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Babaçu (Orbignya speciosa) é uma palmeira da família das palmáceas Arecaceae e nativa da floresta amazônica, porém possui grande predominância nas regiões do Maranhão, Piauí e Tocantins. É também muito conhecida por baguaçu, coco-de-macaco, bauaçu, baguaçu, auaçu, aguaçu, guaguaçu, uauaçu, coco-de-palmeira, coco-naiá, coco-pindoba e palha-branca, a etimologia destes termos advêm do Tupi e do latim.

É uma palmeira belíssima e elegante, podendo atingir até 20m de altura, caule podendo medir entre 20 e 50 cm de diâmetro, as suas folhagens podem atingir até 8m de comprimento e, em sua maioria, quando estão ficando velhas permanecem presas a planta. Quando férteis o Babaçu apresenta flores na coloração creme-amareladas que se mantém justapostas em longos cachos. As palmeiras do babaçu podem gerar até 6 cachos, o período de safra costuma ir de janeiro a abril. O fruto possui formato oval, levemente alongado, com coloração castanha que se desenvolve de agosto a janeiro em cachos pendulares.

A polpa do babaçu é muito apreciada por sua característica farinácea e oleosas que são compostas por 3 ou 4 sementes oleaginosas, porém não possui grande durabilidade, deste modo o beneficiamento do mesmo deve ocorrer de forma rápida e eficiente, para que não haja prejuízo. Em um bioma adequado, o babaçu pode produzir até 2.000 frutos por ano.      

O coco do babaçu, pode ser consumido in natura, pois possui um alto valor nutricional, tendo em sua composição fibras, sais minerais, amido e enzimas. Quando submetido a algum tipo de beneficiamento o fruto pode ser utilizado como medicamento fitoterápico, devido a sua ação  anti-inflamatória, antioxidante, analgésica, inibidor viral e ainda podendo ser utilizado como estimulante para o sistema imunológico.

A amêndoa do babaçu possui cerca de 60% de responsabilidade na característica oleosa da fruta, sendo dela que provém o poderoso óleo de babaçu, que possui características semelhantes ao do óleo de dendê. O óleo pode ser consumido ao natural, adicionado a outras receitas ou para fins estéticos como na produção de cosméticos.

Um estudo realizado pela Fundação Filipina para Pesquisa e Desenvolvimento do Coco, concluiu que a adição de óleo de coco de babaçu na alimentação de pacientes portadores do vírus HIV pode trazer como benefício a diminuição do nível da carga viral em indivíduos soropositivos. Todavia o consumo do mesmo não pode ser desenfreado, pois o óleo é rico em gorduras saturadas, deste modo o consumo excedente pode trazer danos a saúde.

O babaçu, mesmo possuindo diversos benefícios e utilidades, trata-se de uma cultura que está sendo ameaçada pelo crescimento exacerbado da pecuária  e das monoculturas, que representam melhor rentabilidade econômica.Além disso, o difícil manejo do babaçu contribui para o risco de desaparecimento do mesmo.

As quebradeiras de coco babaçu tem uma participação especial na cultura tradicional de extração do mesmo e na produção de todos os seus derivados. Como fruto da luta contínua das quebradeiras foi construída a Cooperativa Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu - CIMQCB em São Luís - MA, representam de forma mais ampla as quebradeiras do MA, PA, TO e PI. Esta cooperativa é o braço comercial do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco - MIQCB,  que tem um trabalho forte na defesa dos direitos das quebradeiras, disputa pelos territórios e na conservação do babaçuais e dos modos de vida tradicionais. O MIQCB aglutina cerca de 400 mil mulheres organizadas em núcleos regionais.

A ASSEMA é uma ONG de assessoria no território do Médio Mearim/MA que trabalha com agricultores familiares assentados da reforma agrária e quebradeiras de coco, são parceiros da Central do Cerrado e ajudaram a constituir, realizam assessoria técnica para:

  • COOPALJ (Lago do Junco/MA) que produz óleo de babaçu que é utilizado pela LOccitanne, WELEDA, AVEDA, L'Oreal, entre outras.

