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O ora-pro-nóbis (Pereskia sp), conhecido por também diversos nomes como trepadeira-limão, carne-de-pobre, groselha-da-américa, orabrobó, lobodo, lobrobô, lobrobó, rogai-por-nós, rosa-madeira, jumbeba, surucucú, lobolôbô, espinho-de-santo-antônio, groselha de barbados, guaiapá e mori,  é uma hortaliça perene da família das cactáceas, originária da zona intertropical das Américas, sendo possível encontrar variedades nativas desde a Flórida, nos Estados Unidos, a região sul do Brasil.

É uma planta rústica e resistente, que se apresenta na forma arbustiva ou trepadeira, com ramos semi lenhosos, repletos de espinhos agudos (acúleos), folhas carnudas e mucilaginosas.

De fácil cultivo e alto valor nutricional, a planta se desenvolve bem em vários tipos de solo e se adapta facilmente a diversos climas, podendo chegar até 5 metros de altura. As pequenas flores brancas, com miolo alaranjado, são perfumadas e ricas em pólen e néctar. Nascem de janeiro a abril e duram apenas um dia. São muito procuradas pelas abelhas. Os frutos ocorrem de junho a julho, pequenas bagas amarelas, redondas e sem muito sabor.

A expressão “ora pro nóbis” vem do Latim, e significa em português “Orai por nós”. Conta a lenda dos tempos coloniais, que na cidade de Sabará em Minas Gerais, a igreja da cidade possuía grandes moitas de ora-pro-nóbis, mas o padre não permitia que ela fosse colhida. Os escravos então, aproveitavam o momento das orações na igreja, geralmente bem extensas, para colherem sem serem vistos a hortaliça.

Ora-pro-nobis-Pereskia-aculeata-2-1024x683.jpgFloração de ora-pro-nobis (P. aculeata) Foto: Flores e Folhagens

Rica em vitaminas A, B, C, proteína (até 25% da matéria seca), magnésio, fosforo e cálcio, as folhas do ora-pro-nóbis, frescas ou secas, são saborosas e podem ajudar a curar anemias e outras carências nutricionais. Devido a presença de mucilagem nas folhas, a planta auxilia no bom funcionamento intestinal e no aumento da imunidade.

A hortaliça é muito pouco conhecida fora de Minas Gerais e raramente cultivada comercialmente, embora represente uma ótima alternativa comercial e gastronômica que, além dos valores nutricionais e medicinais, cresce rapidamente e dispensa tecnologia avançada, adubação e agrotóxicos.

O cultivo e beneficiamento do ora-pro-nóbis poderia contribuir para o equilíbrio dos recursos alimentícios de inteiras comunidades e integrar planos de governo na recuperação de áreas degradadas e no combate à fome em regiões áridas.

O marreco e o frango com ora-pro-nóbis de Pompéu

O Arraial de Pompéu, pertencente à cidade histórica de Sabará, em Minas Gerais, é conhecido pelo frango com ora-pro-nóbis, oferecido nos restaurantes da região e durante o Festival do Ora-pro-nóbis, realizado anualmente.

A relação da comunidade com o ora-pro-nóbis começa a partir de Dona Maria Torres, moradora de Pompéu, que durante o 1º Festival da Cachaça de Sabará, montou uma barraca onde serviu marreco com ora-pro-nóbis, prato de sua criação. A inusitada história dos marrecos, criados pela própria Dona Maria e a invenção do prato, são contadas cem detalhes por seu filho (link). O fato é que no Festival seguinte, Dona Maria participou com a mesma receita e, em poucas horas, acabou com seu estoque de marrecos. Para continuar a servir o público faminto, Dona Maria teve que adaptar a receita e usar o frango.

O ora-pro-nóbis passou a ser um ingrediente obrigatório em todas as festividades na cidade, inicialmente na barraca e no restaurante de Dona Maria, mas logo em seguida nos cardápios dos diversos restaurantes da cidade e no Festival do Ora-pro-nóbis, hoje em sua 19ª edição.

O sucesso do ora-pro-nóbis trouxe renda para as famílias de Pompéu e fortaleceu a identidade da comunidade, agora reunida ao redor desta planta generosa e versátil, que hoje é utilizada não só na combinação clássica com carnes ensopadas, mas também em sopas, tortas, bolinhos, doces, sorvetes, licores e outros pratos criativos.

As folhas frescas ou secas e moídas, elas são usadas em diferentes receitas, especialmente em sopas, omeletes, tortas, refogados, saladas, misturadas com farinha para enriquecer massas e pães em geral, garantindo um sabor especial e maior riqueza nutricional.

O frango, a galinha caipira e a costelinha com ora-pro-nóbis são combinações tradicionais da culinária mineira, servidos diariamente nas cidades históricas do estado, como Diamantina, Tiradentes, São João Del Rey e Sabará, além de alguns restaurantes em Belo Horizonte.

Indicação: Leonardo Koury Martins, Bernadete Guimarães Silva, Danielle Rodrigues de Souza e Ana Carolina de Assis Ribeiro
Pesquisa e texto: Marcelo Aragão de Podestà

Referências:

Kinupp, V; Lorenzi, H. 2014. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil - Guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas.
Matos de Comer - Ora-pro-nobis: Todos os tipos

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