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Originário da Amazônia Ocidental, o Solanum sessiliflorum conhecido por diversos nomes populares como cubiu, maná, maná-cubiu, manacabiu, tomate-de-índio, cocona, topiro, orinoco-apple, foi domesticado pelos indígenas pré-colombianos na amazônia brasileira, peruana, colombiana e venezuelana. É fruto de uma hortaliça da família das solanáceas, a família do tomate comum. Substitui perfeitamente o tomate convencional, sendo caracterizada como uma planta alimentícia não-convencional (PANC).

Encontrado em quintais e roçados domésticos pelo território de ocorrência, poucos são os relatos de plantios comerciais desse fruto,  geralmente vendidos em pequena escala nas feiras das cidades do interior da Amazônia. Apesar de ser uma planta muito produtiva, não é possível encontrar o cubiu com facilidade nas grandes cidades, como Manaus e outras capitais da região Norte do país; a progressiva perda da cultura alimentar na região, aliada ao desmatamento e crescimento das cidades são agravantes para esse fator. Além disso, há registros de pequenos plantios na região Sudeste, no Vale do Ribeira, divisa entre São Paulo e Paraná, mas nesses estados o fruto não é muito conhecido pela população local. O pé de cubiu é facilmente cultivável, apresentando boa rusticidade. O tamanho da planta adulta varia entre 1 e 2 metros, com grandes folhas verdes e aveludadas, que podem variar entre 30 a 60 cm. Tem preferência por sombra e não possui espinhos; produz frutos tipo baga de tamanhos variados, entre 7 a 10 cm de comprimento. Apresenta alto teor de acidez, podendo pesar entre 100 e 400 gramas. É indicado para combate a níveis altos de colesterol.

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Planta adulta com frutos ainda verdes. Foto: Carlos Demeterco 

A história cultural do cubiu está intimamente ligada à cultura indígena da Amazônia Ocidental, e por isso, foi grandemente perdida. Há a real necessidade de fortalecimento de sua produção, difusão do fruto dentre os consumidores urbanos e necessidade de reconhecimento desta PANC como produto regional nativo. Além disso, possui um potencial muito grande para geração de renda às comunidades rurais da Amazônia, podendo e ser produzido com o uso de técnicas agroecológicas. Somente desta maneira, em cultivos de produção agroecológica, viabilizaremos a salvaguarda desse fruto, utilizado ancestralmente na cultura indígena amazônica.

Infelizmente é comum o fato de muitas comunidades rurais realizarem o corte dos pés de cubiu que existam em suas propriedades, pelo desconhecimento de como processar, consumir ou armazenar os frutos. Ou seja, por simplesmente desconhecerem o fruto nativo ou não saber como consumi-lo, hoje muitos agricultores descartam essa planta, colocando-a em sério risco de desaparecer da cultura alimentar amazônica. Isso demonstra, de maneira muito forte, que uma intervenção se faz necessária no sentido de se resgatar e fortalecer a cultura do cubiu no Brasil, principalmente na região amazônica, que perfaz seu centro de origem. Caso essa cultura alimentar se perca, perderemos importantes fontes naturais genéticas dessa espécie, comprometendo o resgate do cubiu na cultura alimentar do Norte do Brasil. Dessa maneira, é preciso reconhecer a real fragilidade do cubiu e atuar diretamente com a agricultura familiar local, a principal detentora dos conhecimentos tradicionais ligados à frutos de espécies nativas.

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Frutos maduros de cubiu.Foto: Helenkássya Araújo

Muitas pessoas não consomem o cubiu em função de não ter o conhecimento de como este pode ser consumido, mas ele é extremamente versátil. Pode ser utilizado em saladas, assim como no preparo de molhos salgados, molhos apimentados, cozidos em caldeiradas de peixe, ou cozidos com carne bovina.

Após descascado e branqueado (fervido em água por 3 minutos), sem sementes, o cubiu pode ser utilizado para o preparo de sucos, geleias e doces. É muito utilizado em receitas interioranas, nas comunidades rurais e tem um grande potencial para ser comercializado nos centros urbanos.

Produto indicado por Carlos Demeterco
Pesquisa e texto: Carlos Demeterco e Ligia Meneguello

Referências
Cultivo e Uso do Cubiu
KINUPP, V. F. e LORENZI, H. 2014. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Instituto Plantarum. Pg 672-673.

Este produto foi indicado no âmbito do projeto
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