentário chamado “Da doce Taiada à Marvada Cachaça”, que registra a história do doce na região e seus principais personagens.

A preparação da taiada começa com a moagem da cana para a extração da garapa. O líquido é levado ao fogo em tachos de cobre e é fervido até atingir o ponto de melado (o “ponto” do melado é conferido retirando-se um pouco do líquido com uma colher e deitando-o em um recipiente com água. Se em contato com a água o melado virar uma espécie de “bala de açúcar”, é hora de retirar o tacho do fogo e passar para a próxima etapa).

Retirado o tacho do fogo, adiciona-se a farinha de mandioca crua e o gengibre, mexendo-se continuamente. O doce é colocado em formas, geralmente de 10 ou 12 cm, onde esfria e enrijece.
Variações do doce são preparadas adicionando-se amendoim, abóbora e outros ingredientes, e o doce passa a receber o nome do ingrediente adicionado, sendo o mais comum a “taiada de abóbora”.

É consumido puro ou misturado com café, funcionando como adoçante e, ao mesmo tempo uma espécie de “adensante” nutritivo, como no caso da jacuba ou do chibé. Adicionada à preparação, a farinha de mandioca proporciona ao doce uma textura esfarelada, enquanto o gengibre, dissolvido no caldo quente do melado, doa notas picantes e frescas, típicas desta especiaria.

Texto por Marcelo de Podestá
Revisão por Ligia Meneguello
Produto embarcado pelo projeto 
logo projeto completa

Conheça mais sobre Slow Food InternacionalFundação Slow Food para BiodiversidadeTerra MadreUniversidade das Ciências Gastronômicas

» SLOW FOOD BRASIL | Login »»

© 2013 Slow Food Brasil. Todos os direitos reservados aos autores das fotos e textos.
Não é permitido reproduzir o conteúdo deste site sem citar a fonte, link e o autor.
Design e desenvolvimento: DoDesign-s