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Dependendo da região de ocorrência, leva o nome de araticum-do-cerrado, articum, pinha, ata, panã, marolo, condessa ou bruto. Seu nome deriva do tupi e significa “árvore rija e dura, fruto do céu, saboroso, ou ainda fruto mole”, visto que sua polpa é branca, viscosa e mole quando maduro.

O araticum é uma árvore da família das Annonaceae, conhecida como araticunzeiro ou maroleiro, parente da famosa pinha ou fruta-do-conde (Annona squamosa). Pode atingir até 3,5 metros de altura e ocorre de forma descontínua em todo o cerrado brasileiro. Suas raízes são do tipo axial, e atingem grandes profundidades no solo em busca de água e nutrientes, seus galhos são tortuosos, a casca é corticosa, fendida e grossa, suas folhas são ovadas e coriáceas (grossa, parecida com o “couro”).

A planta tem preferência por regiões de cerrado com menor déficit de umidade, como no centro e norte de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, pequena parte do interior de São Paulo e em partes isoladas de Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e leste da Bahia. Mas é em Minas Gerais que o fruto é típico e muito apreciado.

A floração ocorre de setembro a novembro e a frutificação nos meses de novembro a março. A flores são polinizadas por insetos (polinização entomófila), sobretudo os besouros (Cyclocephala atricapilla). A árvore não produz grande quantidade de frutos, mas em compensação, estes podem alcançar até 2kg cada um.

Os frutos são grandes, tem a polpa adocicada, rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A, vitamina B1 e B2. Costumam cair dos galhos quando maduros e podem ser coletados do chão. A fruta é coberta por uma casca marrom, bem grossa. A polpa pode ser de dois tipos: rosada, mais doce e mais macia ou amarelada, menos macia e um pouco ácida. Suas sementes, pretas e lisas, aparecem em grande quantidade nos frutos.

Pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pela Universidade Católica de Goiás (UCG) identificaram no araticum antioxidantes que ajudam na prevenção de doenças degenerativas.


Foto: Leo Miranda

Além disso, folhas e sementes do fruto são utilizadas popularmente para conter a diarréia, induzir a menstruação e para combater reumatismo, úlcera e até câncer de pele.

Infelizmente, muitos araticunzeiros estão sendo arrancados em razão do desmatamento, da expansão das fronteiras agrícolas e da pecuária no cerrado. Como a semente demora muito para germinar (em torno de 300 dias), o risco de desaparecimento desta espécie é alto, e o cultivo requer intervenção humana ou ações que favoreçam sua conservação.

O cerrado já ocupou uma área de 2 milhões de km2 no território brasileiro, mas hoje encontra-se reduzido à aproximadamente 800 mil km2, resultado da exploração intensiva dessas terras. A conservação deste bioma é essencial para a sobrevivência do araticum e diversos outros recursos naturais, e a manutenção do conhecimento popular e da tradição local de consumo e preparação de receitas pode representar um importante incentivo à conservação de sua área de ocorrência.

Em algumas regiões, como em Minas Gerais, como Belo Horizonte, Montes Claros, municípios de Paracatu, João Pinheiro, Paraguaçu e Chapada Gaúcha, o fruto é típico e muito apreciado, utilizado ao natural ou no preparo de sucos, sorvetes e doces. Com a polpa também são produzidas bolachas, geleias, sucos, licores, bolos e várias outras preparações. A cidade de Paraguassu, no interior do estado, organiza anualmente uma festa dedicada ao fruto que envolve venda de produtos, gastronomia e atividades culturais. Na época da frutificação, é consumido pelas populações locais e comercializado em feiras, festas tradicionais ou à beira das estradas que cortam o cerrado.

O quanto em toda vereda em que se baixava,
a gente saudava o buritizal e se bebia estável.
Assim que a matalotagem desmereceu em acabar,
mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi.
A mais, ainda tinha
araticum maduro no cerrado.
Guimarães Rosa (Grande Sertão)

Indicação: Ana Paula Caetano Jacques, Luciana Rodrigues Pinto Coelho Gambarini, Jean Marconi, Ligia Meneguello
Texto e pesquisa: Marcelo Aragão de Podesta
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