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O ariá (Calathea allouia) é uma planta de folhagem densa e raízes tuberosas, como pequenas batatas, que podem ser consumidas como importante fonte proteica, pois possui altos níveis de aminoácidos essenciais em sua composição. Essas batatas são o principal produto para consumo, possuindo tamanho variado, em média de 10 cm, e de cor clara, variando do branco ao amarelo claro.

É consumido tradicionalmente pela população cabocla ribeirinha e indígena da região, mas é quase impossível encontrar o ariá sendo comercializado nos centros urbanos da região amazônica.

Em anos anteriores o ariá era comumente cultivado pelas comunidades rurais da Amazônia. Porém, com o passar dos anos, a introdução de hortaliças convencionais e a falta de reconhecimento do produto, o ariá deixou de ser manejado na maior parte das propriedades rurais familiares. Sua origem remete à América Tropical, em toda sua extensão.

O ariá é ligado a comunidade rural Raios de Sol, Manaus, Amazonas. Porém, pode ser encontrado em muitas outras comunidades da região amazônica, sempre em pequenas quantidades.

A quantidade aproximada produzida è menos de 20 kg por ano, apesar de a comunidade Raios de Sol não possuir um controle da produção. Mas, geralmente, o cultivo é local, em pequenas hortas ou sítios, para consumo local.

Geralmente é consumido nas familias e nas festas das comunidades.
Pode-se preparar saladas, pois é uma batata naturalmente crocante e saborosa.
As populações tradicionais a utilizam também nas famosas caldeiradas, acompanhando os mais diversos peixes.
Pode também ser cozida com sal, originar farinhas que podem também ser utilizadas em pães, bolos e bolachas.

O pouco excedente pode ser comercializado localmente, principalmente em feiras locais, nos municípios do interior. Em Manaus, o ariá pode ser encontrado em feiras, apesar da dificuldade, sendo comercializado por agricultores familiares ou atravessadores. Os agricultores e agricultoras da comunidade Raios de Sol ainda não acessam as feiras da região para comercializar o ariá produzido no local.

É também importante sua conservação em função de outras hortaliças convencionais ameaçarem a continuidade do cultivo do ariá, pois os produtores deixam de plantá-lo para entrar nos caminhos do agronegócio.
Muitos estudos etnobotânicos indicam que esta hortaliça está realmente deixando de ser cultivada, sendo que muitas variedades já se perderam ao longo do tempo, o que causa o fenômeno conhecido como erosão genética. Isso se dá pelo fato da produção do ariá ainda ser praticada por poucas, ficando muitas vezes isolados, sem realizar a troca de variedades com outros produtores.
Agricultoras e agricultores de idade mais avançada falam muito no ariá, como sendo “uma batata que se apreciava muito, mas que já quase não se acha mais pro aí”.

 

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Parte aérea do ariá (Foto de Carlos Demeterco)

Este produto foi indicado por Carlos Alexandre Demeterco e compõe o projeto:

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