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A tainha (Mugil platanus), também conhecida como parati ou curimã é um peixe da família Mugilidae, que têm ampla distribuição em águas tropicais e sub-tropicais de todo o mundo, principalmente na região costeira estuarina, ocorrendo em quase todo o litoral brasileiro. Embora ocorram pelo menos sete espécies de mugilídeos na costa do Brasil (de norte a sul do país), apenas três têm sido mais exploradas comercialmente. A tainha tem ocorrência apenas no Sul e Sudeste e é fortemente ligada a cultura de ranchos de pesca e da pesca artesanal em geral.

São espécies costeiras que formam cardumes, sendsuo encontrados em grande abundância nas lagoas estuarinas, onde passam grande parte do seu ciclo de vida, migrando depois para o mar.  Não existem dados precisos sobre locais de desova no litoral brasileiro. A maioria dos trabalhos sobre o assunto indica que os representantes da família Mugilidae desovam no mar e os juvenis, depois que adquirem a capacidade de nadar ativamente, locomovem-se para águas mais costeiras, penetrando então nos estuários, onde se estabelecem por algum tempo. Algumas formas sobem os rios e percorrem  distâncias consideráveis. Há relatos populares sobre locais tradicionais de procriação como a Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul, bem como em toda a costa.

A importância da tainha na região Sudeste está ligada inicialmente aos indígenas do tronco linguístico tupi que habitavam desde o litoral norte do estado de São Paulo até Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, representando farta disponibilidade de alimento na época.

Em Santa Catarina, a pesca da tainha tem forte conexão com as comunidades tradicionais de pescadores. Em toda a Costa Verde Mar catarinense as comunidades festejam a chegada da tainha e tem suas rotinas diretamente ligadas à observação, cerco, arrasto e partilha da tainha na praia.

Em Laguna, os pescadores utilizam o apoio dos golfinhos para pescar a tainha. Os pescadores cercam e os golfinhos “tocam” as tainhas para a rede. Ao final da pesca, os pescadores presenteiam os golfinhos com tainhas pescadas.

O extrativismo destas espécies está tradicionalmente ligado a comunidades de pescadores artesanais do sul e sudeste do país, porém recentemente (a partir dos anos 2000) tornou-se também importante alvo para a frota industrial. As capturas ocorrem principalmente durante o inverno, durante a migração reprodutiva, por isso, passou a sofrer maiores pressões sobre seus estoques pesqueiros.

A exportação das ovas é outro forte caminho buscado pelas embarcações industriais, que comercializam a iguaria para China e Itália, principalmente.

Captura de Tela 2017-02-22 às 19.23.33.pngTainha na taquara. Foto: Bernardo Simões

Um dos usos gastronômicos mais tradicionais da tainha é a técnica de secagem, para a conservação do peixe, através da salga. Com essa técnica pode ser utilizado principalmente em guisados e moquecas.  Já no sul do Brasil, seu consumo mais comum é a tainha assada na brasa. Muito comum também é a “tainha na taquara”, onde a tainha é colocada inteira em uma espécie de garfo contentor de bambú e assada em brasa. Nestes estados, as festas envolvendo este peixe e outros frutos do mar são bastante tradicionais, ocorrendo anualmente. A ova da tainha seca ao sol é também muito tradicional em todo o litoral catarinense, e mais recentemente, por influência europeia, a botarga.

O setor artesanal utiliza, tradicionalmente, o recurso tanto em alimentação (subsistência e comercialização), quanto em suas manifestações culturais, que movimentam um importante mercado turístico-gastronômico ao longo de todo o litoral sudeste e sul brasileiro.

O extrativismo da tainha está ligado às comunidades de pescadores artesanais nestas regiões. Nestas comunidades, serve tanto para o auto-consumo quanto para a comercialização. Há um enorme número de comunidades de pescadores artesanais envolvendo a pesca da tainha.

Referência
MIRANDA, Laura Villwock de; CARNEIRO, Marcus Henrique. A pesca da tainha Mugil platanus (perciformes: mugilidae) desembarcada no estado de São Paulo subsídio ao ordenamento.  Sér. Relat. Téc. São Paulo n. 30 jun./2007. 15 p.

Indicado por Tarsila Agda de Lima Santos e Andréia Vigolo Lourenço.
Revisão e pesquisa por Bernardo Simões e Ligia Meneguello.
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