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Também conhecido como cajuzinho do Cerrado ou cajuzinho do mato, esse fruto tem grande incidência no Cerrado. Entretanto, com o desmatamento cada vez maior desse bioma, corre risco de desaparecer antes mesmo de que estudos mais aprofundados sobre a espécie possam ser feitos.
É, como o cajú, um pseudo fruto. Muito menor que esse, costuma ser mais doce. Floresce na mesma época que boa parte dos frutos do Cerrado: entre setembro e outubro.

Durante muito tempo foi consumido apenas pelas populações nativas dessa região. Nos últimos anos, começou a adentrar a Alta Gastronomia (principalmente em Brasília) e passou a ser mais conhecido nas cidades.

Os extrativistas da região passaram então a ter uma demanda maior pelo fruto, mas em outras regiões incidentes, como no Mato Grosso, ainda continua sendo conhecido apenas por campesinos. Pode ser consumido in natura, como suco, doces, base para molhos, entre outros. Sua doçura e acidez equilibradas fazem do cajuzinho do cerrado um grande atrativo gastronômico. Além de sua cor exterior vermelha viva.

O cajueiro é uma planta tropical, originária do Brasil, e a palavra “acaiu”, de origem tupi, quer dizer “noz que se reproduz”. Cajuí, cajuzinho-do-cerrado ou cajuzinho-do-campo são os nomes dados aos cajus nativos do bioma Cerrado.
O cajuzinho-do-cerrado (Anacardium humile), também conhecido como cajuzinho-do-campo ou cajuí, pertence à família Anacardiaceae e é uma espécie que ocorre em campo sujo e cerrado, nos estados de Goiás, Minas Gerais, Rondônia, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do sul, Paraná, São Paulo e no Distrito Federal.

cajuí.jpgFoto: Jean Marconi

De natureza arbustiva, é uma espécie melífera, que floresce de setembro a outubro, frutificando em novembro, apesar de apresentar baixa capacidade de produção de frutos e sementes.

Possui frutos pequenos mas com coloração vermelha intensa (brilhante) que destaca sua presença em meio aos tons de verde-palha do Cerrado no período seco. Os frutos são saborosos e suculentos, de sabor ácido e adstringente. Amadurecem no mês de agosto sendo possível encontrar frutos maduros até dezembro.
No Cerrado a planta possui a função ecológica de fornecer alimento para a fauna, pois seus frutos e sementes são muito procurados pelos animais, principalmente pelas aves e também mamíferos como a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus), que atuam como agente dispersor de sementes.

Por ser uma espécie rasteira, é mais suscetível à ação do homem e do fogo, e está concorrendo com outras espécies ao título de espécie ameaçada de extinção.
Esta espécie depende qualitativa ou quantitativamente da queimada para florescer, se esta ocorrer no período da seca ou em dias mais curtos.
O caju rasteiro não é um alimento comumente cultivado, tendo o seu uso mais associado ao extrativismo vegetal, principalmente das áreas de “Chapada” dos Campus Cerrado.

Muitos brasileiros não conhecem o cajuzinho do Cerrado, ou então não sabem como o consumir, estando mais habituados a se alimentarem do caju comum.
O caju comum (Anacardium occidentale), facilmente encontrado no comercio, é produzido em larga escala, principalmente no Nordeste do pais, sendo exportado para diversas regiões do pais e do mundo. A sua produção segue majoritariamente os moldes da produção convencional, baseada em uso de insumos químicos, exploração do solo, monocultura e ausência de condições de trabalho justas.

Ao contrário do cajuzinho do Cerrado, que pode ser coletado principalmente nas regiões das denominadas “chapadas”, um ambiente agrobiodiverso e de importância impar na manutenção da vida das comunidades tradicionais que dela dependem (direta ou indiretamente), como os gerazeiros, Apanhadores de flor e caatingueiros do Norte de Minas Gerais

O signo identitário dos geraizeiros está vinculado àquela formação a que se denomina gerais, ou sejam, os planaltos, as encostas e os vales das regiões de cerrados, com suas vastidões que dominam as paisagens do bioma Cerrado. Com o plantio de lavouras diversificadas em espécies e variedades essa população tradicional constrói seus sistemas de produção. Para que os mesmo garantam suas reproduções, os cerrados com seus tabuleiros, espigões e chapadas fazem parte da estratégia produtiva fornecendo, por meio do extrativismo, forragem para o gado, caça, madeira, frutos, folhas, mel e medicamentos.

O bioma Cerrado, um dos mais biodiversos do planeta, oferece às suas populações uma grande variedade de produtos que podem ser importantes aliados na promoção de meios de vida sustentáveis, onde a geração de renda e qualidade de vida esteja em consonância com a conservação dos recursos naturais
Muitas dessas áreas foram ( e seguem sendo) colocadas em risco por grandes empresas de plantação de eucalipto na região, e atualmente pelas perspectivas de mineração que já estão avançando pelo território. Justamente nos locais conhecidos como gerais onde são instaladas as plantações de eucalipto. Além de perder o território de pastagem e colheita de frutos naturais, esta pratica leva a falta de água, atingindo a agrobidioversidade local de forma extremamente relevante.
Proteger o cajuzinho do Cerrado é além de tudo proteger um território. O pseudofruto possui cores que variam entre amarelo e vermelho, de sabor ácido e suculento. Pode ser consumido fresco (in natura), colhido diretamente da árvore. As sementes também servem de alimento, após serem torradas, como castanha de caju.
Seus pequenos frutos quando fermentados, fornecem uma espécie de aguardente conhecida pelos índios como cauim. As castanhas são consumidas em forma de amêndoas, da mesma forma que o caju comum, e são ricas em vitaminas B1 e B2, proteínas, lipídeos, niacina, fósforo e ferro.

Toda a planta do cajuzinho-do-cerrado é empregada na medicina popular. A infusão de suas folhas e da casca do caule subterrâneo é utilizada para curar diarreias. O óleo encontrado na castanha tem ação antisséptica e cicatrizante, sendo também empregado na indústria para a produção de matérias plásticas, vernizes e isolantes.
O pedúnculo do cajuzinho do Cerrado é rico em vitamina C, fibras e compostos antioxidantes. Essa composição biológica está associada à prevenção de doenças crônico-degenerativas, como doenças cardiovasculares, câncer e diabetes. A infusão das inflorescências é utilizada para combater a tosse e baixar o nível de glicose nas pessoas diabéticas.

Indicação: Thalita Kalix Garcia Santana, Luana Santos Dayrell e Janaina Deane de Abreu Sa Diniz
Texto e pesquisa: Jean Marconi de Carvalho
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