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O siri de mangue (Callinectes exasperatus) é um crustáceo da família dos portunídeos, podendo ser encontrado em toda região do litoral baiano e em ambientes que possuem um teor de salinidade, tais como mangues de estuário (mistura de água de rio com mar) ou no ambiente marinho. O siri é tido como um familiar bem próximo do caranguejo, devido às suas características físicas e dieta semelhantes, tendo como principal diferença modificação de seu último par de apêndices locomotores (patas), que assumem a forma de nadadeiras. Sendo assim, os siris possuem uma capacidade maior de locomoção em ambientes aquáticos em comparação aos seus "primos" caranguejos, que limitam a vida a substratos como areia, rochas, dentre outros.  

O siri de mangue ou siri-açu como é  conhecido por atingir um tamanho maior no seu estado adulto que os siris de outras espécies, possui  uma carapaça larga com “espinhos” nos terminais, que são formadas de carbono de cálcio. A espécie C. exasperatus possui cor acinzentada no centro da sua carapaça e na medida que vai se aproximando das patas, a coloração começa a ganhar uma nova nuance, tendo agora um tom marrom.

A extremidade de algumas de suas garras podem apresentar uma coloração azulada. Diferente dos caranguejos, os siris possuem dez patas, sendo duas as auxiliadoras na locomoção do crustáceo em água. Na terra o siri utiliza apenas quatro pata. O corpo é achatado  e a cabeça e tórax são ligados como uma só peça, as garras são utilizados como mecanismo de defesa, caça e são utilizadas para levar a alimentação até a boca.

Callinectes exasperatusSiri-de-mangue. Foto: eol.org

O desenvolvimento e crescimento desse crustáceo é lento e gradual, devido à rigidez de sua carapaça. O crescimento só é notável quando consegue se desenvolver em um ou dois centímetros de comprimento, quando ocorre o rompimento do invólucro calcário e mudança de pele. Essa mudança de pele geralmente ocorre duas vezes ao ano, que é justamente nos períodos em que o siri encontram mais alimentos, ganhando peso mais rapidamente. Os siris adultos já não trocam de pele a cada ano.

Assim como os demais crustáceos, o siri de mangue se alimenta de restos de animais mortos, como peixes e outros frutos do mar, por este motivo são conhecidos como os “urubus do mar”. Contudo isso não é uma característica específica dos siris de mangue, visto que os caranguejos e as demais espécies de siri possuem uma dieta similar. A depender da localização  do mangue, o siri que nele habita possui uma dieta mais seletiva.

Na reprodução a fêmea da espécie possui a capacidade de incubar no seu abdômen aproximadamente dois mil ovos, o período de incubação dura em torno de 16 e 17 dias, em períodos em que a temperatura ambiente é superior á 25°. Esse prazo pode cair para até 15 dias úteis. Após um mínimo de 18 dias, o siri muda do final de estágio de zoea para megalopa. Em 7 a 8 dias, este chega ao primeiro estágio de siri em água, a duração do período larval é de 20 a 24 dias   

A principal atividade das comunidades de Canavieiras é a pesca artesanal, seja a de estuário ou marinha sendo na maioria dos casos a única fonte de subsistência. São vários os tipos de pescados e mariscos extraídos e comercializados pelas comunidades locais do município, no entanto as comunidades de Poxim do Sul e Oiticica, Campinho e Barra Velha que estão localizadas nas proximidades de Canavieiras- BA se dedicam de forma mais intensa à mariscagem e captura de crustáceos, como aratu (Goniopsis cruentata), guaiamu (Cardizhoma guanhumi), caranguejo-uça (Ucides cordatus), siri de ponta (C. danae), do siri-nema (C. bocourt) e siri de mangue (C. exasperatus).

A coleta do siri de mangue  é árdua, geralmente é realizado pelas marisqueiras, que se levantam antes das 5h da manhã para aproveitar a maré para então se deslocarem das suas respectivas comunidades com um auxílio de uma lancha até o mangue onde será realizada a coleta. A prática da coleta do siri, torna-se inviável em dias frios, pois  muitas das marisqueiras não possuem material adequado para trabalhar no mangue em baixas temperaturas, visto que para realizar a coleta do siri, é necessário colocar a mão em buracos que podem ser bastante profundos e que já possuem temperatura ambiente baixa. Outra forma de realizar a coleta é através de isca, geralmente é preparada uma armadilha para facilitar a extração do siri, atraindo o mesmo com um pedaço de carne ou peixe.

O siri de mangue, assim como os demais crustáceos que são alvos de extrativismo na região de Canavieiras estão em risco de desaparecimento, devido à extração dos mesmo no período de defeso (período em que os crustáceos estão em reprodução e desenvolvimento). O auxílio defeso, que é uma bolsa que os pescadores e/ou marisqueiras que estão cadastradas recebem  durante o período que não se pode realizar o extrativismo, ameniza essa problemática; porém infelizmente este recurso é limitado e não atinge a todos.  

O siri de mangue, assim como os demais crustáceos, são muito apreciados pela gastronomia local e regional. Após a higienização do animal, o mesmo deve ser cozido ainda vivo, para garantir que a carne do siri não se estrague, podendo ser servido cozido apenas com água e sal e acompanhado por pirão de água e limão. Pode também ser cozido com  temperos variados e do próprio caldo fazer o pirão.

Com a inovação da gastronomia local, as marisqueiras iniciaram o beneficiamento da carne do siri, gerando assim o catado de siri, que posteriormente pode ser adicionado a diversas receitas. A receita mais conhecida na região de Canavieiras é a fabulosa casquinha de siri, que é um “creme” confeccionado com o catado de siri, juntamente com outras iguarias locais, posteriormente este creme é colocado dentro da “casca” do siri, onde ainda será adicionado queijo parmesão para ser levado ao forno até que doure. A iguaria pode ser com acompanhada por farofa de manteiga, ou pirão.     

Indicado por Joadson de Jesus Oliveira
Pesquisa e texto por Revecca Cazenave-Tapie
Revisão por Ligia Meneguello

Referências:
Fonte:  http://www.biblioteca.uesc.br/biblioteca/bdtd/200960105D.pdf  
Fonte: http://www.mma.gov.br/destaques/item/7979-ba-canavieiras
Fonte: http://especiesmarinhas.blogspot.com.br/2008/10/siri.html

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