No município de Bragança existem mais de 50 tipos de mandioca (Manihot esculenta) utilizados pelos produtores rurais que recebem diferentes nomes como: aipim, jabuti, mirim, branco ouro, creme, areia, tomazia, gordura, branca, picui, entre outros.

Há um método específico para o preparo da farinha de Bragança. O primeiro passo é deixar a mandioca de molho durante 4 a 5 dias. No último dia a mandioca é retirada da água, descascada e, após isso, colocada de molho por mais 24 horas em água limpa.

Após essas 24 horas, a mandioca é retirada da água e triturada, para então ser colocada no tipiti (um utensílio indígena feito de palha, que funciona como uma prensa, para a retirada do tucupi, o molho da tapioca). Depois disso teremos a massa da mandioca, que é colocada no forno já aquecido para ser torrada.

A tradicional farinha de Bragança, como é conhecida, é produzida artesanalmente por pequenos produtores da agricultura familiar, e leva o nome do município de Bragança (Pará). A farinha vem embalada em um paneiro, cesta feita com folhas de guarimã (também chamada arumã), que é uma planta herbácea da família das Marantáceas, típica da região. Confeccionada com técnica indígena repassada de geração em geração, esta tecnologia ancestral vem sendo substituída há vinte anos por embalagens de plástico que desconsideram o caráter tradicional e sustentável do produto, que mantém através das fibras naturais e recicláveis a farinha intacta e perfeita para consumo pelo período de um ano.


Farinha bragantina empaneirada, do seu Bené. Foto Dário Rodrigues

Essa embalagem natural gera valor agregado ao produto não apenas por torná-lo mais durável e sustentável, mas por ser um objeto decorativo, belo e de fácil comercialização, além de denotar o valor cultural a ser considerado no produto.

A farinha de Bragança também é um complemento para a alimentação, sendo consumida diariamente pelo povo paraense. Bragança é conhecida por produzir uma das melhores farinhas do estado do Pará. A cidade de Bragança produz entre 800 a 850 toneladas por mês de farinha de mandioca, e possui cerca de 9 mil produtores locais. Desta produção, destacam-se 30 produtores em média que comercializam a farinha empaneirada.

A farinha de Bragança é consumida em especial no estado do Pará, região amazônica, em todas as refeições: com frutas ou café, no café da manhã, com peixes no almoço e jantar. Também é apreciada com os tradicionais tacacá e o famoso açaí do Pará, reconhecido como o melhor açaí da Amazônia.

É produzida principalmente por produtores familiares das áreas dos campos, abrangendo a zona rural do município de Bragança, a região mais conhecida. Também é produzida nos municípios de Augusto Correa, Tracuatua e Capanema.
A técnica ancestral de se empaneirar a farinha foi difundida por Seu Bené e Dona Maria, de Bragança, em 21 comunidades no entorno do município.

Indicação: Waldinei Maciel Monteiro
Texto e pesquisa: Carlos Demeterco e Ligia Meneguello
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