  • COOPAESP que produz o Mesocarpo de "Babaçu Bio Nutri" vendido pela Central do Cerrado. Eles comercializam com NATURA e ajudamos a entrar na Mãe Terra.

  • AMTR que produz o sabonete "Babaçu Livre".

Com o objetivo de preservar os cocos que ainda não atingiram o estado de maturação é usado uma vara para balançar o cacho, ou é lançado uma vara ou pedra para que com o impacto os cocos maduros que não caíram naturalmente se desprendem, garantindo assim que não haja desperdícios de frutos verdes.

Após a coleta dos cocos, as quebradeiras promovem a “quebra” com o auxílio de um machado e um pedaço de madeira que serve como martelo para gerar a força que faz com que o machado quebre o coco facilitando a extração das amêndoas. Esse procedimento ocorre, na maioria das vezes, ainda na área de cultivo, onde as quebradeiras se agrupam próximo a alguma palmeira e realizam a quebra no chão. Nesta etapa é necessário que haja muita cautela pois a amêndoa do babaçu deve ser retirada inteira. A fragmentação da mesma as tornam rançosas em período de 24 a 48 horas perdendo complemente o seu valor comercial. A quebra também pode ser realizada, de maneira rudimentar, a golpes de pedra sobre uma superfície dura.

O óleo de babaçu pode ser produzido de forma mecanizada por prensagem a frio ou pode ser confeccionado de forma artesanal. Em Goiás, Norte de Minas a obtenção do óleo de babaçu é por método artesanal, mas  devido ao difícil manejo desde a coleta do fruto até o beneficiamento do mesmo com o óleo de babaçu, o produto vem sendo cada vez mais substituído por óleo de soja dentre outros óleos integrais. O óleo de babaçu é um produto orgânico e além de pertencer a cultura local, é um produto rico e com valor nutricional elevadíssimo.

Usos gastronômicos

O óleo advém da amêndoa que é retirada do coco de babaçu e pode ser utilizado em diversas receitas culinárias, medicinais e estéticas, como dito anteriormente. Para a confecção do óleo, a amêndoa deve ser retirada em perfeito estado, para assegurar as propriedades nutricionais do produto e garantir que as enzimas acidificam o óleo,  promovendo a formação e ácidos graxos tornando-os impróprio para consumo e para a produção de cosméticos. Neste caso são utilizados em produtos de limpeza.

Após a coleta, quebra e extração das amêndoas no babaçual (extenso aglomerado de babaçus em determinada área), é realizada a primeira seleção para que apenas passem para a outra fase as amêndoas sadias, sem defeitos na sua estrutura física. Já na unidade de processamento é realizada o cozimento que tem por objetivo amolecer as amêndoas trituradas para viabilizar a retirada do óleo. O óleo bruto pode ser obtido diluindo-se o sumo ou farelo de amêndoa em uma chaleira. Além do cozimento, há outra formas de separar o óleo dos resíduos derivados da prensagem, tais como o extrator manual de óleos vegetais, porém não garante bom aproveitamento.

O óleo deve ser reservado para que decante, desta forma é feita a retirada dos resíduos e impurezas que restaram, posteriormente o mesmo é submetido a um filtro, que promove o refinamento do óleo o tornando mais apurado e garantindo que não haja borra no produto final. O óleo pode ser envasado em tambores de aço ou em bombonas plásticas, o ideal é manter os recipientes onde o óleo está armazenado separados, bem como manter o produto em local fresco, coberto e arejado, garantindo assim a qualidade do produto final.

O óleo de babaçu pode ser utilizado no preparo de diversas receitas, ou pode substituir algum outro óleo de alguma receita já existente, podendo também auxiliar no cozimento de alimentos, para temperos de saladas e para a confecção de pães. 

Indicado por Thiago Lopes de Melo
Texto de Revecca Cazenave Tapie e Paulo Dantas
Revisão de Ligia Meneguello
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