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O surgimento do canjinjin está relacionado à influência africana no estado do Mato Grosso. A bebida, cujo nome é uma homenagem ao príncipe Kangingin, filho do rei do Congo e exímio guerreiro, faz parte de um importante capítulo da história alimentar matogrossense. 

O canjinjin é tradicionalmente preparado com cachaça, mel de abelhas, gengibre, cravo, canela, erva doce, raízes e outros ingredientes considerados "secretos" pela comunidade local. A crença popular garante que a bebida, fabricada na Vila Bela da Santíssima Trindade, norte do estado, tem poder energético e afrodisíaco. 

Com preparo liderado e realizado por mulheres, o canjinjin se transformou em uma bebida típica que recebe atenção especial na tradicional Festa do Congo, cujos biscoitos e roupas típicas também são confeccionados pelo mesmo grupo de mulheres dedicadas à produção artesanal. Além do congado, dança praticada por homens descendentes de escravos, o chorado, outra dança tradicional praticada exclusivamente por mulheres, que tem como característica coreografias realizadas em grandes rodas onde cada participante realiza os passos portando uma garrafa de canjinjin sobre suas cabeças. A manifestação cultural nascida durante o período colonial era uma maneira de interação entre escravas e senhores, o que poderiam resultar em um melhor tratamento a todos os membros de famílias de origem africana. 

A bebida à base de aguardente recebeu reconhecimentos importantes nos últimos anos, incluindo o selo de indicação geográfica, que reafirma a importância da origem e dos processos artesanais que marcam a identidade do canjinjin. Esse tipo de registro também auxiliou a bebida a ultrapassar as fronteiras brasileiras e atualmente tem completado a lista de produtos regionais exportados.  

Antigamente, o canjinjin era consumido apenas pelos homens que participavam do cortejo. Eles bebiam escondido por terem medo de punições por parte dos senhores. Posteriormente, a bebida foi popularizada e também consumida por mulheres.

O produto é ligado à cultura dos quilombos do povoado de Vila Bela da Santíssima Trindade.

Indicação por Jean Marconi de Oliveira Carvalho
Pesquisa por Sara Campos
Revisão por Ligia Meneguello 
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