Slow Food Brasil

Cadastre o seu e-mail e receba novidades:

O cará-roxo tem origem amazônica e é uma tuberosa muito apreciada pela população local, sendo mais comumente identificado por esse nome em função da variedade de cor roxa ser a mais difundida e encontrada na região. Porém, além do cará-roxo, há também outras variedades, caracterizadas pela coloração branca e amarela. 
Pertencente à família das Discoreáceas, é uma planta trepadeira, que se desenvolve bem em áreas abertas, sendo cultivada também para produção e venda das raízes. Suas folhas apresentam três lobos; com inflorescências masculinas e femininas, originam frutos capsulados. É facilmente encontrado na mesa do povo amazonense, além de ter presença garantida nos cafés regionais, juntamente da macaxeira.
A polpa levemente granulosa lembra mais a batata inglesa do que a batata doce da mesma cor. Uma cor, aliás, que é reflexo da presença de antocianinas, substâncias com propriedades antioxidantes. 

O cará perfaz uma tuberosa muito conhecida em toda a Amazônia, em especial nas regiões interioranas, nas propriedades da agricultura familiar cabocla e ribeirinha. Estudos apontam que a domesticação do cará roxo foi feita por povos indígenas na região entre Brasil e Guianas. O município de Caapiranga é reconhecido como o maior produtor de cará roxo do estado do Amazonas, responsável pelo abastecimento de quase metade de todo o cará consumido na região de Manaus.

É consumido de maneira familiar, nas propriedades rurais, bem como em cafés regionais por todo o estado do Amazonas. De fácil digestão, o cará é consumido cozido com uma pitada de sal, no café de manhã ou da tarde, em sopas, frito, no preparo de pães, purês e pudins amazônicos. 

Assim como muitos produtos da região amazônica, esta espécie de cará e suas variedades sofrem a pressão da introdução do cultivo de plantas convencionais. Essas plantas, em sua maioria, não são nativas e necessitam de um forte aporte de insumos e agrotóxicos para sua viabilidade. Os conhecimentos associados a plantas como o cará vão, dessa forma, se perdendo no tempo à medida que estas deixam de ser produzidas. Além disso, a erosão genética ameaça muito a viabilidade de espécies que são cultivadas por poucas famílias, como é o caso do cará. 
O reconhecimento do produto e o desenvolvimento de mais pesquisas, em especial agronômicas, auxiliarão no sentido de conservar essa variedade amazônica. Seu uso ainda é muito limitado, sendo consumido mais cozido, mesmo tendo potencial para o preparo de receitas de sabor peculiar e aspecto físico belíssimo.

Indicação por Susanne Gerber-Barata
Pesquisa por Carlos Demeterco 
Revisão por Ligia Meneguello
Este produto compõe o projeto:

logo projeto completa

Conheça mais sobre Slow Food InternacionalFundação Slow Food para BiodiversidadeTerra MadreUniversidade das Ciências Gastronômicas

» SLOW FOOD BRASIL | Login »»

© 2013 Slow Food Brasil. Todos os direitos reservados aos autores das fotos e textos.
Não é permitido reproduzir o conteúdo deste site sem citar a fonte, link e o autor.
Design e desenvolvimento: DoDesign-s